O cantor Ed Sheeran revelou que alertou Bono, do U2, para não vinculá-lo a causas políticas. A conversa ocorreu durante a gravação da música 'Yours Eternally', enquanto Bono e Larry Mullen Jr. defendem a postura de Sheeran após a demissão de Macklemore da turnê.
Bono e Larry Mullen Jr., integrantes da lendária banda U2, se manifestaram publicamente em defesa de Ed Sheeran no meio da crise que assola a turnê mundial do artista. A controvérsia surgiu após o rapper Macklemore ser demitido dos shows de abertura por apoiar abertamente a Palestina, o que levou outros artistas, como Finneas e Aaron Rowe, a abandonarem o projeto em sinal de protesto.
Em entrevista à Rolling Stone UK, os músicos do U2 discutiram a delicada linha entre a expressão artística e a pressão externa vinda de empresários e promotores. Eles elogiaram a cautela de Ed Sheeran em manter sua imagem livre de associações partidárias diretas, mesmo ao colaborar com a faixa 'Yours Eternally', do U2, que aborda o conflito na Ucrânia.
- O Contexto da Crise: A turnê de Ed Sheeran foi abalada pela saída forçada de Macklemore após ele manifestar apoio à Palestina em um show de estádio, gerando uma onda de solidariedade de outros artistas que também cancelaram suas participações.
- A Frase de Sheeran: O cantor britânico disse a Bono: "Você não vai me meter em política, vai", deixando claro que deseja manter seu trabalho artístico isolado de debates ideológicos e partidários.
- Defesa da Liberdade Artística: Bono e Larry Mullen Jr. afirmam que artistas têm o direito de escolher quando se posicionar, criticando a coerção exercida por grandes executivos e bilionários do setor.
- O Caso 'Yours Eternally': A música do U2, que inclui a participação de Ed Sheeran e do cantor ucraniano Taras Topalia, foi escrita sob a ótica de um soldado, mas Sheeran insistiu em não ter seu nome associado a conflitos geopolíticos.
- Histórico de Resistência: O U2 relembrou seu próprio passado de resistência à censura nos EUA, citando como a banda desafiou autoridades locais nos anos 80 e 90 para manter sua liberdade de expressão.
A postura de Ed Sheeran diante da política
Ao comentar os bastidores da colaboração na faixa Yours Eternally, Bono revelou que a discussão sobre os limites da expressão foi direta. A canção, lançada no EP Days of Ash, conta com a participação de Sheeran e do cantor ucraniano Taras Topalia. A letra foi criada sob a perspectiva de um soldado combatente no conflito contra a Rússia, uma temática inerentemente política.
Apesar de concordar em participar por causa da história inspiradora do soldado (que era fã do trabalho de Sheeran), o britânico foi categórico em suas exigências. Ele deixou claro que não queria que sua imagem fosse usada para endossar causas ideológicas ou partidárias.
Quando fizemos Yours Eternally, ele me disse: Você não vai me meter em política, vai. E eu respondi que o soldado que nos inspirava o adorava. Ele rebateu: Sim, mas eu só quero manter o meu trabalho livre disso.
Bono para a Rolling Stones UK
Bono respeitou essa posição e concordou que não deveria impor suas visões políticas ao colega. Ele citou reflexões do produtor Brian Eno e de Bob Geldof ao afirmar: Você não pode ficar empurrando as pessoas por aí. Para o vocalista, os artistas possuem o direito soberano de decidir quando e como desejam se posicionar, sem que haja coerção por parte do público, da imprensa ou de colaboradores.
O U2 contra a interferência de bilionários na arte
Enquanto defendem a decisão de Sheeran de se afastar da política explícita, o U2 dirige sua crítica contra a interferência de grandes executivos e proprietários de times esportivos na liberdade dos artistas. O baterista Larry Mullen Jr. repudiou a influência de figuras como Robert Kraft, do New England Patriots, que seriam peças-chave na decisão de banir Macklemore da turnê de Ed Sheeran.
Mullen enfatizou que, se a lógica de submissão a esses bilionários tivesse sido aplicada ao U2 no início da carreira, a banda não sobreviveria. Ele relembrou o período de Sunday Bloody Sunday, quando a música do grupo já era altamente política e desafiava tabus.
Se aplicássemos essa lógica ao U2, teríamos saído do mercado na época de Sunday Bloody Sunday, afirmou o baterista.
Bono complementou a declaração lembrando de um episódio histórico nos Estados Unidos. A banda desafiou o então governador do Arizona, Evan Mecham, ao se posicionar publicamente a favor da criação do feriado do Dia de Martin Luther King Jr. A banda sofreu ameaças veladas antes de subir ao palco, mas manteve sua posição, provando que a liberdade artística exige coragem frente à pressão corporativa e estatal.

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