13 de outubro de 2026

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Telemedicina no Brasil: 4 em cada 10 pacientes têm dificuldade em identificar médicos e plataformas falsas

Geral Telemedicina 03/10/2026 09:08 Olá Doutor

Pesquisa do Olá Doutor revela que o avanço das consultas online trouxe segurança e praticidade, mas também criou medo de fraudes. Cerca de 40% dos brasileiros não sabem diferenciar uma plataforma legítima de uma falsa ou reconhecer médicos gerados por inteligência artificial, exigindo mais transparência do setor.

Profissionais criados com inteligência artificial, golpes em consultas e plataformas falsas são riscos que assustam os brasileiros no ambiente digital. Diante de tantos perigos online, será que a população está preparada para distinguir um médico real de um perfil falso ou para reconhecer uma plataforma de telemedicina confiável Segundo um estudo recente, que ouviu pessoas de diferentes regiões do país, a resposta é que não totalmente, pelo menos para cerca de 4 em cada 10 entrevistados.

Os dados são do Olá Doutor, uma plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos. Nas últimas semanas, a empresa ouviu centenas de pessoas para entender como a telemedicina tem sido usada no Brasil e quais são as principais dúvidas que ainda cercam o tema, especialmente em um momento de popularização de empresas e perfis enganosos na internet.

  • 4 em cada 10 brasileiros não sabem diferenciar uma plataforma falsa de uma verdadeira.
  • 46% dos entrevistados já realizaram consultas online, principalmente para avaliar sintomas e renovar receitas.
  • 37,8% das experiências com telemedicina foram positivas, com 25,4% se sentindo mais confortáveis do que esperavam.
  • 34,2% dos pacientes têm dificuldade em reconhecer médicos gerados por IA em vídeos.
  • Os principais critérios de confiança para os usuários são o site da plataforma, a reputação do serviço e o CNPJ da empresa.

"Com a popularização da inteligência artificial e o crescimento de conteúdos de saúde nas redes, é natural que o paciente tenha dúvidas sobre em quem confiar", comenta Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor. "Por isso, alguns cuidados simples fazem diferença: verificar se o profissional está devidamente registrado, buscar atendimento em plataformas confiáveis e desconfiar de quem não apresenta credenciais médicas. A tecnologia deve facilitar o acesso à saúde, não tornar mais difícil para o paciente saber quem está cuidando dele."

Telemedicina já faz parte da rotina dos brasileiros

Se, há alguns anos, o atendimento remoto era visto com certa desconfiança por certos pacientes, em 2026, a pesquisa do Olá Doutor reforça como as consultas online já figuram entre as opções consideradas na hora de resolver uma questão de saúde. Isso pode acontecer durante uma viagem, em meio à correria do dia a dia ou no ambiente de trabalho.

Ao longo do levantamento, por exemplo, 46% dos respondentes confirmaram já ter tido algum tipo de experiência com a modalidade. A procura geralmente é motivada pela avaliação rápida de sintomas (53,4%), consultas de rotina (50%), esclarecimento de dúvidas (47,6%) e, ainda, a prescrição ou renovação de medicamentos (33,6%).

A experiência, de modo geral, tem sido positiva. Enquanto 37,8% dos entrevistados mencionaram experiências positivas com consultas online, 25,4% foram além, destacando já ter se sentido mais confortáveis com o atendimento digital do que esperavam. O nível de satisfação também se reflete nas indicações: recomendar uma plataforma ou serviço de telemedicina a outras pessoas é uma experiência compartilhada por 19,2% das pessoas consideradas no estudo.

Dados, médicos e plataformas: onde estão as principais dúvidas

A popularização da telemedicina, no entanto, também traz novos desafios para quem busca atendimento de saúde pela internet. Isso porque, à medida que as consultas online passam a fazer parte da rotina, o paciente precisa não apenas encontrar um serviço que atenda às suas necessidades, mas entender como seus dados são tratados, reconhecer quem está do outro lado da tela e identificar se a plataforma utilizada é, de fato, confiável. São pontos em que, com o avanço dos golpes e fraudes online, permanecem grandes lacunas.

De um lado, estão as dúvidas relacionadas ao uso de dados. Segundo o estudo, 47% dos entrevistados ainda não sabem como seus dados são armazenados pelas plataformas, enquanto 47,6% afirmam se perguntar sobre quem, de fato, pode acessar essas informações.

De outro, estão as dúvidas sobre a autenticidade dos médicos e plataformas, cenário amplificado pelos "médicos fake" criados com inteligência artificial. Como alerta o Conselho Federal de Medicina (CFM), trata-se de perfis que, nos últimos anos, vêm ganhando espaço nas redes com conteúdos direcionados, principalmente, a pessoas idosas. Em geral, utilizam personagens de aparência e voz realistas para divulgar orientações sem comprovação científica, bem como livros digitais e outros produtos.

Nesse contexto, o estudo do Olá Doutor mostra que boa parte dos brasileiros ainda não se sente apta para identificar esse tipo de fraude. Já que 34,2% apontaram pouco preparo para reconhecer imagens de médicos geradas por IA em um vídeo ou consulta. O mesmo tipo de insegurança aparece quando o assunto são as próprias plataformas: 40,4% dos entrevistados têm dificuldade ou não saberiam reconhecer uma plataforma de telemedicina falsa, enquanto 37,8% afirmaram conseguir identificá-la apenas parcialmente.

Como se proteger e identificar serviços confiáveis

"As empresas de telemedicina têm um papel importante quando o assunto é garantir uma experiência segura e transparente, seja reforçando validações de identidade e credenciais médicas ou ofertando mais informações para que o paciente saiba quem está prestando o atendimento", comenta Anderson. "No Olá Doutor, buscamos reforçar esses cuidados para que a tecnologia facilite o acesso à saúde sem abrir espaço para inseguranças que poderiam ser evitadas", conclui ele.

Para quem ainda tem dificuldade em diferenciar uma plataforma legítima de uma falsa, os próprios entrevistados compartilham alguns caminhos que ajudam nessa identificação. Entre aqueles que afirmam conseguir reconhecer um serviço confiável, os principais pontos observados são o endereço e o site da plataforma (57,4%), a reputação do serviço (49,2%), o CNPJ e as informações da empresa responsável (47,8%) e comentários de outros usuários (45,6%).

Em um cenário de expansão da telemedicina, os dados reforçam o que, para muitos, não é novidade: informação e transparência fazem parte do cuidado e, em muitos casos, são decisivos para que o paciente volte a buscar atendimento online com confiança.

Metodologia

Para analisar a relação dos pacientes brasileiros com a telemedicina, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.

Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que abordaram a frequência com que recorrem a tais plataformas, as finalidades de uso mais comuns e as principais dificuldades de quem costuma se consultar pela internet. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais constam cada alternativa apontada pelos entrevistados.