O piloto Alex Frota, de 53 anos, realizou a primeira volta ao mundo solo em monomotor por um brasileiro, cruzando cinco continentes em 182 dias, com 77 mil km voados e paradas em 33 países, após 8 anos de preparação que começou aos 44, quando tirou o brevê, e que incluiu testes, adaptações no avião e planejamento familiar e financeiro.
O piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, completou uma proeza histórica: uma volta ao mundo voando sozinho em um avião de motor único. Aos 53 anos, ele terminou a expedição no Ceará em 12 de setembro de 2026, iniciada em 15 de março. A viagem durou 182 dias, somou 77 mil quilômetros, 297 horas de voo e contou com pousos em 33 países de cinco continentes.
Frota criou o projeto Frotas Pelo Mundo para documentar essa jornada. O que começou como um diário de viagem se transformou em um grande projeto de alcance internacional. Ele desenvolveu o plano enquanto mantinha sua carreira no mercado financeiro e sua vida familiar, provando que nunca é tarde para realizar grandes sonhos.
- Idade da conquista: 53 anos
- Duração da viagem: 182 dias
- Distância percorrida: 77 mil quilômetros
- Horas de voo: 297 horas
- Países visitados: 33 países em 5 continentes
Da paixão infantil à decisão adulta
O amor pela aviação começou na infância, mas a decisão de aprender a pilotar só veio na vida adulta. Frota tirou sua licença de piloto (o brevê) aos 44 anos. Com isso, a ideia de voar para cada vez mais longe ganhou forma, até se tornar o plano de atravessar o planeta. O ponto chave desta história é que ele já tinha uma profissão, esposa e filhos quando começou a organizar uma ausência de meses. Isso exigiu decisões técnicas, financeiras e pessoais muito bem pensadas.
Dados do Sebrae mostram que essa iniciativa de começar na maturidade não é rara. Segundo o Monitor Global de Empreendedorismo 2025, divulgado em abril de 2026, pessoas com mais de 45 anos representaram 33,7% dos novos empreendedores no Brasil. Foi a maior participação dessa faixa etária desde 2000. Isso ajuda a entender como objetivos novos disputam espaço com responsabilidades já estabelecidas.
O planejamento em etapas
Em 2022, Frota começou a organizar a expedição dividindo o grande objetivo em metas menores. Desde 2022, a gente vem trabalhando mês a mês, divide o projeto em projetinhos menores, explica o piloto. Essa abordagem permitia avançar sem a pressão de tomar uma única decisão enorme. Como gestor de recursos, ele aplicou na viagem a mesma lógica de prazos, análise de risco e disponibilidade financeira que usa no trabalho.
Em 2024, ele realizou um voo de teste crucial: de Fortaleza para os Estados Unidos e de volta. O percurso de cerca de 15 mil quilômetros, com 60 horas de voo e passagem por dez países, serviu para testar o avião, as comunicações em inglês e os procedimentos em aeroportos internacionais. Essa travessia menor mostrou exatamente onde o avião precisava de ajustes antes de uma ausência de seis meses.
Adaptações técnicas e apoio familiar
Para a grande viagem, a aeronave experimental passou por uma revisão de 40 dias. Os tanques nas asas foram ampliados e um reservatório extra ocupou o lugar do banco traseiro, aumentando a autonomia para quase 15 horas de voo. Isso era essencial para trechos onde há poucas opções de pouso e abastecimento. Além da técnica, Frota precisou considerar o impacto na família. Ele ainda não tinha passado tantos meses longe de casa, então o apoio da esposa e dos filhos foi parte central do planejamento.
Segundo o piloto, o perigo sempre existe. Não é porque você venceu uma etapa que pode achar que está tudo resolvido e baixar a guarda, ressalta. Durante a expedição, ele enfrentou falhas de navegação, pane elétrica, vazamento de combustível e frio extremo de 22 graus negativos na Groenlândia. Em cada momento, era preciso avaliar se havia condições seguras para continuar.
Desafos e flexibilidade no roteiro
Nem tudo foi controlável. Autorizações atrasadas nas Filipinas e mudanças no caminho de volta no México obrigaram Frota a remover a passagem pela América do Sul daquela expedição. No planejamento geral, já tinha previsto isso, então deixava em alguns lugares bolsões de reserva de dias, afirma o gestor. A capacidade de mudar o roteiro foi tão importante quanto o esforço para voar. O objetivo era completar a volta ao mundo, mas o caminho precisava se adaptar às condições encontradas.
A importância da maturidade
Entre tirar o brevê e concluir a expedição, passaram-se oito anos. A trajetória de Frota não aponta uma idade ideal para começar projetos, mas mostra o que foi necessário: desenvolver a habilidade, medir as exigências do objetivo e ajustá-lo às responsabilidades da vida. A maturidade permitiu transformar uma paixão antiga em uma realização construída com calma e planejamento ao longo do tempo.
Sobre o piloto e o projeto
Alex Frota é administrador de empresas, formado pela Universidade de Fortaleza, com MBA em Investimentos. É gestor de recursos credenciado pela CVM. Apaixonado por aviação desde criança, ele lidera o Frotas Pelo Mundo, que conta com uma comunidade digital ativa e cobertura em várias plataformas. O projeto também desenvolve ações em educação, cultura, tecnologia e impacto social. Alex Frota é conhecido pelo apelido Alex Bacana, em referência ao personagem da série Armação Ilimitada.

Piloto Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, que concluiu a volta ao mundo solo em monomotor




