Edwiges Parra, psicóloga e professora da FGV, ensina que amadurecer é aprender a regular emoções e escolher como reagir aos problemas, sem culpar os outros, tanto na vida pessoal quanto no trabalho.
Administrar a própria vida vai muito além de organizar compromissos ou cumprir tarefas. Autogestão envolve reconhecer emoções, assumir a responsabilidade pelas escolhas e lidar com frustrações, mesmo quando as circunstâncias não são ideais.
Segundo a psicóloga Edwiges Parra, amadurecer significa desenvolver recursos para conduzir a própria vida sem depender constantemente de outras pessoas ou das situações externas para definir o que fazer.
- Autogestão não é controlar tudo, mas escolher como responder ao que acontece.
- Maturidade é perceber o que ocorre internamente e recuperar a capacidade de agir.
- Assumir a própria parte nas situações não significa carregar culpa por tudo.
- Profissionais maduros sabem impor limites e pedir ajuda quando necessário.
- Constância é agir mesmo sem motivação, essencial para a vida adulta.
O que é autogestão na prática
Autogestão começa na vida pessoal e inclui decisões cotidianas como cuidar da saúde, organizar o tempo e estabelecer limites. Reconhecer quando é necessário pedir ajuda também faz parte dessa habilidade.
A regulação emocional é fundamental. Reconhecer sentimentos e impulsos antes de agir ajuda a tomar decisões mais conscientes, especialmente diante de conflitos e frustrações. Isso impede reações impulsivas que podem gerar arrependimentos.
Autorresponsabilidade significa assumir a própria parte nas situações. Não se trata de se culpar por tudo, mas de identificar o que está sob seu controle e agir sobre isso.
"Maturidade não é nunca perder o eixo. Todos nós somos afetados por críticas, conflitos, perdas e situações inesperadas. Maturidade é conseguir perceber o que está acontecendo internamente e recuperar a capacidade de escolher como agir", destaca a psicóloga.
Caminhos para desenvolver a maturidade
Desenvolver a maturidade envolve observar os próprios padrões, percebendo como se costuma reagir diante de pressão, frustração e conflitos.
É importante separar a emoção da decisão. Reconhecer o que se sente antes de agir impulsivamente evita erros e melhora a qualidade das escolhas.
Definir prioridades ajuda a entender o que realmente precisa de atenção imediata e o que pode esperar. Estabelecer limites, aprendendo a dizer "não" sem sentir culpa, é outro passo crucial.
Por fim, criar constância é essencial. Maturidade envolve fazer o que precisa ser feito, mesmo quando não há motivação.
"Autorresponsabilidade não significa assumir culpa por tudo. Significa reconhecer qual é a minha parte em cada situação e o que está ao meu alcance fazer a partir dali", afirma Edwiges Parra.
Autogestão no ambiente de trabalho
No trabalho, a capacidade de gerenciar a si mesmo envolve administrar tempo, prioridades, emoções, energia e decisões. Antes de administrar equipes, projetos ou resultados, o profissional precisa desenvolver recursos para conduzir a própria atuação.
Sinais de falta de maturidade profissional incluem a dificuldade de estabelecer limites e a tendência a assumir responsabilidades que não consegue sustentar. O adiamento frequente de decisões importantes, esperando que as circunstâncias mudem sozinhas, também é um indício comum.
A transferência constante da responsabilidade por problemas para outras pessoas ou situações, além da dificuldade de manter disciplina e constância quando a motivação diminui, são outros desafios frequentes.
"Autogestão não é carregar o mundo nas costas. Uma pessoa madura também sabe reconhecer seus limites, pedir ajuda, delegar e entender que nem tudo precisa ser resolvido sozinha", conclui a psicóloga.

Maturidade (IA)


