24 de setembro de 2026

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Estudo revela queda de 28% nas conversas presenciais devido à tecnologia

Geral Comunicacao 24/09/2026 07:22 Luzimar Collares | Portal Primeira Página primeirapagina.com.br

Pesquisadores analisaram mais de dois mil participantes e descobriram que estamos falando 338 palavras a menos por dia ao longo dos últimos anos. A redução, que totaliza 120 mil palavras anuais, está ligada ao avanço dos celulares e redes sociais, substituindo interações humanas essenciais para nossa saúde emocional e social.

Você já reparou que algumas conversas estão desaparecendo da nossa rotina Aquela conversa rápida com o vizinho no elevador, o "bom dia" para quem atende na padaria, a ligação para contar uma novidade, o papo sem hora para terminar.

Não são necessariamente grandes conversas. São pequenos encontros cotidianos que, somados, fazem parte da nossa experiência de viver em sociedade. E uma pesquisa trouxe um dado que merece nossa atenção.

  • O estudo analisou 2.197 participantes de diversas idades (10 a 94 anos).
  • A queda estimada foi de 28% nas palavras faladas entre 2005 e 2019.
  • Isso equivale a mais de 120 mil palavras a menos por ano para cada pessoa.
  • Jovens apresentaram a maior redução no hábito de conversar face a face.
  • O período coincide com a expansão de celulares e redes sociais.

Redução drástica na comunicação verbal

Um estudo publicado recentemente, em 2026, na revista Perspectives on Psychological Science, assinado pelas pesquisadoras Valeria A. Pfeifer e Matthias R. Mehl, analisou dados de 2.197 participantes de várias partes do mundo, de 10 a 94 anos, reunidos em 22 estudos realizados entre 2005 e 2019. A conclusão chamou atenção: os pesquisadores estimaram uma redução média de 338 palavras faladas por dia a cada ano ao longo do período analisado. De 2005 a 2019, a queda estimada chegou a aproximadamente 28%.

Parece pouco quando pensamos em 338 palavras. Mas, acumuladas ao longo de um ano, representam mais de 120 mil palavras a menos. E, mais importante do que contar palavras, é pensar no que essa redução representa.

Tecnologia e o desaparecimento do diálogo

Os autores não afirmam que a tecnologia seja a causa dessa redução. O próprio estudo reconhece que ainda não é possível determinar exatamente onde essas palavras foram parar. No entanto, o período coincide com a expansão dos celulares, das redes sociais, das mensagens instantâneas e de outras formas digitais de comunicação.

E há um dado particularmente interessante: entre os participantes mais jovens, a redução estimada foi maior. Talvez porque eles tenham aprendido, desde cedo, a resolver boa parte das necessidades de comunicação sem precisar falar.

Quer marcar um encontro Manda mensagem. Quer pedir comida Aplicativo. Quer comprar alguma coisa Loja virtual. Quer expressar o que está sentindo Emoji. Quer companhia Há sempre alguma tela disponível.

O custo da praticidade digital

A tecnologia trouxe uma praticidade extraordinária. Seria absurdo negar isso. Ela facilita nossa vida, aproxima quem está distante e amplia nossas possibilidades de comunicação. A inteligência artificial, por exemplo, pode nos ajudar a organizar ideias, preparar uma apresentação e até encontrar maneiras mais claras de dizer alguma coisa.

O problema começa quando a praticidade deixa de ser uma ferramenta e passa a substituir experiências que também precisam ser exercitadas. Comunicação é uma delas.

E aqui está a questão que me interessa: o que perdemos quando deixamos de conversar

A arte de estar presente

Comunicação não é apenas transmitir informação. É também ouvir, interpretar, improvisar, perceber o contexto, escolher palavras, fazer pausas, observar expressões, compreender gestos e responder ao que o outro realmente está dizendo.

É por isso que tenho defendido, em minhas colunas e livros, que comunicação é uma habilidade que precisa ser praticada. Falar bem se aprende falando. Ouvir bem se aprende ouvindo. E relacionar-se bem exige presença. Uma mensagem escrita não carrega exatamente o mesmo que uma conversa "olho no olho". E nenhuma tecnologia consegue viver uma experiência humana no nosso lugar.