Pesquisa aponta que 88% das famílias no Paraná estão endividadas. Economista explica como os erros de gestão do dinheiro em casa, como compras impulsivas e falta de reserva, se repetem no ambiente de trabalho, aumentando os custos e o risco de falência dos negócios.
A gestão desorganizada do dinheiro dentro de casa é um dos principais vilões para quem possui um negócio. Com 88% das famílias no Paraná endividadas, o Dia do Economista Doméstico, comemorado em 21 de outubro, traz um alerta urgente: os maus hábitos financeiros pessoais costumam migrar para a empresa.
O economista Noé Santiago, da empresa ANIDEA, afirma que é difícil separar a pessoa da empresa. Quem não sabe quanto custa manter o próprio lar provavelmente terá dificuldade em identificar o custo real do negócio. Embora a escala de valores mude, o comportamento de gasto e a falta de planejamento tendem a permanecer os mesmos.
- 88% das famílias no Paraná têm algum tipo de dívida.
- 18,5% dos consumidores paranaenses estão com contas atrasadas.
- As dívidas consomem, em média, 32,5% da renda mensal.
- 88,2% dos endividados utilizam o cartão de crédito.
- A taxa média do crédito livre para empresas chegou a 25,3% ao ano em abril de 2026.
O perigo das dívidas e do cartão de crédito
Antes de afetar o caixa da empresa, os sinais de descontrole aparecem em casa: compras sem planejamento, gastos pequenos ignorados e empréstimos tomados sem comparação. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Fecomércio PR, no Paraná, 88% das famílias tinham dívidas em agosto de 2025, e 18,5% estavam com contas atrasadas.
Estar endividado não é necessariamente ser inadimplente, pois financiamentos e parcelamentos também contam. O risco real surge quando as parcelas não cabem no orçamento ou quando o crédito vira um hábito para cobrir gastos recorrentes. No Paraná, as dívidas comprometem, em média, 32,5% da renda. Para 16,9% dos endividados, mais da metade da renda já está comprometida. O cartão de crédito está presente em 88,2% dos casos de endividamento, e 42,1% das famílias têm compromissos com prazo superior a um ano.
Inadimplência avança e afeta a saúde financeira
A inadimplência também cresceu. Em agosto de 2025, 12,4% dos consumidores estavam com atrasos. Um ano depois, esse índice subiu para 18,5%. Entre os inadimplentes, mais da metade acumulava débitos vencidos há mais de 90 dias.
Santiago explica que pequenos gastos têm um efeito silencioso: sozinhos parecem inofensivos, mas, repetidos, impedem a poupança e forçam o uso do crédito. Na empresa, esse efeito é amplificado por custos fixos como folha de pagamento, fornecedores, impostos, estoque e capital de giro.
Vender mais não resolve problemas de margem
No mundo empresarial, a atenção costuma ficar nas vendas. No entanto, faturar mais não resolve automaticamente problemas de margem, custos ou endividamento. Santiago compara a gestão financeira ao comércio: não basta saber vender, é preciso saber comprar.
A mesma lógica se aplica ao crédito. Antes de contratar, o empreendedor deve entender o valor necessário, a finalidade, o prazo de retorno e o custo total. Crédito não deveria ser contratado apenas porque foi aprovado ou porque o dinheiro sai rápido. É preciso saber para que será usado, quanto a empresa consegue pagar e se o retorno justifica a dívida. Pedir emprestado exige planejamento, observa o economista.
Crédito restritivo exige comparação cuidadosa
O risco aumenta quando o empresário procura banco só quando o caixa já está crítico. Com pouco tempo para negociar, ele aceita a primeira proposta sem comparar taxas, prazos e garantias.
O Banco Central apontou que as condições de crédito se tornaram mais restritivas em 2026, devido ao aumento da inadimplência e à menor tolerância a riscos. Em abril, a taxa média do crédito livre para empresas atingiu 25,3% ao ano. Santiago reforça: Assim como uma família pesquisa antes de comprar, a empresa deve comparar antes de contratar crédito. A solução mais fácil nem sempre é a melhor, e uma taxa baixa pode esconder prazos curtos ou parcelas altas incompatíveis com o fluxo de caixa.
Disciplina começa em casa e chega ao negócio
A profissão de economista doméstico foi regulamentada em 1985 e foca no planejamento das necessidades básicas. Quatro décadas depois, princípios como consumo consciente e organização do orçamento continuam atuais. Entre os cuidados que passam da casa para o negócio estão: separar despesas essenciais das adiáveis, registrar entradas e saídas, evitar comprometer toda a renda futura, criar reserva e comparar alternativas.
Economizar não é escolher sempre o mais barato. É saber comprar, entender o impacto no orçamento e preservar capacidade financeira. Essa disciplina começa na conta de energia, mas aparece na negociação com fornecedores e na formação de preços, diz Santiago.
Transparência e uso adequado do crédito
A ANIDEA, fundada em Curitiba em 2024, atua como correspondente bancário e trabalha com crédito com garantia de imóvel (home equity). Nessa modalidade, o imóvel é a garantia, o que pode gerar prazos mais longos, mas o patrimônio fica vinculado ao contrato e pode ser perdido em caso de inadimplência. Por isso, a contratação exige análise rigorosa de renda, finalidade e capacidade de pagamento.
Não existe crédito bom ou ruim fora do contexto. Existe crédito adequado ou inadequado. Usar imóvel como garantia é uma decisão relevante que precisa de planejamento, comparação e capacidade real de pagamento, ressalta Santiago. A empresa está entre as indicadas ao Prêmio Reclame AQUI 2026 na categoria Empréstimos e Consignados. Para Santiago, a transparência é fundamental: o cliente precisa compreender riscos e alternativas para tomar uma decisão consciente.
No Dia do Economista Doméstico, a lição é clara: cuidar do dinheiro não significa apenas gastar menos, mas escolher melhor, inclusive quando é preciso pedir emprestado.

Economista Noé Santiago da ANIDEA




