28 de setembro de 2026

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Debate virtual discute ameaças do agronegócio à Amazônia na véspera das eleições

Geral Amazônia 28/09/2026 18:59 CPT - Comissão Pastoral da Terra

Organizações da sociedade civil se reúnem em transmissão ao vivo para discutir como os grandes projetos de infraestrutura, como o Arco Norte, e a crise climática impactam a vida dos povos amazônicos. O evento busca orientar o voto consciente para defender a soberania e a natureza.

Enquanto a Amazônia ganha destaque nas discussões globais sobre a crise climática, as comunidades que vivem na floresta alertam que a natureza está sendo tratada como mercadoria. Esse cenário afeta diretamente o debate político nacional e projetos de infraestrutura, como o corredor ferroviário Arco Norte, que ameaçam a sobrevivência do planeta. Para refletir sobre esse momento crítico e incentivar o voto consciente, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) promove uma transmissão ao vivo na próxima terça-feira, 29 de setembro, às 19h (horário de Brasília), pelo seu canal no YouTube.

O evento, batizado de Amazônia e Eleições 2026: soberania, democracia e os impactos do Arco Norte, reúne especialistas e lideranças locais para discutir como as escolhas nas urnas influenciam o futuro do bioma. A participação de representantes de diferentes movimentos sociais visa unificar forças em defesa da vida na região.

O que você precisa saber sobre o debate

  • Data do evento: Terça-feira, 29 de setembro, às 19h (Brasília).
  • Tema central: A relação entre as eleições de 2026, a soberania democrática e os impactos da obra do Arco Norte na Amazônia.
  • Participantes: Representantes da CPT, do Grupo de Trabalho Infra (GT Infra), da REPAM Brasil, do Coletivo Maparajuba (Pará) e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
  • Dados alarmantes: A Amazônia concentra quase metade dos conflitos agrários registrados no Brasil entre 1985 e 2023.
  • Objetivo: Promover a campanha Eu Voto pela Amazônia, incentivando a escolha de candidatos que defendem a preservação do bioma e os direitos dos povos tradicionais.

Entre os convidados confirmados estão Kamila Picalho, da Coordenação da CPT em Mato Grosso; Iremar Ferreira, do GT Infra; Joana Menezes, da REPAM Brasil e da campanha Eu Voto pela Amazônia; Nery Júnior, do Coletivo Maparajuba, do oeste do Pará; e Polly Soares, do GT Direitos Humanos do MST. Juntos, eles analisarão como o voto pode ser uma ferramenta de resistência contra projetos que atentam contra a soberania e a democracia.

O encontro também aprofundará a discussão sobre a conjuntura política amazônica, focando na importância de eleger representantes comprometidos com a proteção ambiental. A campanha Eu Voto pela Amazônia, da REPAM, serve como um apelo coletivo para que o eleitor escolha candidaturas que defendam os povos habitando a floresta, enfrentando qualquer proposta que coloque em risco a vida e a autonomia local.

Violência e conflitos na região

Dados recentes do Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro, publicado pela CPT, revelam uma expansão violenta de atividades econômicas na Amazônia, que ignoram as formas de vida existentes na região. No período entre 1985 e 2023, foram registrados 21.608 conflitos agrários na área que abrange os sete estados do Norte, além de partes do Maranhão e Mato Grosso. Esse número representa quase a metade dos 50.950 registros totais feitos em todo o território nacional.

Relatórios mais recentes, incluindo o Conflitos no Campo 2025 e dados preliminares do primeiro semestre de 2026, mostram que a Amazônia Legal continua concentrando mais da metade de todos os conflitos registrados no país. As violências predominantes incluem invasões, desmatamento ilegal, contaminação por agrotóxicos e ameaças de expulsão. Infelizmente, a maioria dos assassinatos ligados a conflitos agrários no Brasil ocorre nesta região.

Essa onda de violência está diretamente ligada ao avanço do agronegócio, que busca expandir monoculturas e projetos de fronteira agrícola. A insegurança jurídica nas terras públicas favorece a grilagem (aquisição irregular de terras) e a impunidade, criando um ambiente perigoso para comunidades que tentam defender seus territórios.

Celebrando a Amazônia

Além do debate político, o mês de setembro é dedicado à celebração da floresta. A Articulação das CPTs da Amazônia promove ações de divulgação sob o tema Celebrar a Amazônia, Nossa Morada. A iniciativa busca mostrar que a floresta é muito mais do que imagens aéreas de um deserto verde. Ela possui cheiro, cor, umidade, água, calor e frescor. É o lar de populações extrativistas, agricultoras e pescadoras, cada uma com seus sotaques, cores e culturas ricas e diversas.