Fisioterapeuta ensina 5 dicas simples para evitar dores no pescoço causadas pela má postura com o celular e ensina como se prevenir.
Quase a totalidade dos brasileiros que usam a internet acessa a rede pelo celular e passa, em média, até nove horas por dia navegando nas telas. É o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE.
Um resultado desse hábito é o surgimento de dores e tensões na coluna cervical, nos ombros e na parte superior das costas. Esse problema já afeta pelo menos 27 milhões de pessoas no país, de acordo com o Ministério da Saúde.
- Quase todos os brasileiros conectados usam o celular para navegar.
- A média de uso de tela chega a nove horas diárias.
- Dores no pescoço afam 27 milhões de brasileiros.
- O problema atinge muito jovens entre 18 e 29 anos.
- A falta de movimento durante o dia é a principal causa.
Sintomas e causas da dor
Entre os fatores que contribuem para esse quadro está a inclinação prolongada da cabeça para digitar ou navegar em smartphones, tablets e notebooks. A permanência excessiva em frente aos aparelhos tem impulsionado a chamada síndrome do corpo de celular ou pescoço de texto. Trata-se de uma lesão por esforço repetitivo cada vez mais comum em jovens de 18 a 29 anos.
O estopim para a fadiga e o desconforto reside na combinação entre o tempo prolongado diante dos monitores, a escassez de variação postural e a drástica redução da movimentação corporal ao longo da rotina diária, explica Jéssica Bianca de Souza, coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR) e mestre em Sociedade e Desenvolvimento.
Por que o pescoço fica sobrecarregado
Em posição neutra e ereta (alinhada aos ombros), a cabeça de um adulto pesa cerca de 5 a 6 quilos. No entanto, ao flexionar o pescoço em um ângulo de 45º a 60º para olhar o feed ou enviar mensagens pelo celular, a pressão exercida sobre a coluna cervical dispara para até 27 quilos.
Manter essa sobrecarga por horas gera estresse severo nos músculos, ligamentos e discos intervertebrais. Isso pode desencadear complicações graves, como deformidades ósseas, processos inflamatórios, estiramento muscular e agravamento de hérnias de disco.
Além do impacto nos adultos, em crianças e adolescentes o transtorno se estende ao estilo de vida sedentário. A troca de atividades físicas pelo tempo de tela prejudica a saúde cardiometabólica, a aptidão física e a qualidade do sono em fases de pleno desenvolvimento. Por isso, é fundamental incentivar brincadeiras, esportes e exercícios ao ar livre, estabelecendo limites para o uso recreativo dos aparelhos, destaca a coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado.
A ilusão da postura perfeita
Ao contrário do que o senso comum sugere, prevenir essas dores não exige manter o corpo em um ângulo reto de 90 graus por longos períodos.
Não devemos criar a ideia de que existe uma postura perfeita que precisa ser mantida o tempo todo. Nosso corpo foi feito para se movimentar. Mais importante do que tentar permanecer horas em uma posição considerada ideal é evitar ficar muito tempo sem mudar de atitude postural, ressalta a fisioterapeuta.
Dicas para ajustar a rotina
Segundo a especialista, a prevenção eficaz deve focar na ergonomia do ambiente, na variação constante de posição e no hábito de se mexer.
Para mitigar os impactos das telas no dia a dia, Jéssica Bianca de Souza, coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado, de Campo Mourão (PR), orienta cinco cuidados comportamentais e de adaptação do espaço de trabalho:
- Smartphones: Eleve ligeiramente o aparelho até a altura dos olhos para diminuir a inclinação da cabeça. Sempre que possível, segure com as duas mãos e use os dois polegares. Se estiver deitado, mantenha as costas apoiadas no colchão e traga o celular à linha do olhar.
- Computadores e monitores: Ajuste a tela para manter o pescoço em posição neutra. A cadeira deve oferecer apoio para a lombar e os pés devem ficar totalmente apoiados no chão ou em suporte.
- Ergonomia: Use suportes para notebooks e apoios que mantenham os braços relaxados e a coluna devidamente sustentada.
- Mobilidade no trabalho: Faça microinterrupções. Levante-se, caminhe brevemente e movimente ombros, coluna e pescoço para quebrar o ciclo de fadiga muscular.
- Rotina de exercícios: Mantenha uma prática regular de fortalecimento e mobilidade. De nada adianta alongar-se por alguns minutos se o restante do dia for marcado por seis horas de imobilidade.
Em casos de dores frequentes, rigidez articular, cefaleias tensionais, formigamento ou perda de força, é necessário buscar orientação médica ou fisioterapêutica imediatamente, sem ignorar os sinais do corpo, reforça Jéssica.
Benefícios da fisioterapia
Para quem busca preservar o bem-estar, a fisioterapia surge como uma grande aliada. A prática corrige desvios de alinhamento, melhora a flexibilidade, devolve a amplitude dos movimentos, previne a atrofia, fortalece o tônus e a resistência corporal.
O foco é preservar, desenvolver ou restaurar a capacidade funcional máxima e a autonomia do indivíduo em todas as etapas da vida. Mais do que aliviar a dor, o tratamento reorganiza a biomecânica da coluna e reeduca os hábitos diários, complementa a coordenadora.

Uso constante do celular com a cabeça abaixada força a coluna e gera uma sobrecarga de até 27 quilos na região cervical




