Franco Marval, professor venezuelano naturalizado brasileiro, superou a crise na Venezuela, aprendeu o português e agora ensina em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Sua trajetória de resiliência inspirou um projeto de acolhimento a refugiados e migração, e ele está no final de seu doutorado estudando a cultura indígena.
No Dia dos Professores, a história de Franco Marval destaca a importância da educação para pessoas em situação de refúgio. Franco é venezuelano, filho de mãe indígena Taurepang, e se tornou professor no Brasil após fugir da crise em seu país de origem.
Franco nasceu em Santa Elena do Uairén, na Venezuela, próxima à fronteira com Roraima. Ele é o único da família de cinco irmãos a seguir a carreira do ensino. Sua inspiração veio dos professores e da televisão, que lhe mostravam a vastidão do mundo. Aproximadamente em 2015, a crise política e econômica na Venezuela, somada à doença renal crônica de sua mãe, motivou a família a se mudar para Boa Vista, no Brasil, buscando status de refugiado.
- Franco aprendeu o português para se comunicar com médicos durante o tratamento da mãe na Venezuela.
- Ele recebeu a 'Comenda Orgulho de Roraima' por um projeto que ensinou indígenas a conservar carne sem geladeira.
- Seu diploma foi revalidado pela Universidade Federal de Roraima com apoio do ACNUR.
- Franco foi aprovado no doutorado em História, focando na mitologia indígena que inspirou Mário de Andrade.
- Atualmente, ele participa do projeto 'Acolhe RS' para integrar alunos migrantes em Caxias do Sul.
Reconhecimento e revalidação do diploma
Franco se formou em Educação Intercultural Bilíngue na Venezuela. Ao chegar ao Brasil, trabalhou em uma escola particular em Boa Vista. Foi nesta etapa que desenvolveu um projeto com alunos sobre as propriedades do tucupi negro para conservação de alimentos, o que lhe rendeu a comenda da Assembleia Legislativa de Roraima. Com o apoio do ACNUR e da organização Compassiva, seu diploma foi revalidado pela UFRR, processo crucial para sua integração profissional.
Estudos avançados e naturalização
Após o falecimento da mãe, Franco mudou-se para Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em 2024, buscando um clima semelhante ao da Venezuela. Ele fez o mestrado na Universidade de Caxias do Sul com bolsa da Capes, defendendo uma dissertação bilingue (português e Taurepang) com nota máxima. Agora, é doutorando estudando o personagem Makunaimö, figura central na obra de Mário de Andrade, reconhecendo suas raízes ancestrais.
Educação inclusiva e projetos de acolhimento
Apurado em concurso público, Franco agora leciona na rede estadual. Ele integra o projeto 'Acolhe RS', do governo gaúcho, que busca reduzir barreiras para estudantes estrangeiros. Sua escola conta com 12% de alunos refugiados e migrantes, e o projeto promove alfabetização em português e atividades de integração cultural. O trabalho é apoiado por um guia conjunto do ACNUR e UNESCO para formação de professores no acolhimento.
Franco planeja concluir o doutorado e comprar sua primeira casa, consolidando sua vida no Brasil. Ele incentiva seus alunos a explorar o país e compartilha seu entusiasmo com a bicicleta e a descoberta de novos lugares. Sua trajetória simboliza a esperança e a capacidade de reinventar-se através da educação.

Arquivo pessoal




