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TikTok altera hábitos de alimentação de jovens

Geral Nutrição 24/09/2026 14:50 Jornalismo Lumière Comunicação

Estudo revela que tendências e influenciadores do TikTok mudam o que adolescentes escolhem comer no Brasil.

O TikTok está mudando a forma como os jovens de 15 e 16 anos escolhem a comida. Um estudo recente, publicado na revista Journal of Nutrition Education and Behavior, ouviu 25 adolescentes sobre o assunto. O objetivo foi entender como o que aparece na tela afeta o que eles colocam no prato.

Os resultados mostram que vídeos de tendências, anúncios e influenciadores têm grande poder. Para alguns, a rede social é a principal fonte de inspiração para novas dietas. Para outros, é uma ferramenta útil para aprender receitas e escolher opções mais saudáveis.

  • O TikTok é a principal fonte de inspiração alimentar para parte dos jovens.
  • Influenciadores e tendências virais têm forte poder de persuasão.
  • Muitos brasileiros usam a rede para descobrir novas receitas.
  • A embalagem dos produtos também engana com elementos infantis.
  • A conversa em casa é a melhor defesa contra anúncios mentirosos.

O impacto do TikTok no Brasil

No Brasil, esse contato com a comida digital acontece todos os dias. Uma pesquisa do Opinion Box, feita com 1.066 usuários da plataforma, mostrou que 49% usam o TikTok para descobrir coisas novas. Além disso, 34% acompanham conteúdos de gastronomia e receitas. Os influenciadores também têm um papel importante: 66% dos entrevistados seguem criadores de conteúdo e 53% já compraram algo indicado por eles.

Esses números mostram que a rede social é um canal direto para a indústria alimentícia. O que é visto no feed rapidamente se transforma em desejo e consumo.

O que muda na cabeça do adolescente

O estudo focou em entender a relação entre o conteúdo digital e a alimentação. Fatores como tendências, anúncios, a aparência apetitosa dos alimentos e as recomendações de influenciadores despertam a curiosidade dos jovens.

Alguns adolescentes relataram que mudaram sua alimentação após seguir influenciadores e conhecer seus estilos de vida. Outros, porém, usam a rede com propósito mais claro: buscar receitas, aprender a cozinhar e descobrir opções que consideram mais saudáveis.

Vale lembrar que a pesquisa é qualitativa e tem um grupo pequeno de participantes. Isso significa que não podemos generalizar para todos os adolescentes. No entanto, os relatos dão pistas de como conteúdos digitais influenciam escolhas reais do dia a dia.

O papel dos pais na educação alimentar

Andressa Meira, nutricionista da Merendô!, marca da Polpa Brasil voltada à alimentação escolar, alerta que tentar controlar tudo o que o jovem vê é impossível. A solução, segundo ela, está no diálogo.

Os pais não vão conseguir controlar tudo o que o adolescente vê nas redes sociais. O mais importante é conversar sobre aquilo que aparece. Quem está recomendando Por que está recomendando Existe uma publicidade por trás Essas perguntas ajudam o jovem a construir critérios próprios, explica.

Ensinar o jovem a questionar a origem da informação é mais eficaz do que simplesmente proibir. Isso cria autonomia e senso crítico.

A armadilha das embalagens

A influência não termina quando o celular é guardado. No supermercado, a embalagem também comunica. E, muitas vezes, o que aparece em destaque não conta a verdade sobre o alimento.

Uma pesquisa do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) analisou 30 alimentos ultraprocessados voltados para crianças. Todos tinham personagens ou elementos visuais que atraem o público infantil. Além disso, 53% traziam alegações nutricionais nas embalagens, como fonte de cálcio ou baixo em sódio.

A composição real, porém, era diferente: 67% tinham excesso de açúcares totais, 13% tinham excesso de gordura saturada e 10% tinham excesso de sódio. Em 33% das embalagens analisadas, os pesquisadores não encontraram a rotulagem nutricional frontal obrigatória.

Como olhar além da aparência

Para Andressa, aprender a olhar além do destaque é essencial, seja na embalagem ou nas redes sociais.

Uma embalagem pode destacar uma vitamina, assim como um vídeo pode mostrar apenas uma parte da experiência com determinado alimento. O adolescente precisa entender que aquilo que chama a atenção não necessariamente conta toda a história. Observar a lista de ingredientes, a tabela nutricional e a forma como a informação está sendo apresentada ajuda a construir esse olhar, afirma.

A importância da família e da escola

Nas conversas do estudo, os adolescentes relataram pouca interferência dos pais no contato com conteúdos sobre alimentação. Quando havia acompanhamento, os responsáveis ajudavam a questionar informações ou a reduzir a exposição a certos conteúdos.

Isso não significa, segundo Andressa, que todo alimento visto no TikTok deve ser proibido.

Quando um jovem chega em casa falando sobre um alimento que viu nas redes sociais, aquele pode ser um momento para conversar sobre a informação, e não apenas dizer se ele deve ou não experimentar. Esse tipo de diálogo ajuda a transformar uma escolha cotidiana em uma oportunidade de aprendizado, diz.

A escola também é um espaço importante. É lá que muitos estudantes têm contato com sabores e preparações diferentes das da família. Para a nutricionista, essa experiência à mesa pode abrir espaço para a descoberta.

A alimentação escolar não é apenas o momento de servir uma refeição. Ela também coloca o estudante em contato com sabores, preparações e alimentos diferentes daqueles que fazem parte da rotina de casa. Quando existe espaço para conversar sobre essas escolhas, a escola também contribui para que ele desenvolva referências próprias sobre alimentação, explica.

Entre o vídeo do feed e o produto da prateleira, nem toda escolha precisa virar uma disputa. Ensinar a perguntar quem está falando, o que está em destaque e se há interesse comercial por trás pode ser o primeiro passo para escolhas mais autônomas e conscientes.