O uso de medicamentos como Ozempic para emagrecer rápido pode causar flacidez e perda de volume no rosto, levando pessoas jovens a procurarem cirurgia plástica para corrigir o aspecto envelhecido.
O sucesso das canetas emagrecedoras trouxe um efeito colateral estético: a perda rápida de peso tem levado jovens aos consultórios de cirurgia em busca de lifting facial. O cirurgião plástico David Di Sessa explica como esse fenômeno ocorre e por que procedimentos simples, como lasers, muitas vezes não resolvem o problema da pele caída.
O especialista detalha que a popularização de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro acelerou a transformação do corpo, mas expôs uma nova dor: a flacidez facial. Esse fenômeno, popularmente conhecido como "rosto de Ozempic", chega aos consultórios com queixas de aparência cansada, mandíbula caída e falta de volume nos traços.
Pontos-chave para entender o impacto das canetas no rosto
- O emagrecimento rápido faz as "almofadas" de gordura do rosto (coxins) minguarem, deixando a pele sem sustentação.
- Pacientes na casa dos 30 anos, que antes não precisavam de cirurgia, agora buscam lifting para corrigir a queda tecidual.
- Procedimentos leves, como bioestimuladores e preenchedores, ajudam em casos leves, mas não substituem a cirurgia quando há queda real da pele.
- O colágeno natural já diminui aos 30 anos, o que torna a recuperação da elasticidade facial mais difícil após o emagrecimento acelerado.
- Médicos recomendam esperar o peso estabilizar antes de decidir por qualquer procedimento, pois nem toda flacidez exige cirurgia.
Por que o rosto fica mais "velho" com o emagrecimento
O impacto estético aparece principalmente nos coxins adiposos, que são estruturas de gordura que sustentam as bochechas, têmporas, mandíbula e a região abaixo dos olhos. A retração da pele não acompanha a mesma velocidade da perda de peso, o que favorece a formação de sulcos profundos, papada e flacidez precoce. O rosto tem compartimentos de gordura que funcionam como sustentação natural. Quando o paciente emagrece muito rápido, esses coxins adiposos diminuem e a pele perde apoio. O resultado pode ser uma face mais caída, com aspecto cansado, sulcos marcados e envelhecimento precoce, mesmo em pessoas mais jovens, explica David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Jovens na casa dos 30 anos procuram cirurgia
A procura por lifting facial deixou de estar restrita a pacientes mais maduros. A cirurgia, antes associada a pessoas acima dos 50 anos, aparece cada vez mais frequente em pacientes na casa dos 30 anos. O movimento acompanha a pressão estética das redes sociais, o emagrecimento medicamentoso e a busca por resultados mais naturais. Existe uma diferença importante entre emagrecer o corpo e preservar a harmonia do rosto. Aos 30 anos, o colágeno já começa a diminuir e a pele responde com menos elasticidade. Quando a perda de peso é muito rápida, a face pode envelhecer antes do tempo, porque volume, pele e sustentação deixam de acompanhar o mesmo processo, enfatiza o cirurgião plástico.
Quando a cirurgia é realmente necessária
Esse novo comportamento explica a presença crescente de pacientes jovens interessados em minilifting, lifting facial e técnicas que tratam planos profundos da face. O objetivo não é alterar traços, mas reposicionar tecidos, recuperar o contorno e corrigir o excesso de pele. Em muitos casos, procedimentos dermatológicos isolados não conseguem compensar a perda estrutural provocada pelo emagrecimento acelerado. Bioestimuladores, lasers e preenchedores ajudam em quadros leves, mas eles não substituem a cirurgia quando existe queda real dos tecidos. O lifting facial reposiciona estruturas profundas e trata a flacidez de maneira mais efetiva. A indicação depende de avaliação individual, estabilidade do peso, qualidade da pele e grau de perda dos coxins adiposos, completa o profissional.
Aviso médico: Nem todo rosto precisa de cirurgia
Para Di Sessa, esses casos ajudam a ampliar a conversa, mas não devem substituir a avaliação médica. Fotos, ângulos, maquiagem, idade, perda de peso e procedimentos anteriores podem mudar a percepção pública sobre um rosto. O ponto central é entender que nem todo paciente terá flacidez intensa, e nem toda flacidez precisa de lifting facial, alerta. O avanço das canetas emagrecedoras cria uma nova etapa na medicina estética. A perda de peso deixa de ser avaliada apenas pelo corpo e passa a incluir o impacto sobre a face, o pescoço e a identidade visual do paciente. O paciente precisa ser avaliado de forma individual. Algumas pessoas recuperam bem a pele depois do emagrecimento, outras apresentam sobra cutânea e queda importante. O mais seguro é esperar o peso estabilizar, estudar a anatomia da face e indicar o tratamento adequado, sem transformar o lifting facial em uma solução automática, conclui David Di Sessa.

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