06 de outubro de 2026

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Distraindo-se não significa ter TDAH: entenda os limites dos testes neuropsicológicos

Geral Neuropsicologia 06/10/2026 14:58 Luanda Rosa | Tinteiro Assessoria de Imprensa

No Dia da Neuropsicologia, a especialista Luanda Rosa explica que um único teste não define diagnósticos de TDAH ou autismo. A avaliação deve considerar a história de vida, rotina e saúde do paciente, desmistificando a ideia de que distração é sinônimo de transtorno.

Uma pessoa começa a esquecer compromissos e passa a duvidar da própria memória. Outra não consegue terminar tarefas e se pergunta se está desenvolvendo Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Embora essas queixas possam ser o início de uma investigação médica, sozinhas não confirmam nenhum diagnóstico. É fundamental entender como esses sintomas surgiram, há quanto tempo existem e como afetam a rotina do dia a dia para que o neuropsicólogo possa realizar seu trabalho.

O Dia da Neuropsicologia, celebrado em 6 de outubro, traz para a conversa uma dúvida comum: o que exatamente uma avaliação pode revelar sobre dificuldades de atenção, memória, aprendizado e organização A resposta vai muito além de apenas pontuar um resultado em testes padronizados.

  • Um teste isolado não é suficiente para fechar um diagnóstico de TDAH, autismo ou depressão.
  • A avaliação neuropsicológica considera a história de vida, rotina e contexto emocional do paciente.
  • Queixas de memória podem estar ligadas a sono ruim, ansiedade ou estresse, e não apenas a transtornos.
  • Neuropsicólogo (psicólogo) e Neurologista (médico) têm funções distintas, mas complementares.
  • O objetivo final não é apenas rotular, mas oferecer estratégias práticas para a vida cotidiana.

O papel do processo na avaliação

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa, um resultado preciso só faz sentido quando interpretado junto com informações sobre o desenvolvimento, a saúde, as emoções e as condições de vida da pessoa. A expectativa de obter uma resposta definitiva em um único instrumento pode deixar de fora aspectos importantes que explicam a dificuldade.

Teste é uma ferramenta; avaliação é um processo. Um resultado isolado não fecha diagnóstico de TDAH, autismo, depressão, ansiedade ou qualquer outra condição. É preciso entender a história da pessoa, seu desenvolvimento, sua rotina, suas condições de saúde, os medicamentos em uso e o contexto em que aquela dificuldade aparece, afirma a especialista.

Queixas semelhantes, explicações diferentes

Esquecer uma conversa, perder objetos ou ter dificuldade para acompanhar uma leitura são situações comuns que precisam ser contextualizadas. Na investigação, é importante saber se a dificuldade é recente ou antiga, se ocorre em diferentes ambientes (casa, trabalho, escola) e quanto ela interfere no cotidiano.

Uma queixa de memória, por exemplo, pode na verdade envolver dificuldade para prestar atenção e registrar a informação. Fatores como sono inadequado, ansiedade, depressão, estresse, uso de certos medicamentos e condições neurológicas também fazem parte dessa equação. Isso não significa que o esquecimento deva ser ignorado, nem que toda distração indique um transtorno. O objetivo é compreender o relato antes de considerá-lo a causa única.

Duas pessoas podem relatar o mesmo sintoma e precisar de caminhos completamente diferentes. O papel da avaliação é ajudar a entender onde a dificuldade aparece, o que a mantém e quais recursos a pessoa preserva. O objetivo não é apenas encontrar um rótulo, diz Luanda.

O que acontece durante a avaliação

A Neuropsicologia investiga as relações entre o funcionamento do sistema nervoso, a cognição, as emoções e o comportamento. Dependendo da queixa principal, a avaliação pode examinar atenção, memória, linguagem, aprendizagem, raciocínio e velocidade de processamento mental.

Também é comum investigar funções executivas, que são habilidades relacionadas ao planejamento, organização, controle de impulsos, flexibilidade mental e resolução de problemas. O processo reúne entrevistas, histórico clínico e de desenvolvimento, observação e instrumentos padronizados. Quando pertinente, informações de familiares, da escola e de outros profissionais ajudam a compreender como as dificuldades aparecem fora do consultório.

Os testes integram essa investigação, mas seus resultados não devem ser lidos como respostas independentes. Uma avaliação precisa ser comprovada junto com muitos dados, e não usada, sozinha, para confirmar ou descartar uma condição clínica.

Neuropsicólogo ou Neurologista Quem atender

Apesar dos nomes semelhantes, os profissionais têm formação e atribuições diferentes. O neurologista é médico e investiga doenças do sistema nervoso. Ele pode solicitar exames médicos, como ressonância magnética ou EEG, e prescrever medicamentos quando houver indicação clínica.

O neuropsicólogo tem formação em Psicologia e atuação especializada na relação entre cognição, emoções e comportamento. A avaliação busca caracterizar dificuldades e habilidades preservadas, além de compreender seus efeitos sobre estudo, trabalho, autonomia e relações interpessoais.

As atuações podem ser complementares. Uma mudança importante de memória, por exemplo, pode exigir investigação médica (neurologista) e avaliação neuropsicológica. Dependendo do caso, psiquiatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais também participam do cuidado integrado.

A investigação em diferentes idades

Na infância e na adolescência, dificuldades de aprendizagem, atenção, comportamento e desenvolvimento podem motivar a avaliação. Informações sobre a trajetória da criança e o ambiente escolar ajudam a contextualizar o que foi apresentado nos testes.

Entre adultos, queixas de desorganização, dificuldades para concluir tarefas, atenção instável e falhas de memória também podem levar à investigação. Na avaliação de condições como TDAH e autismo, a história de desenvolvimento integra a análise; as dificuldades atuais não devem ser consideradas isoladamente, sem olhar o passado.

No envelhecimento, a avaliação pode contribuir para caracterizar mudanças cognitivas. Em conjunto com a investigação médica e outros dados clínicos, ajuda a diferenciar alterações esperadas da idade de condições de demência ou outros processos específicos.

O que vem depois do laudo

Os resultados podem orientar acompanhamento médico, psicoterapia, estratégias de estudo e trabalho, adaptações na rotina e intervenções de reabilitação. O propósito não se limita a nomear uma condição: inclui identificar necessidades e recursos que podem ajudar uma pessoa no cotidiano.

Um diagnóstico, quando existe, explica parte de uma história, mas não deveria ser o ponto final dela. O mais importante é transformar a compreensão sobre como aquela pessoa funciona em orientações que fazem sentido para sua vida, afirma Luanda.

Mais do que responder se alguém tem ou não um transtorno específico, a investigação busca esclarecer o que está acontecendo e quais cuidados fazem sentido para aquele caso. Um teste pode contribuir para essa resposta, mas não substitui a compreensão da pessoa que o fez.