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Professora critica proposta de tornar Bíblia obrigatória nas escolas públicas e defende educação laica

Geral Educacao 24/09/2026 15:53 Assessoria de Imprensa de Adriana Vasconcellos São Paulo SP

A candidata a deputada estadual Adriana Vasconcellos (MDB-SP) alerta que o Estado é laico e que impor a Bíblia como livro didático obrigatório viola a Constituição Federal. Ela propõe fiscalização para garantir o ensino da história afro-brasileira e indígena, que hoje é negligenciado em muitas escolas, além de criar mecanismos para proteger alunos de todas as religiões contra a discriminação.

Educadora da rede pública, Adriana Vasconcellos alerta para o aumento de projetos de lei que buscam incluir conteúdo religioso específico, como a Bíblia, no currículo escolar. Para ela, essas propostas ferem a lei, que garante a liberdade de culto e o caráter laico do ensino público.

"A escola pública é de todos os credos e também de quem não professa religião alguma. Meu mandato vai trabalhar para que ela cumpra a lei: que não imponha nenhuma fé aos estudantes, mas também que não continue apagando a história e a cultura afro-brasileira e indígena que a Constituição já manda ensinar", afirma a professora, que também é candidata a deputada estadual em São Paulo.

  • O Estado é laico: a Constituição proíbe o ensino de qualquer religião específica nas escolas públicas.
  • A Bíblia como livro obrigatório é vista como uma forma de doutrinação que viola a liberdade de consciência.
  • Leis que obrigam o ensino da história afro-brasileira e indígena são frequentemente ignoradas pelos educadores.
  • A candidata propõe criar canais para que os pais cobrem das escolas o cumprimento das leis de inclusão histórica.
  • Símbolos africanos, como os adinkras, podem ser usados até em matemática para ampliar a visão de mundo.

Proposta de fiscalização e inclusão curricular

Ativista de políticas educacionais desde 2016, Vasconcellos pretende, se eleita, fiscalizar as Diretorias Regionais de Ensino (DREs). O objetivo é garantir o cumprimento das leis que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena.

Ela aponta que, hoje, esse conteúdo é tratado de forma desigual e restrito apenas às áreas de humanas. Vasconcellos defende que a questão deve integrar todas as matérias, incluindo as exatas. Como exemplo, ela cita os adinkras, símbolos filosóficos africanos que podem ser explorados nas aulas de matemática.

Liberdade religiosa e proteção contra o racismo

A candidata defende a criação de canais formais para que pais cobrem a aplicação das leis, que muitas vezes são descumpridas sem punição. No campo da religião, propõe que o Legislativo monitore projetos que misturem formação ética com doutrinação.

"A liberdade religiosa não pode se restringir a um único segmento. Ela precisa proteger qualquer criança que seja hostilizada por sua fé, seja ela de matriz africana, judaica, islâmica ou de qualquer outra tradição", afirma Adriana Vasconcellos.

Trajetória em políticas afirmativas

Adriana Vasconcellos possui histórico de atuação em coletivos que defendem a população negra, como o Movimento da Mulher Negra Brasileira e a Educafro. Na Secretaria Municipal de Relações Internacionais de São Paulo, criou a política "São Paulo o Farol de Combate ao Racismo Estrutural" e idealizou a I Expo Internacional Dia da Consciência Negra.

Em 2022, ela apresentou essa política em Zanzibar, na Tanzânia, durante o festival FESTAC, integrando uma delegação exclusiva de mulheres negras. Na Agência de Desenvolvimento de São Paulo, criou um projeto que uniu formação em costura e empreendedorismo para mulheres.

Entre 2016 e 2018, atuou como assessora parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo. No cargo, aproximou diversos grupos sociais em torno de pautas comuns e promoveu debates sobre a divisão justa de verbas públicas. Ela também coordenou o simpósio "Diálogos sobre a Saúde Mental da População Negra", evento que durou cinco dias.