30 de setembro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Taxa Selic cai, mas empréstimos continuam muito caros para o consumidor

Geral Juros 30/09/2026 07:05 Assessoria de Imprensa Juros Baixos

Apesar do início da queda na taxa básica de juros, o custo efetivo do crédito brasileiro aumentou, ultrapassando a marca de 24% ao ano no segundo trimestre de 2026. Analistas explicam que fatores como risco de inadimplência e burocracia fazem com que o alívio na Selic demore a chegar ao bolso do cidadão.

A Selic começou a cair, mas o alívio ainda não chegou ao bolso de quem precisa de crédito. Enquanto a taxa básica efetiva encerrou junho de 2026 em 14,29% ao ano, o Indicador de Custo do Crédito (ICC), calculado pelo Banco Central, alcançou média de 24,24% ao ano no segundo trimestre, acima dos 23,64% registrados na média do quarto trimestre de 2025.

Em abril, o indicador chegou a 24,28% ao ano, maior nível registrado no período analisado pelo Índice Juros Baixos de Empréstimo (IJBE). Na prática, os números mostram que o início da queda da taxa básica ainda não foi acompanhado por uma redução do custo efetivamente enfrentado por consumidores que recorrem ao crédito.

  • Queda da Selic: A taxa básica caiu de 14,90% para 14,29% ao ano no acumulado do período analisado.
  • Custo do Crédito: O custo efetivo (ICC) subiu 0,60 ponto percentual, atingindo média de 24,24% ao ano.
  • Inflação: O IPCA voltou a acelerar, subindo de 3,81% em fevereiro para 4,64% em junho.
  • Desemprego: A taxa de desocupação caiu de 6,1% em março para 5,4% em junho.
  • Expectativa vs. Realidade: O mercado reage com defasagem; o consumidor sente a mudança de taxas com atraso.

O movimento dos juros e a resistência do crédito

Depois de permanecer durante oito meses em 14,90% ao ano, a Selic efetiva começou a ceder em março. Em junho, chegou a 14,29% ao ano. O segundo trimestre de 2026 foi o primeiro trimestre completo de juros em queda dentro da série analisada pelo IJBE.

O custo do crédito, porém, não acompanhou o mesmo movimento. Na comparação entre as médias do quarto trimestre de 2025 e do segundo trimestre deste ano, o ICC avançou 0,60 ponto percentual.

Quando a Selic começa a cair, existe uma expectativa natural de que o crédito fique mais barato imediatamente, mas não é assim que esse processo acontece. A taxa básica é uma referência importante, porém o custo final também depende de risco, prazo, perfil do consumidor e critérios de cada instituição. Por isso, em períodos como este, comparar diferentes propostas se torna ainda mais importante, afirma Cadu Guidi, Head de Marketing da Juros Baixos.

Inflação e desemprego no cenário econômico

Outro indicador acompanhado pelo IJBE também mudou de direção. O IPCA acumulado em 12 meses havia recuado para 3,81% em fevereiro de 2026, mas voltou a subir e chegou a 4,64% em junho.

A taxa de desocupação, por sua vez, chegou a 6,1% em março e encerrou junho em 5,4%. Selic, inflação, desemprego e custo do crédito são movimentos observados durante o mesmo período. O IJBE, porém, não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre esses indicadores.

Por que a taxa do empréstimo demora a cair

A Selic funciona como referência para o custo do dinheiro na economia, mas é apenas um dos componentes considerados na formação das taxas cobradas de consumidores e empresas. As instituições financeiras também incorporam às condições de crédito elementos como risco de inadimplência, prazo da operação, custos administrativos, garantias oferecidas e perfil do tomador.

Para consumidores com restrição no CPF, é possível consultar opções de empréstimo para negativado, sempre sujeitas à análise e às condições de cada instituição. Em operações com garantia, as condições podem seguir uma dinâmica diferente das linhas sem garantia. Quem possui um veículo pode consultar alternativas de empréstimo com garantia de veículo, modalidade em que o bem é utilizado como garantia da operação.

Por isso, mudanças na política monetária podem levar algum tempo até aparecerem de maneira mais ampla nas taxas finais disponíveis para o consumidor. No segundo trimestre de 2026, essa diferença ficou clara: a Selic começou a cair enquanto o Indicador de Custo do Crédito permaneceu acima de 24% ao ano.

O que é o Índice Juros Baixos de Empréstimo

O Índice Juros Baixos de Empréstimo (IJBE) reúne informações sobre crédito e comportamento de consumidores para acompanhar mudanças no setor ao longo do tempo. Na frente macroeconômica da edição Q2/2026, o estudo utiliza séries públicas do Banco Central relacionadas à Selic, inflação, desemprego e Indicador de Custo do Crédito.