08 de outubro de 2026

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OMS cria guia para tratar obesidade em crianças e adolescentes

Geral Obesidade 08/10/2026 07:04 Agência Brasil - Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

A Organização Mundial da Saúde divulgou novas orientações para combater a obesidade infantil, que quadruplicou desde 1990. O documento prioriza mudanças na alimentação e exercícios, rejeitando remagros cirúrgicos para menores de 10 anos, e alerta para os impactos na saúde mental.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quarta-feira (7) o primeiro guia voltado especificamente para o enfrentamento da obesidade em crianças e adolescentes. De acordo com a entidade, a prevalência da doença nesse grupo etário quadruplicou desde 1990, subindo de 2% para 8%.

Dados da agência das Nações Unidas especializada em saúde revelam que, em 2024, 170 milhões de jovens entre 5 e 19 anos eram obesos. Desse total, 70 milhões tinham entre 5 e 9 anos, e 100 milhões possuíam entre 10 e 19 anos. Em nota, a OMS enfatiza que a obesidade é uma doença crônica e recorrente, cujas consequências podem se manifestar ainda na infância, elevando o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.

  • A obesidade infantil quadruplicou entre 1990 e 2024, atingindo 8% da população jovem.
  • Existem 170 milhões de crianças e adolescentes obesos no mundo hoje.
  • A OMS não recomenda cirurgia bariátrica ou remédios para menores de 10 anos.
  • Saúde mental, como ansiedade e baixa autoestima, deve ser tratada junto com o peso.
  • Políticas públicas são necessárias para tornar comida saudável mais acessível.

O que a OMS recomenda para o tratamento

Para crianças e adolescentes com obesidade, a entidade recomenda intervenções estruturadas que envolvam alimentação, atividade física e mudanças de comportamento. Essas ações podem ser realizadas de forma individual ou como parte de um programa multimodal. A OMS destaca que intervenções de saúde digital são recomendadas condicionalmente, desde que haja supervisão dos pais ou cuidadores.

A organização não recomenda tratamento farmacológico, cirurgia bariátrica (que altera o tamanho do estômago e o trato digestivo) ou dispositivos para perda de peso para crianças de até 9 anos. No caso de adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, o uso de medicamentos aprovados, como as chamadas canetas emagrecedoras, pode ser considerado apenas quando um programa multimodal de mudanças no estilo de vida, com supervisão profissional, não tiver alcançado os resultados esperados. A cirurgia bariátrica, por sua vez, pode ser considerada sob condições rigorosas apenas para adolescentes com obesidade grave.

A importância da saúde mental no processo

Embora não seja o foco principal das diretrizes, as recomendações da OMS enfatizam a importância de abordar a saúde mental em conjunto com a obesidade. A organização alerta que ansiedade, depressão, baixa autoestima e desregulação emocional podem contribuir para hábitos alimentares pouco saudáveis, sedentarismo e isolamento social. Profissionais de saúde devem abordar tanto a obesidade quanto as questões de saúde mental de forma precoce e conjunta, utilizando estratégias inclusivas, adequadas ao estágio de desenvolvimento e que envolvam a família.

Papel das políticas públicas na prevenção

Por fim, a organização destacou que o tratamento individual, por si só, não consegue reverter o aumento da obesidade. A OMS defendeu a criação de políticas e medidas que tornem a alimentação saudável e a atividade física mais acessíveis e financeiramente viáveis. Além disso, a entidade aponta a necessidade de ações nas áreas de educação, planejamento urbano, transporte e proteção social para combater a epidemia de obesidade de forma efetiva.