23 de setembro de 2026

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Capitão Sully revela diagnóstico de doença neurológica e como vive hoje

Geral Alzheimer 23/09/2026 14:12 João Assad - Extra extra.globo.com

Herói do famoso pouso no rio Hudson, Chesley Sullenberger falou pela primeira vez sobre seus sintomas de demência e Parkinson, a rotina de tratamento com infusão mensal e o apoio da família.

Chesley Sullenberger III, mundialmente conhecido como Capitão Sully, o herói que salvou 150 vidas ao pousar um avião no rio Hudson em 2009, revelou em uma entrevista exclusiva que está enfrentando os primeiros sinais de doenças neurodegenerativas. O piloto falou abertamente sobre o diagnóstico, que inclui sintomas de Alzheimer e Parkinson, e explicou como tem lidado com a condição desde então. A declaração marca sua primeira comunicação pública detalhada sobre o assunto desde agosto de 2025.

Na conversa com a jornalista Robin Roberts, do programa Good Morning America, Sully adotou uma postura de resiliência. Ele afirmou que já superou desafios muito piores do que o enfrentamento da doença atual. Para ele, a situação é uma nova batalha na qual deve aplicar a mesma disciplina que usou no pouso histórico no rio.

  • Diagnóstico abrange sintomas de Alzheimer e Parkinson;
  • Sully realiza tratamento com infusão uma vez por mês;
  • Esposa e filha participaram da entrevista;
  • O objetivo é inspirar outros pacientes a não se isolar;
  • Sully se considera um membro do Hall da Fama da Aviação.

O método do herói diante da crise

Ao falar sobre o acidente que o tornou lendário, Sully relembrou a pressão daquele momento. Ele explicou que precisou criar um plano de pouso em apenas 208 segundos, sem ter treinado para essa situação específica. Segundo ele, se uma única pessoa não tivesse sobrevivido, teria sido considerado um fracasso trágico para a carreira dele. Agora, ele diz que trata o enfrentamento da doença de forma semelhante, focando apenas no que é possível controlar e ignorando o que não depende da sua vontade. Essa filosofia de priorizar o essencial tem guiado suas decisões nos últimos anos.

Sua esposa, Lorrie, foi fundamental para a decisão de tornar a questão pública. Ela explicou que, inicialmente, a família optou por silêncio, como muitas famílias fazem nesse tipo de cenário. Porém, Lorrie argumentou que a doença não é uma falha de caráter, mas uma condição médica. A esposa do piloto sugeriu que falar abertamente poderia ajudar outras pessoas que passam pela mesma situação a buscarem apoio e informação. A conversa teve o objetivo de quebrar o estigma e mostrar que buscar ajuda é um ato de coragem.

Sintomas cognitivos e rotina de tratamento

Sully descreveu com detalhes os primeiros sinais percebidos pelo sistema nervoso. A dificuldade principal tem sido lembrar o nome de pessoas próximas, algo que está ficando cada vez mais frequentre. Ele relata esquecer fatos recentes que geralmente não esqueceria ou se repetir em conversas sem perceber que a informação foi dada há apenas uma hora. Esses são sintomas típicos das doenças que afetam a memória e a cognição. Para combater a progressão, o ex-piloto segue um rigoroso tratamento médico.

O plano terapêutico inclui uma infusão realizada uma vez por mês. O objetivo principal dessa terapia é desacelerar o avanço da doença no organismo. Sully reconhece que, embora não haja cura, é possível gerenciar os sintomas e manter a qualidade de vida. A família mantém uma postura de otimismo cauteloso, sabendo que o futuro reserva desafios. Eles escolhem viver o presente com intensidade e amor, sem se paralisar pelo medo do que ainda não aconteceu.

Vivendo dia a dia com a família

A prioridade máxima do casal agora é o tempo de qualidade com as filhas, Katie e Kelly, e os netos. Kelly, filha de Sully, também participou da entrevista e falou sobre as incertezas que a condição paterna traz. Ela destacou que a família é de pessoas que gostam de ter planos definidos, o que torna a doença ainda mais desafiadora emocionalmente. A dificuldade está em aceitar o imprevisto que a saúde de Sully introduz no planejamento da família. Ainda assim, a proximidade e o carinho são as principais forças de sustentação emocional deles.

Lorrie expressou sua visão sobre o longo prazo de cuidados. Ela afirmou que seu plano é viver um dia de cada vez, sem tentar prever o amanhã. A esposa do herói da aviação reconhece a complexidade da situação, mas foca na paz interior. Para ela, o suporte mútuo entre o casal é a chave para atravessar essa tempestade. A família mantém a porta aberta para a comunidade, mostrando que não estão sozinhos nessa jornada.

O último voo e a esperança

Apesar do diagnóstico, Sullenberger busca transformar sua experiência em algo positivo para a sociedade. Ele sente que, assim como salvou vidas no voo de 2009, pode inspirar outros pacientes através da abertura. Sully vê seu presente momento como mais uma oportunidade para fazer a diferença. A postura de coragem dele visa mostrar que a dignidade pode ser mantida em todos os estágios da saúde. Ele encerra sua mensagem com uma metáfora aeronáutica poderosa.

Considerado um dos maiores nomes do futuro Hall da Fama da Aviação, Sully diz que este pode ser seu último voo. Ele afirma que, se for assim, pretende voar até o limite, com máxima intensidade e vitalidade. Essa frase resume a essência de sua atitude diante da doença. Ele não quer apenas sobreviver, mas viver cada instante ao máximo. O herói do rio Hudson continua sendo um símbolo de esperança para quem enfrenta doenças degenerativas.