19 de outubro de 2026

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Excesso de peso pode atrapalhar o tratamento de crianças com câncer

Geral Saude 19/10/2026 15:42 Rafael Damas | Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Especialistas alertam que a obesidade não causa o câncer, mas pode dificultar o cálculo das doses de remédios, aumentar riscos de efeitos colaterais e complicar a recuperação. O controle do peso deve ser feito com cuidado, alimentação saudável e apoio familiar, sem dietas restritivas.

A obesidade em crianças e adolescentes com câncer pode representar um desafio adicional ao tratamento oncológico, com possíveis impactos na resposta terapêutica, no risco de recidiva e no prognóstico da doença.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), embora o excesso de peso não seja, em geral, uma causa direta do surgimento de tumores nessa faixa-etária, seu controle é um aspecto importante do cuidado integral de pacientes pediátricos com câncer.

  • A obesidade não causa o câncer em crianças, mas afeta o tratamento.
  • O peso dificulta o cálculo correto das doses dos medicamentos.
  • Há maior risco de efeitos tóxicos e de a doença voltar (recidiva).
  • Dietas restritivas sem médico são perigosas durante o tratamento.
  • A família deve adotar hábitos saudáveis como apoio à criança.

Desafios no cálculo de medicamentos

Segundo a oncologista pediátrica da SOBOPE, Dra. Laurice Siqueira, o excesso de peso pode trazer dificuldades durante o tratamento, especialmente no cálculo das doses dos medicamentos e no manejo de possíveis efeitos tóxicos. A condição também está associada a preocupações relacionadas ao risco de recidiva e ao aumento da mortalidade em determinados contextos, o que reforça a importância de uma abordagem individualizada e de um acompanhamento contínuo.

Foco em hábitos saudáveis, não em restrição

A especialista ressalta que o controle do peso deve fazer parte da atenção integral ao paciente, sempre respeitando suas necessidades nutricionais, sua condição clínica e as particularidades de cada etapa do tratamento. O objetivo não é impor restrições alimentares, mas promover hábitos saudáveis e minimizar os possíveis impactos da obesidade na qualidade de vida e na evolução do cuidado oncológico.

Alimentação equilibrada e rotina familiar

Entre as medidas que podem contribuir para o controle do peso estão o fracionamento das refeições, a redução do consumo excessivo de sal e açúcar, a preferência por alimentos naturais ou minimamente processados, a diminuição do consumo de frituras e ultraprocessados e a manutenção de uma boa hidratação, conforme as necessidades de cada paciente.

Dietas restritivas, sem acompanhamento médico e nutricional, devem ser evitadas, especialmente durante o tratamento do câncer, período em que as necessidades de energia e nutrientes podem variar e a preservação do estado nutricional é fundamental.

A importância do apoio da família e equipe multidisciplinar

A prática de atividade física, quando autorizada e adaptada às condições clínicas da criança ou do adolescente, também pode contribuir para a saúde e o bem-estar. O envolvimento da família na construção de hábitos mais saudáveis é outro ponto importante, pois favorece mudanças na rotina que podem beneficiar todos os seus integrantes, afirma a oncologista pediátrica e presidente da SOBOPE, Dra. Mariana Bohns Michalowski, ao explicar que o acompanhamento multidisciplinar, com profissionais de oncologia pediátrica, nutrição, educação física e fisioterapia, além de apoio psicológico, é fundamental para que as estratégias de controle do peso sejam seguras, individualizadas e sustentáveis.

Cuidado integral e humanizado

Segundo a Dra. Laurice, a conscientização sobre obesidade infantojuvenil deve considerar tanto a prevenção quanto as necessidades específicas de crianças e adolescentes que enfrentam o câncer sendo que, nesses casos, o cuidado com o peso não pode ser tratado isoladamente nem se sobrepor às prioridades do tratamento oncológico. Cuidar de crianças e adolescentes com câncer exige um olhar integral. A prevenção e o controle da obesidade precisam ser conduzidos com orientação profissional, sem culpabilizar o paciente e sua família, e sem comprometer as necessidades nutricionais durante o tratamento, complementa a Dra. Mariana, ao destacar que o compromisso dos profissionais é reforçar a importância do cuidado individualizado, humanizado e multidisciplinar, que contribua para a qualidade de vida e para melhores condições de tratamento.