Após o primeiro turno das Eleições 2026, toneladas de materiais de campanha, como adesivos e banners, geram um desafio para a limpeza urbana. O texto explica que, além da reciclagem convencional, o coprocessamento permite usar resíduos não recicláveis na produção de cimento, substituindo combustíveis fósseis. Iniciativas como o projeto Eleições Sustentáveis e normas do TRE-PR visam garantir a destinação correta desses materiais por partidos e candidatos.
Milhões de brasileiros votaram no primeiro turno das Eleições 2026. Com o fim da campanha, surge o desafio de lidar com o grande volume de resíduos deixados nas ruas, como santinhos, cartazes e banners. Embora a reciclagem seja comum, misturas de materiais e adesivos dificultam o reaproveitamento convencional. Nesse cenário, o coprocessamento se destaca como uma solução de economia circular para dar destino sustentável a esses rejeitos.
Em São Paulo, foi lançado o projeto Eleições Sustentáveis, que incentiva os partidos a entregarem os sobras para cooperativas de catadores. No Paraná, o TRE-PR reforçou que cada material exige um tratamento específico: impressos limpos vão para reciclagem, lonas podem ser reutilizadas e plásticos industriais devem ser tratados em unidades especializadas. A resolução local dá 30 dias após a eleição para que a propaganda seja removida.
- São Paulo recolheu 142 toneladas de lixo eleitoral no 1º turno de 2024, aumento de 150% em relação a 2022.
- O TRE-PR exige a separação dos materiais: papel vai para reciclagem, plástico para tratamento industrial.
- Partidos e candidatos têm 30 dias após a eleição para removerem a propaganda das ruas.
- O coprocessamento usa resíduos não recicláveis para fabricar cimento, substituindo combustíveis fósseis.
- A Verdera, unidade da Votorantim Cimentos, atua no Brasil desde 1991 com essa tecnologia.
A destinação correta do lixo eleitoral
O que pode ser reutilizado ou reciclado deve seguir esses caminhos tradicionais. Para os materiais que não têm viabilidade de reciclagem, como peças mistas ou com laminação, o coprocessamento é a alternativa. A tecnologia permite que esses resíduos sejam utilizados na fabricação de cimento, onde substituem parte dos combustíveis e matérias-primas. Os componentes minerais passam a fazer parte do produto final, garantindo que o resíduo tenha uma nova aplicação produtiva.
Coprocessamento e economia circular
Flavia Ferreira Cavalcante, gerente de novos negócios da Verdera, explica a importância de conhecer as características de cada resíduo. “Quando uma campanha termina, os materiais utilizados não precisam necessariamente se transformar em descarte. O primeiro passo é conhecer e separar esses resíduos para encontrar a destinação mais adequada para cada um. A reciclagem é uma solução fundamental e, para os materiais que não encontram viabilidade nesse processo, o coprocessamento amplia as possibilidades de aproveitamento, permitindo que sejam utilizados em uma nova cadeia produtiva. Essa combinação de diferentes soluções é essencial para avançarmos em uma economia cada vez mais circular”, afirma a executiva.
Esse é um desafio que vai além do período eleitoral. Empresas e indústrias de diversos setores produzem diariamente resíduos que não podem ser reciclados convencionalmente. Dar a esses materiais uma nova aplicação em outros processos produtivos é uma das formas de ampliar a circularidade e aproveitar melhor os recursos já existentes, reduzindo a extração de novas matérias-primas e a emissão de poluentes.

Resíduos (IA)


