A fotógrafa brasileira Fabi Fregonesi, premiada internacionalmente, revela os bastidores do Dia Nacional do Mar: como a água muda a luz, o peso do equipamento, a paciência extrema para esperar os animais e a ética de nunca perturbar a natureza.
O Dia Nacional do Mar, comemorado em 12 de outubro no Brasil, chama a atenção para um ambiente que cobre mais de 70% da superfície do planeta, mas que continua um mistério para muitas pessoas. A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a fotografia é uma ferramenta poderosa para aproximar as pessoas do oceano e destacar os desafios da conservação. É nesse contexto que a fotografia subaquática ganha destaque, trazendo à tona locais e animais que a maioria nunca imaginou conhecer.
Fabi Fregonesi, fotógrafa brasileira reconhecida mundialmente, vê esse trabalho como uma forma de conscientizar a sociedade. Vejo esse trabalho como um meio de fazer mais pessoas se conscientizarem sobre o mar e tudo que é necessário para a conservação da vida marinha. Acredito que as imagens registradas permitem essa conexão com o oceano, afirma Fabi, que foi a primeira brasileira a subir ao pódio do Underwater Photographer of the Year, o principal prêmio da categoria no mundo.
- Barreira da Luz: A água altera a forma como a luz se comporta, reduzindo o contraste, a intensidade das cores e a nitidez da imagem.
- Promoção Histórica: Fabi Fregonesi é a primeira brasileira a chegar à final do Nikon Comedy Wildlife Awards desde 2019.
- Prêmios Mundiais: Ela conquistou mais de 30 prêmios internacionais em apenas dois anos de carreira dedicada à área.
- Ethics First: A regra de ouro é nunca perturbar os animais; se o bicho mostrar estresse, o fotógrafo deve se afastar.
- Espera Paciente: Muitas vezes são horas de observação para capturar apenas segundos de comportamento autêntico.
O desafio técnico de fotografar na água
O resultado final de uma foto subaquática pode parecer simples, mas a criação envolve desafios técnicos muito diferentes daqueles encontrados em terra firme. A água muda a física da luz: ela reduz o contraste, diminui a força das cores e tira a nitidez da cena. Conforme a profundidade aumenta, certas tonalidades somem aos poucos. Isso exige que o fotógrafo use estratégias específicas para recuperar os detalhes e a fidelidade da imagem.
As pessoas vêem apenas o resultado, mas existe muito planejamento por trás de cada fotografia. A escolha da lente, a posição em relação ao animal, a leitura da luz e até a forma como nos movimentamos na água influenciam diretamente a qualidade da imagem, explica Fabi.
Equipamentos pesados e técnicas de aproximação
Uma característica marcante da modalidade é a necessidade de estar muito perto do assunto fotografado. Diferente de terra, onde lentes longas são comuns, na água é mais eficiente aproximar-se. Isso acontece porque a água funciona como uma barreira visual: partículas suspensas interferem na passagem da luz e pioram a definição da cena.
A escolha dos equipamentos varia conforme o objetivo. Câmeras profissionais ficam dentro de caixas estanques, que protegem todo o equipamento da água. Dependendo do que se quer fotografar, usa-se lentes grande-angulares para paisagens e animais grandes, lentes macro para organismos minúsculos, e flashes para devolver as cores perdidas na profundidade. O equipamento é importante, mas ele não faz a fotografia sozinho. Conhecer as condições do ambiente, entender como a luz está se comportando e saber exatamente quando fotografar são fatores que fazem uma diferença enorme, explica a fotógrafa.
Respeito à vida marinha e paciência
Outro ponto crucial é a relação com os animais. Profissionais sérios seguem protocolos rigorosos que priorizam o bem-estar das espécies. Em vez de perseguir, o fotógrafo observa os movimentos, entende os padrões de comportamento e espera uma oportunidade natural de aproximação. A aproximação nunca pode ser mais importante do que o animal. O objetivo é registrar um comportamento autêntico sem causar qualquer tipo de perturbação. Quando percebemos sinais de desconforto ou estresse, o correto é aumentar a distância e respeitar o espaço, destaca Fabi.
O tempo também é um fator limitante. Em mergulhos comuns, a janela de trabalho dura entre 45 e 60 minutos, já contando a descida e o retorno. Em expedições profissionais, a logística é ainda mais complexa. Essa mistura de técnica, domínio do mergulho e respeito à natureza explica por que duas pessoas podem estar na mesma cena e tirar fotos totalmente diferentes. Muitas vezes, a fotografia subaquática depende de longas horas de espera para capturar apenas alguns segundos decisivos. O mar é um ambiente extremamente dinâmico. Muitas vezes você passa boa parte do mergulho observando e esperando até que todos os elementos se alinhem. É aí que a imagem se torna também uma história a ser contada, conclui Fabi.



