O relatório Education at a Glance 2026 mostra que o Brasil gasta pouco por aluno e tem poucos professores qualificados, enquanto a carreira não atrai jovens. O governo criou o Pé-de-Meia para incentivar a formação, mas ainda há desafios como baixos salários e sobrecarga.
A qualidade da educação depende de escolhas feitas no dia a dia das escolas, como a quantidade de recursos, a formação dos professores e as condições de trabalho. O relatório Education at a Glance 2026, lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que o Brasil precisa enfrentar uma pergunta importante: como ter uma educação melhor se a carreira de professor está cada vez menos atraente
Um dado do relatório ajuda a entender por que poucas pessoas querem ser professor. Em 2023, o governo brasileiro gastou em média US$ 4.133 por estudante, do ensino básico ao superior. Nos países da OCDE, essa média foi de US$ 13.601. Porém, o gasto público total representou 4,5% do PIB do Brasil, acima da média de 4% da OCDE.
- O Brasil investe menos de um terço da média da OCDE por aluno.
- Apenas 16,2% dos novos alunos de graduação escolhem os cursos de licenciatura.
- 9% dos professores da rede pública não têm qualificação mínima exigida.
- Só 22% dos professores estão satisfeitos com o salário.
- O programa Pé-de-Meia oferece R$ 700 por mês para estudantes de licenciatura.
Como o Brasil gasta com educação
Esses números precisam ser analisados juntos. O percentual do PIB, sozinho, não mostra quanto realmente é gasto com cada aluno. Também não adianta ter mais dinheiro se ele não for bem aplicado. O desafio do Brasil é aumentar o financiamento e garantir que os recursos melhorem o aprendizado, as instalações das escolas e as condições dos professores.
A formação dos professores é outro ponto importante. Segundo o Education at a Glance, em 2024/2025, 9% dos professores das escolas públicas de ensino fundamental e médio no Brasil não tinham a qualificação exigida por lei. Isso coloca em debate o papel das universidades e dos cursos de licenciatura.
Programas para atrair professores
Segundo o Censo da Educação Superior do Inep/MEC, em 2024, os cursos de licenciatura receberam 16,2% dos novos estudantes, a menor proporção entre os três tipos de curso (bacharelado, licenciatura e tecnológico). Além disso, o número de alunos iniciantes nesses cursos caiu 2,8% em relação a 2023.
Para atrair mais estudantes para essas carreiras, são necessárias políticas que tornem a formação acessível e a profissão atraente. O programa Mais Professores para o Brasil, lançado em janeiro de 2025, tem ações para atrair, formar e valorizar os docentes. Uma delas é o Pé-de-Meia Licenciaturas, que dá apoio financeiro a estudantes de licenciatura presencial. O benefício é de R$ 700 por mês para gastar e mais R$ 350 depositados em uma poupança, que só pode ser retirada após a conclusão do curso e o ingresso na rede pública de ensino.
Essa iniciativa é boa porque ajuda a resolver um problema real: a falta de dinheiro para sustentar a faculdade. O incentivo pode abrir as portas para muitos estudantes, mas é preciso pensar no que acontece depois. Uma política de atração perde força se a profissão oferece salário baixo, excesso de trabalho e dificuldades para dar aulas.
Desafios da profissão docente
A pesquisa Talis 2024, também da OCDE, mostra como os professores estão insatisfeitos. Entre os professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental, apenas 22% disseram estar satisfeitos com o salário. Manter a disciplina em sala é fonte de estresse para 64% deles, e 60% reclamam da quantidade de provas e trabalhos para corrigir.
Além disso, turmas muito cheias tornam o trabalho do professor mais difícil. Acompanhar as dificuldades de cada aluno, preparar atividades e dar retorno leva tempo. Planejar aulas, corrigir provas e estudar também fazem parte do serviço docente, e isso precisa ser considerado na jornada e no salário. Portanto, a falta de professores e a formação de novos profissionais devem ser analisadas levando em conta todos esses fatores que afastam as pessoas da profissão.
Assim como os problemas são muitos, a solução exige esforço de todos. As universidades devem oferecer uma formação sólida, ligada à prática nas escolas, com estágios supervisionados e proximidade com as redes de ensino. Os gestores públicos precisam unir os incentivos de entrada com políticas de carreira, formação contínua e boas condições de trabalho. Essas responsabilidades têm que caminhar juntas: formar bem um professor e dar a ele condições para se desenvolver são compromissos que não podem ser separados.
O Brasil precisa fazer com que escolher ser professor seja um futuro real de vida. Isso depende de um compromisso duradouro com financiamento, formação e valorização da carreira docente. Para que mais jovens queiram ensinar, é necessário que, além do desejo de ajudar a transformar outras pessoas, eles encontrem na profissão a chance de ter uma vida digna para si e suas famílias.

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