07 de outubro de 2026

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Cosan reduz dívida, mas dividendo das filiais não cobre juros

Geral 07/10/2026 07:43 Daniel Azevedo Duarte | AgFeed agfeed.com.br

A Cosan cortou R$ 9,2 bilhões da dívida, mas os lucros das empresas do grupo cobrem apenas 20% dos juros pagos, o que ameaça a recuperação financeira.

A Cosan, holding brasileira de agro, energia e logística, acelerou o processo de redução de suas dívidas. A empresa vendeu ativos estratégicos, antecipou pagamentos e levantou R$ 10,5 bilhões com novos e antigos acionistas. Apesar dos esforços, um indicador crucial divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revela um desafio persistente na recuperação financeira do grupo.

O problema central é que os dividendos, ou seja, os lucros recebidos das empresas em que a Cosan é investidora, não estão acompanhando o custo do dinheiro. Um indicador divulgado pela própria holding na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda expõe um dos principais desafios de sua recuperação financeira.

Os pontos principais da situação financeira da Cosan

  • O Índice de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD) caiu drasticamente de 1,2 vez no início de 2025 para apenas 0,2 vez no segundo trimestre de 2026.
  • Isso significa que os dividendos recebidos nos últimos 12 meses cobriram apenas 20% dos juros líquidos pagos no período.
  • A empresa eliminou cerca de R$ 9,2 bilhões da dívida bruta em seis meses, reduzindo-a de R$ 25,7 bilhões para R$ 16,5 bilhões.
  • Os recursos vindos da venda de participações na Vale e na Compass, além de imóveis da Radar, foram usados para amortizar as obrigações.
  • A empresa projeta melhorar o indicador para entre 0,8 e 1,2 vezes até o fim de 2026, apoiada em novos dividendos.

Na prática, a queda do ICSD para 0,2 vez indica uma desproporção alarmante: o dinheiro que entra das investidas não paga nem a metade do que sai em juros. Mais do que o patamar atual, chama a atenção a trajetória de deterioração contínua do indicador. O ICSD ficou estável em 1,2 vez nos dois primeiros trimestres de 2025, mas começou a cair para 1 vez no terceiro trimestre e 0,9 vez no quarto. Em 2026, o cenário piorou, recuando para 0,4 vez no primeiro trimestre e chegando ao fundo do poço de 0,2 vez no segundo trimestre.

O impacto dos juros altos na estrutura da holding

Uma fonte do mercado comentou que essa situação não é uma emergência de curtíssimo prazo, mas é um sinal claro de que a holding precisa ajustar sua estrutura de capital, especialmente em períodos de juro elevado. A crítica sobre os juros altos é uníssona no mercado financeiro e é uma espécie de mantra do próprio Rubens Ometto, principal acionista da Cosan, que há anos aponta esse problema.

Ometto tem repetido publicamente que os juros que a empresa paga para manter suas posições são maiores do que os dividendos que recebe. Essa trajetória de piora ajuda a explicar por que a Cosan definiu o