Com mais de 39 milhões de artigos no PubMed, médicos brasileiros debatem a dificuldade em filtrar e aplicar a enorme quantidade de informações científicas na prática clínica, destacando a importância da fisiologia para decisões mais precisas.
A medicina enfrenta um grande desafio: há muita informação. O PubMed, uma das maiores bases de dados de artigos médicos do mundo, registrou mais de 39 milhões de pesquisas. Somente no ano de 2025, foram adicionados 1,7 milhão de novos artigos. Isso significa que o maior problema para o médico moderno não é achar o dado, mas sim usar essa informação de forma prática e rápida no dia a dia.
Essa situação será debatida na 21ª Imersão em Fisiologia do Metabolismo Humano, que acontece nos dias 15, 16 e 17 de outubro, em Alphaville, na Grande São Paulo. O evento, liderado pelo Dr. Alexandre Duarte, oferece 36 horas de aulas presenciais focadas em como aplicar a fisiologia na prática clínica real.
- O PubMed ultrapassou a marca de 39 milhões de artigos, com 1,7 milhão de novos registros apenas em 2025.
- Um estudo recente aponta que 74% dos médicos usam ferramentas digitais, mas 38% citam a sobrecarga de conteúdo como barreira.
- O evento de São Paulo dura três dias (15 a 17 de outubro) e conta com mais de 1.200 médicos já formados em edições anteriores.
- A metodologia IN-MITO-GEN é usada para organizar o estudo do metabolismo e facilitar a análise de casos.
- Dr. Alexandre Duarte já formou mais de 3 mil médicos e atendeu cerca de 40 mil pacientes ao longo de sua carreira.
O peso das evidências na rotina do consultório
Diante desse volume crescente de artigos, exames e medicamentos, saber encontrar o conhecimento deixou de ser o único desafio. Interpretar essas informações em conjunto e transformá-las em uma decisão clínica passou a ser fundamental na formação do profissional. O tema central é como lidar com essa 'sobrecarga informativa'. O Dr. Alexandre Duarte, médico e professor, explica que acumular artigos não resolve sozinhos um caso clínico. É preciso organizar o conhecimento a partir da fisiologia para entender o que está acontecendo no organismo do paciente.
O médico precisa se atualizar, mas acumular artigos, exames e protocolos não resolve sozinho um caso clínico. O conhecimento precisa ser organizado a partir da fisiologia para entender o que está acontecendo naquele organismo e por que determinadas alterações aparecem juntas, afirma Duarte.
Estudos mostram a dificuldade em filtrar dados
Uma revisão publicada no BMJ Open em março de 2026 reforça essa complexidade. O trabalho analisou 25 estudos e ouviu 8.641 médicos especialistas. Os resultados mostram que 74% utilizam recursos digitais como o PubMed para responder a questões clínicas, enquanto 38% recorrem a diretrizes clínicas. No entanto, a sobrecarga de conteúdo e a dificuldade em selecionar a evidência mais adequada são apontadas como grandes barreiras na rotina de trabalho.
Para o professor, isso não significa que o raciocínio clínico e a medicina baseada em evidências sejam opostos. Diretrizes e protocolos são referências importantes, mas precisam ser interpretados considerando a história, os sintomas e as características individuais de cada paciente. Protocolos funcionam como um guia, mas o paciente não chega dividido em caixas de protocolo; ele apresenta sinais que precisam ser conectados pelo raciocínio fisiológico.
Digitalização e a carga cognitiva do médico
A digitalização da saúde adicionou outra camada ao problema. Um estudo de 2025, com 564 médicos de 32 especialidades, avaliou como a organização dos dados nos prontuários eletrônicos afeta a mente dos profissionais. Os pesquisadores constataram que a sobrecarga de informação pesa na carga cognitiva e que é necessário separar os dados essenciais para o diagnóstico daqueles que são apenas secundários.
Na área metabólica, isso é especialmente complexo. Alterações no açúcar no sangue, metabolismo de energia, composição corporal, sono e hormônios podem existir ao mesmo tempo. Isso exige uma análise que não olhe para um exame isolado, mas sim para o conjunto. É esse processo de conexão que orienta a 21ª Imersão, propondo trabalhar a fisiologia aplicada ao atendimento e a leitura integrada de exames.
Como funciona a formação da Imersão
A formação é dividida em duas etapas. Primeiro, há o acesso a aulas digitais preparatórias com professores convidados. Depois, a segunda fase concentra as 36 horas de atividades presenciais em São Paulo, distribuídas das 9h às 21h nos dias 15, 16 e 17 de outubro. Mais de 1.200 médicos já participaram de edições passadas. Dr. Duarte, ao longo de sua carreira, já contribuiu para a formação de mais de 3 mil profissionais.
O evento utiliza a metodologia IN-MITO-GEN, desenvolvida por Duarte. Essa ferramenta ajuda o médico a acompanhar os mecanismos metabólicos e a criar relações entre os sintomas e os exames. A ideia é que o profissional entenda primeiro os processos do corpo para depois decidir a melhor conduta de tratamento.
Ter informação disponível é diferente de saber o que fazer com ela. Quanto mais conteúdo chega ao médico, maior precisa ser sua capacidade de filtrar, interpretar e relacionar os dados. A fisiologia oferece uma base para entender os mecanismos envolvidos e fazer com que a atualização científica realmente chegue à prática, conclui Dr. Duarte.
Informações do evento
Imersão em Fisiologia do Metabolismo Humano
Data: 15, 16 e 17 de outubro de 2026
Horário: Das 9h às 21h
Local: Espaço Altus Alameda Xingú, nº 350, sala 2603, Alphaville Industrial/SP
Informações e inscrições: Via site oficial da Imersão

Dr. Alexandre Duarte, referencial em fisiologia metabólica




