06 de outubro de 2026

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Classe média pode desaparecer: livro analisa mudanças sociais e econômicas no Brasil

Geral ClasseMédia 06/10/2026 14:57 Kotter Editorial

O advogado e professor Gilberto Kieling lança o livro 'O labirinto da classe média', que investiga como a tecnologia, o consumo e a instabilidade econômica estão transformando o grupo social que divide ricos e pobres no país.

O advogado civilista e professor Gilberto Kieling é indicado para analisar as tendências de voto da classe média brasileira no segundo turno das eleições. Com base em grandes nomes da sociologia, ele explica como a atuação deste grupo é fundamental para reverter o recorde de abstenção do primeiro turno, que somou mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.

A obra explora perguntas centrais sobre a identidade desse grupo social. Qual o sentido da vida para quem é classe média Que opiniões ela defende Como seus integrantes tentam manter a própria relevância em um contexto marcado por preconceitos Em que medida suas visões ideológicas retratam a instabilidade do Brasil contemporâneo De que maneira seus padrões de consumo refletem a tentativa de distanciamento da pobreza e de aproximação da elite

  • O livro investiga como a tecnologia e a inteligência artificial estão substituindo empregos que antes dependiam do esforço intelectual da classe média.
  • A obra usa pensadores como Max Weber e Jessé Souza para explicar a origem e as contradições deste grupo social no Brasil.
  • Kieling argumenta que a classe média não é apenas consumista, mas que ela também define o rumo do país, embora seus membros muitas vezes não tenham consciência disso.
  • A escrita busca fugir da linguagem acadêmica densa, utilizando um tom crítico e irônico para engajar o público geral.
  • O autor destaca que o futuro do grupo depende de sua aceitação em produzir riqueza, em vez de lutar apenas por status junto aos ricos.

As perguntas centrais do livro

Essas são algumas das perguntas exploradas pelo advogado civilista e professor Gilberto Kieling no livro "O labirinto da classe média". Com uma perspectiva baseada em nomes como Max Weber, Erich Fromm, Leandro Konder, Florestan Fernandes e Jessé Souza, a obra revela a origem, a definição, as contradições e os erros desse grupo. A análise pondera sobre o papel da classe média nas decisões políticas e sociais do país.

Autoanálise do autor

O autor se propõe a um desafio desde a primeira página: compreender a si mesmo e apresentar esse olhar aos outros. Para Kieling, salvo raras exceções, todo escritor é de classe média. Ele define o grupo de forma simples: se a pessoa não é detentora dos meios de produção e adquire uma certa qualidade de vida somente com o esforço do trabalho, então ela faz parte desse extrato intermediário que divide os ricos e os pobres.

Tecnologia e impacto no emprego

Além de explicar como a formação desse grupo socioeconômico está ligada à revolução industrial dos dois últimos séculos, a obra destrincha como ele se estabelece no Brasil e continua a influenciar desde o consumo até a política. Entretanto, o ensaio mantém sempre a atenção para uma realidade: a de que a classe média sofrerá transformações irreversíveis diante das tecnologias emergentes.

"Esta realidade lentamente está se alterando. Em primeiro lugar pelas inovações tecnológicas do mundo digital, que estão substituindo seres humanos por máquinas e robôs. Por mais otimistas que sejamos, é impossível ignorar que uma linha robotizada numa montadora de automóveis, por exemplo, substituiu centenas de trabalhadores. As máquinas são baratas, não reclamam da jornada de trabalho, não tiram férias e não adoecem. E atualmente, com o crescimento da inteligência artificial, avançam sobre os empregos dos escritórios e das funções que exigiam esforço intelectual. Não são apenas os trabalhadores da força bruta que estão sofrendo os impactos." (Trecho do livro, p. 64)

O futuro em aberto

De acordo com o autor, a precarização do trabalho, as promessas não cumpridas do liberalismo e a instabilidade econômica revelam uma verdade desconfortável. A população que ganha salário com atividades intelectuais em escritórios climatizados não é tão diferente de quem está no chão da fábrica manuseando ferramentas. Mas o futuro da classe média está em aberto, segundo o professor. Se ela vai aceitar seu espaço ao lado daqueles que produzem a riqueza ou continuar lutando para se inserir entre os detentores do dinheiro, apenas o tempo poderá revelar.

Abordagem acessível e crítica

Para atravessar temas densos e ainda assim alcançar o público citado no próprio título, a publicação se desvincula da linguagem acadêmica tradicional. Com um tom crítico e por vezes irônico, a exemplo dos nomes dos capítulos "À direita, por favor!, Meu amado shopping center e Minha casa, meu castelo, o escritor provoca os leitores a entenderem seu lugar no desenvolvimento do país e na democracia.

"A obra lança questionamentos inadiáveis acerca do futuro da classe média e dos atuais riscos à sua permanência, bem como sua importância para a sociedade brasileira. A classe média costuma ser abordada apenas sob os ângulos do reacionarismo e da adesão quase doentia ao consumismo. Mas ignora-se o fato de que ela também define o país, muito embora seus integrantes não tenham consciência de classe, defende Gilberto Kieling.

Ficha técnica

Título: O labirinto da classe média
Autor: Gilberto Kieling
Editora: Kotter Editorial
ISBN: 978-65-5361-549-6
Páginas: 184
Preço: R$ 69,70 (físico)
Onde comprar: Kotter Editorial

Sobre o autor: Nascido no Rio Grande do Sul, Gilberto Kieling é advogado civilista, escritor e professor de literatura brasileira e latino-americana. Tem uma extensa trajetória na ficção, com diversas obras publicadas, como O fundo invisível do olho, A trajetória do dia, A varanda, Histórias nada singulares e Nem toda luz é manhã. O labirinto da classe média é sua estreia como ensaísta e propõe uma reflexão sobre o contexto socioeconômico do Brasil contemporâneo.