O CEO da fintech Finza, Adolfo Sortica, explica como o crédito consciente é fundamental para que os pequenos negócios, responsáveis por quase 80% dos empregos formais criados em 2025, possam crescer e inovar, destacando a importância de aliar financiamento a boa gestão e tecnologia.
Normalmente, quando discutimos crescimento econômico no Brasil, olhamos para as grandes empresas, investimentos bilionários e projetos de grande porte. No entanto, uma parte significativa desse motor econômico está espalhada por milhões de pequenos negócios, que movimentam comunidades, geram renda e criam oportunidades em todo o país.
Os micros e pequenos negócios já representam a maior parte das empresas brasileiras. Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), eles foram responsáveis por cerca de 80% dos empregos formais criados em 2025. Esse número mostra que falar sobre o pequeno empreendedor é, na verdade, falar sobre emprego, renda e desenvolvimento econômico.
- Pequenos negócios criaram 80% dos empregos formais em 2025.
- Programas de crédito viabilizaram mais de R$ 108 bilhões para PMEs entre 2023 e abril de 2026.
- O crédito deve ser usado para investir e inovar, não apenas para cobrir dívidas.
- Juros elevados dificultam o investimento, exigindo um crédito mais seletivo e adequado ao perfil da empresa.
- O Brasil não precisa criar novos motores econômicos, mas acelerar os milhões de pequenos negócios que já existem.
O papel dos pequenos negócios na economia
Esse protagonismo não se deve apenas à quantidade de empresas. Pequenos negócios possuem uma imensa capacidade de adaptação. Como estão próximos dos consumidores, conseguem identificar mudanças de comportamento com rapidez e testar novos produtos, serviços e modelos de negócio com mais agilidade do que as grandes corporações.
O desafio, porém, é transformar essa capacidade de adaptação em crescimento sustentável. Os principais obstáculos incluem o acesso a crédito, o alto custo do dinheiro, a gestão financeira e a necessidade de incorporar tecnologia às operações. O crédito, nesse cenário, não deve ser visto apenas como um recurso para manter a empresa funcionando no dia a dia, mas como um instrumento para investir, contratar, inovar e ganhar produtividade.
Crédito como ferramenta de expansão
O avanço das políticas públicas mostra a dimensão dessa demanda. Segundo o MEMP, programas como Pronampe e ProCred 360 viabilizaram mais de R$ 108 bilhões em crédito para pequenos negócios entre 2023 e abril de 2026. Ainda assim, acredita-se que o crédito sozinho não resolve todos os problemas.
É preciso que o financiamento chegue de maneira adequada ao perfil de cada negócio, com condições compatíveis com sua capacidade de pagamento e com o momento da empresa. A expansão sustentável depende de combinar o acesso a recursos com informação, tecnologia e melhor gestão.
Para quem atua na ponta, esse debate ganha ainda mais relevância diante de um cenário econômico em que juros elevados e condições mais seletivas de crédito podem dificultar investimentos, especialmente para empresas menores. O desafio, portanto, não é apenas ampliar o volume de recursos disponíveis, mas construir um ambiente em que o pequeno empreendedor consiga transformar o financiamento em crescimento real.
Existe a convicção de que o Brasil não precisa criar do zero um novo motor para sua economia. Precisamos apenas dar condições para que os milhões de pequenos motores que já existem possam acelerar.

Crédito (IA)


