A Irmandade Os Carolinos, grupo com mais de 100 anos de história em Minas Gerais, promove uma série de celebrações religiosas gratuitas entre os dias 4 e 19 de outubro. Os eventos, que incluem missas, procissões e cantos tradicionais, acontecem na sede do grupo, no bairro Aparecida, e buscam manter viva a cultura afro-mineira.
A Guarda de Moçambique e Congo Sagrado Coração de Jesus Irmandade Os Carolinos prepara seu tradicional Festejo de Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus. As celebrações ocorrerão entre os dias 4 e 19 de outubro de 2026. O grupo, que possui mais de um século de existência, reunirá membros, fiéis e visitantes em uma programação gratuita no bairro Aparecida, em Belo Horizonte. O evento reforça uma tradição afro-mineira passada de geração em geração.
A agenda começa no dia 4 de outubro, domingo, às 10h, com a subida da bandeira de aviso. Esse rito serve para anunciar aos céus e à terra a aproximação dos festejos. Entre os dias 9 e 17 de outubro, sempre às 19h, a capela da Irmandade abrigará a novena. Já no dia 17, sábado, às 19h30, será realizada a subida das bandeiras de festa.
- O evento é gratuito e aberto a todos no bairro Aparecida.
- O grupo tem mais de 100 anos de história em Belo Horizonte.
- É reconhecida como Comunidade Quilombola.
- A programação inclui missas, procissões e cantos tradicionais.
- O evento busca preservar a cultura afro-mineira e a ancestralidade.
O ponto alto da celebração acontece no domingo, 18 de outubro. Neste dia, ocorre a Festa Grande e a recepção das Guardas visitantes. A programação do dia começa às 5h com a Alvorada. Às 15h, será celebrada a missa. Em seguida, às 17h, ocorre a procissão. O ciclo se encerra no dia 19 de outubro, segunda-feira, às 19h, com a descida dos mastros. Todas as atividades acontecem na sede da Irmandade, à Rua Amiro Rodrigues Campos, 276.
Uma tradição com mais de um século
Fundada em 1917, a Irmandade Os Carolinos é uma das mais antigas de Belo Horizonte que ainda se mantém ativa. Por mais de 100 anos, descendentes de Francisco Carolino mantêm viva a tradição por meio dos festejos. As celebrações homenageiam Nossa Senhora do Rosário, o Sagrado Coração de Jesus, os santos do panteão congadeiro, os reinos negros e a ancestralidade.
O grupo é reconhecido pela Fundação Cultural Palmares como Comunidade Quilombola. Esse status integra a Irmandade ao conjunto de quilombos certificados da capital mineira. O reconhecimento destaca uma trajetória marcada pela preservação de práticas culturais e religiosas, além da defesa do território tradicional ocupado pelos Carolinos.
Seguimos lutando pelo tratamento da rede de esgoto e pela titulação coletiva do território tradicional da Irmandade Os Carolinos, terreiro onde tenho orgulho de ter nascido, me criado e tornado Capitão da Guarda de Moçambique, afirma Maurício Tizumba, presidente da Irmandade.
Reconhecimento cultural e histórico
Os Carolinos já foram tema de um documentário homônimo e de uma edição da Revista Marimbondo. O grupo também é alvo de diversos estudos acadêmicos. Além disso, a Irmandade participou do álbum Aparecida, Reinos Negros e do catálogo Percursos do Sagrado: Irmandades do Rosário de Belo Horizonte e Entorno.
Em 2019, Nelson Pereira, capitão-mestre da Irmandade, recebeu o título de Mestre da Cultura Popular de Belo Horizonte. No mesmo período, o grupo foi premiado na 7ª edição do Prêmio Culturas Populares Edição Teixeirinha, iniciativa da Secretaria da Diversidade Cultural do Governo Federal.
Os reinados e congados negros, com suas guardas de Moçambique, Congo, Caboclo, Marinheiro, Vilão e Catopé, mantêm viva uma tradição que atravessa a história de Minas Gerais. Em seus cortejos, cantos, danças e rituais, eles reapresentam narrativas importantes, como o mito da retirada de Nossa Senhora do Rosário das águas pelos negros escravizados.
Esses grupos estavam presentes no território antes da criação de Belo Horizonte, nas fazendas escravistas do antigo Curral del-Rei. Posteriormente, a tradição chegou à nova capital junto com trabalhadores vindos do interior de Minas Gerais para sua construção. Atualmente, dezenas de reinados mantêm essa herança em diferentes áreas da cidade. Por meio dos festejos e visitas mútuas, as comunidades constroem anualmente o Ciclo do Rosário, unindo religiosidade, memória e resistência.
A iniciativa faz parte das ações de valorização e salvaguarda das manifestações culturais tradicionais. Ela contribui para a continuidade de práticas transmitidas entre gerações e para o reconhecimento da importância das comunidades congadeiras e quilombolas na formação cultural de Belo Horizonte. O Festejo é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte (LMIC).
Agenda do Evento
4/10, domingo, às 10h: Levantamento da bandeira de aviso
9 a 17/10, às 19h: Novena
17/10, sábado, às 19h30: Levantamento das bandeiras de festa
18/10, domingo: Festa Grande com recepção das Guardas visitantes
5h: Alvorada
15h: Missa
17h: Procissão
19/10, segunda-feira, às 19h: Descida dos mastros e encerramento
Local: Irmandade Os Carolinos (Rua Amiro Rodrigues Campos, 276, Aparecida). Entrada gratuita.

Foto: Patrick Arley



