A psicóloga Denise Fleury aborda o papel essencial dos professores no acolhimento emocional de crianças, especialmente no combate à ansiedade de separação durante os primeiros anos escolares.
Na educação infantil, ensinar vai muito além de passar conteúdo. Envolve acolher emoções, mediar vínculos e ajudar as crianças a se inserirem no ambiente coletivo. No contexto do Dia do Professor, especialistas destacam um dos desafios mais recorrentes em sala de aula: a ansiedade de separação, especialmente nos primeiros anos escolares ou após períodos de afastamento.
Segundo a psicóloga, pedagoga e psicanalista Denise Fleury, esse comportamento faz parte do desenvolvimento infantil e está ligado à forma como a criança constrói seus vínculos afetivos. A ansiedade de separação é o medo do abandono ou a sensação de perda causada pela separação entre a criança e o outro primordial, define. Em sala, isso pode se manifestar por meio de choro, retraimento, resistência ou dificuldade de participação nas atividades.
- O que é a ansiedade de separação É o medo de abandono ou perda ao se separar do responsável principal.
- Como identificar Observe sinais como choro intenso, retraimento e falta de participação nas atividades.
- Qual o papel do professor Atuar como mediador, criando um ambiente previsível e seguro para a criança.
- Como a literatura ajuda Histórias e metáforas ajudam as crianças a nomear e entender seus sentimentos.
- Qual a data comemorativa A pauta é voltada para o Dia do Professor, comemorado em 15 de outubro.
O papel do professor na segurança emocional
Mais do que corrigir ou evitar essas reações, o papel do professor é sustentar esse momento com escuta e acolhimento. A entrada na escola representa, simbolicamente, a saída do ambiente familiar e a construção de novos laços. É nesse processo que a criança começa a desenvolver autonomia e pertencimento ao grupo.
Para Denise, o professor atua como mediador fundamental entre a criança e o mundo. Criar um ambiente previsível, estabelecer vínculos de confiança e validar os sentimentos dos alunos são estratégias essenciais para reduzir o sofrimento e favorecer a adaptação. Não se trata de impedir que a criança sinta medo ou tristeza, mas de oferecer condições para que ela possa expressar o que sente.
Literatura infantil como ferramenta pedagógica
A literatura infantil pode ser uma ferramenta potente nesse contexto. A literatura ajuda as crianças a nomear sentimentos, elaborar experiências e lidar com a separação, destaca a profissional. Ao trabalhar com histórias, metáforas e personagens, o professor amplia o repertório simbólico da criança e cria caminhos para que ela compreenda suas emoções.
Essa abordagem está presente no livro Benjamin (SemiBreve), em que Denise Fleury transforma a experiência da separação em uma narrativa poética. A obra utiliza sons, ritmo e imagens para tratar do vínculo afetivo e da construção da autonomia, podendo ser utilizada como recurso em práticas pedagógicas voltadas à vivência emocional.
O impacto do Dia do Professor na educação
No Dia do Professor, o debate sobre aprendizagem ganha uma dimensão mais ampla: reconhecer que ensinar também é acolher. Em sala de aula, o cuidado com os vínculos e com a saúde emocional das crianças é parte essencial do processo educativo.
O livro Benjamin, ilustrado por Yasmin Hassegawa, aborda a relação de afeto entre mãe e filho e a ansiedade da separação. Criado por uma pedagoga a partir de sua experiência clínica, a obra funciona como uma ferramenta lúdica para pais e educadores lidarem com essa fase do desenvolvimento. A história usa a metáfora de dois elefantes cujas trombas se entrelaçam, simbolizando o cordão umbilical e o afeto. A autora, mestra em educação, destaca a importância de tratar o tema pelo simbólico e pela brincadeira com sons e onomatopeias.

Denise Fleury - Créditos Divulgação



