A madeira engenheirada está se tornando um ativo valioso na construção civil brasileira, agregando sofisticação, sustentabilidade e retorno financeiro a empreendimentos. O movimento ganhou força com novos projetos híbridos que combinam o material com concreto e aço, focando em segurança, bem-estar e redução de impactos ambientais.
A madeira tratada e industrializada está ganhando espaço na construção brasileira e, agora, também como um ativo que aumenta o valor dos imóveis. Essa foi a principal mensagem do Seminário da Abracime (Associação Brasileira da Construção Industrializada em Madeira Engenheirada), realizado durante o Modern Construction Show. O evento reuniu fabricantes, arquitetos, construtores e investidores para apresentar projetos e discutir as perspectivas do mercado. O potencial da madeira para investidores foi destacado por Calil Neto, CEO da Rewood, e Filipa Beirôco, diretora do Grupo Catuaí, usando como exemplo um edifício corporativo em São Paulo.
O prédio, projetado pelo escritório SPOL Architects, usa concreto para a estrutura principal e lajes, mas emprega madeira laminada colada nos pilares e vigas. A fachada combina vidro e metal. Para Filipa Beirôco, a madeira se tornou um diferencial estratégico para valorizar o imóvel no longo prazo. Apostamos na madeira engenheirada, que se tornou um diferencial significativo do edifício, afirmou. Ela explica que o design leve e sofisticado atrai clientes, com propostas de compra e locação já em análise.
- Madeira engenheirada agrega valor estético e financeiro aos imóveis.
- Projetos híbridos combinam madeira, concreto e aço para mais segurança.
- Estruturas de madeira reduzem o impacto ambiental e o prazo de obra.
- Novas tecnologias de proteção contra incêndio são essenciais para aprovação.
- Edifícios com madeira prometem bem-estar e conectividade com a natureza.
Investidores veem beleza e economia na madeira
Calil Neto, da Rewood, destaca que a madeira atrai investidores não apenas pelo custo competitivo, similar ao do pré-moldado ou aço, mas pela beleza e pela baixa pegada de carbono. O material tem ganhado cada vez mais forma e tem atraído não somente os investidores pelo valor financeiro, que é competitivo junto ao pré-moldado e aos esqueletos metálicos ou aos outros materiais, mas pela beleza e pela pegada de carbono, afirmou. Essa combinação de estética, sustentabilidade e custo-benefício é o principal motor da expansão do setor.
Prédios híbridos abrem novas possibilidades
Um exemplo dessa evolução é o edifício Ibá, em construção no Ibirapuera, em São Paulo. Apresentado por Hélio Olga (Ita Engenharia em Madeira) e Murilo Gabriele (Estúdio BG), o projeto é considerado o primeiro da cidade com estrutura principal de madeira. Com sete andares e alto padrão, ele combina um núcleo rígido de concreto com lajes e vigas de madeira. A fachada usa painéis de concreto com fibra de vidro, mantendo a madeira visível por dentro. A previsão de entrega é agosto de 2027.
Outro caso citado foi o edifício Lief Macunis, apresentado por Cíntia Valente, da NoaTech Brasil. Ela mostrou como a mistura de madeira, aço e concreto cria ambientes focados no bem-estar. O prédio alugou por preços acima da média da região de Pinheiros e teve seus espaços locados antes mesmo de ficar pronto, provando o interesse do mercado por esses diferenciais.
A experiência também se estende a obras públicas, como o Aeroporto Regional de Ribeirão Preto. O arquiteto Marcelo Barbosa, da Bacco Arquitetos, explicou que foram incorporados 10 mil m² de estrutura com madeira laminada colada ao terminal existente, sem parar as operações. Foi a primeira vez no Brasil que essa técnica foi usada em um aeroporto, integrando ventilação natural e elementos da natureza no design.
A empresa Crosslam participou da fabricação e montagem dessas estruturas. José Alberto Gonçalves, diretor da Crosslam, ressaltou que o planejamento antecipado e a industrialização reduzem adaptações no canteiro de obras, aumentando a segurança e a confiabilidade do método.
Madeira chega a projetos sociais e abrigos
A aplicação da madeira não se restringe a prédios corporativos de luxo. A Urbem, em parceria com o escritório Todescan & Siciliano, apresentou o projeto da nova Casa Ronald McDonald de Goiânia. Ana Belizário, da Urbem, explicou que o objetivo foi traduzir os valores da instituição com o aconchego da madeira. Frank Siciliano, do escritório, destacou o uso de princípios de biofilia, com terraços, pátios inspirados no cerrado e um telhado verde com plantas nativas. A obra, iniciada em janeiro, deve terminar em dezembro, reduzindo pela metade o tempo comparado a uma construção convencional.
Segurança contra incêndio ganha prioridade
Com a expansão do uso da madeira, a segurança contra fogo torna-se ponto crítico. Rogério Lin, da ABPPC (Associação Brasileira de Proteção Passiva Contra Incêndio), explicou que existem revestimentos especiais que formam uma camada protetora quando expostos ao calor. Ele alertou para a importância de combinar a madeira com outros materiais, como concreto em lajes e rotas de fuga, e proteger adequadamente as conexões, que são pontos sensíveis em caso de incêndio.
Integração com outros sistemas aumenta competitividade
João Casari e Alexandre Hiroaki Takara, da Saint-Gobain Brasil, destacaram que a competitividade dos prédios de madeira depende de soluções híbridas. Eles trouxeram conhecimento do mercado europeu para o Brasil, focando na integração da madeira com sistemas de vedação e isolamento. Já Adriana Machado, da HTB Engenharia, apresentou o avanço da agenda de ESG (Ambiental, Social e Governança) no setor, mostrando aplicações da madeira na hotelaria e no uso de biofilia para saúde mental dos usuários.
A gestão de obras com madeira industrializada exige cuidados especiais. Guilherme Nogueira, da DOX Gerenciamento de Projetos, e Lula Gouveia, da Supelimão Studio, explicaram que é preciso atenção total desde a contratação do fornecedor até o acabamento. Por ser um método recente no Brasil, cada etapa, da fabricação à montagem, requer supervisão detalhada para garantir a qualidade final do empreendimento.

Madeira (IA)


