23 de setembro de 2026

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Saúde mental impactada na busca por gestação com reprodução assistida

Geral Maternidade 23/09/2026 14:06 Assessoria Genics - Knewin

Especialistas explicam como a espera por um filho pode causar ansiedade, estresse e culpa, e quando é hora de buscar apoio psicológico durante o tratamento.

A espera pela chegada de um filho, mesmo cheia de esperança, pode trazer insegurança e ansiedade. Especialistas em reproduçãoo assistida destacam a importância do suporte psicológico durante o tratamento, já que o processo envolve muita ansiedade e sofrimento emocional.

Para a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo nessas circunstâncias. Isso porque a jornada até a gestação impacta profundamente a vida emocional do casal ou indivíduo.

Entenda os principais pontos da notícia

  • O acompanhamento psicológico previne o agravamento de problemas emocionais.
  • Homens e mulheres sofrem de formas diferentes devido às expectativas sociais.
  • É normal sentir tristeza pela gravidez de outra pessoa durante o tratamento.
  • Metade das pessoas com infertilidade apresenta sinais de estresse ou ansiedade.
  • O CVV e os CAPS oferecem ajuda gratuita na rede pública e por telefone.

No Brasil, muitos pacientes ainda ignoram esse lado emocional, tratando a fertilidade apenas como um problema médico. Porém, a clínica Genics enfatiza que o bem-estar mental faz parte do diagnóstico. O fundador Philip Wolff explica que o objetivo é fazer com que as pessoas se sintam parte do processo, cuidando da autoestima e minimizando o impacto de notícias negativas nos resultados.

A psicóloga perinatal Camila Gaspar pontua que o cuidado não deve esperar o sofrimento se tornar intenso. É possível buscar ajuda de forma preventiva, criando um espaço para entender as emoções e lidar melhor com as incertezas. Isso ajuda quem sente que a vida no trabalho, nos relacionamentos ou na visão de si mesma está sendo afetada pela busca pela gestação.

Como saber quando o sofrimento vira doença

Camila Gaspar explica que o limite entre ansiedade natural e quadro clínico está na intensidade e na duração dos sintomas. Avaliar como esses sentimentos atingem a rotina diária ajuda a diferenciar uma reação esperada a uma situação difícil de um problema que requer tratamento profissional ativo.

Dados de uma revisão de 44 estudos com mais de 53 mil mulheres mostram números preocupantes. Cerca de 23% têm depressão, 13% têm ansiedade generalizada e quase 80% relatam estresse. Esses índices reforçam a necessidade de acolhimento, sem minimizar a dor ou, ao contrário, medicalizar uma reação humana normal diante de uma situação de alta carga emocional.

É fundamental lembrar que sentir tristeza não significa ter uma doença mental imediata. É uma reação compreensível. Por isso, o acolhimento deve validar o sentimento da pessoa sem transformar automaticamente uma sensação passageira em um diagnóstico fixo ou definitivo.

Diferenças entre homens e mulheres

Embora tanto homens quanto mulheres sintam tristeza, culpa e medo, a forma como expressam essa dor varia. Para as mulheres, há mais liberdade social para falar sobre emoções, resultando em maior verbalização de ansiedade e depressão. Já os homens muitas vezes têm dificuldade de falar sobre o tema, devido à pressão sobre a masculinidade e a potência sexual.

Nos homens, o sofrimento pode se manifestar como silêncio, irritação ou excesso de trabalho para fugir de pensar no assunto. Isso não significa que a dor deles seja menor, apenas que é demonstrada de outro jeito. A Organização Mundial da Saúde confirma que a infertilidade afeta cerca de 1 em cada 6 pessoas no mundo, gerando estigma e impactos financeiros e sociais.

Reação à gravidez de terceiros e apoio

Muitas pessoas se sentem culpadas ao não conseguirem sorrir de imediato perante a notícia da gravidez de um amigo ou familiar. Camila Gaspar tranquiliza: é possível amar alguém e desejar o bem, mas ao mesmo tempo sentir dor pela própria dificuldade. Sentir-se assim não torna a pessoa egoísta ou ruim; é apenas uma emoção legítima diante de uma realidade pessoal dolorida.

Pensamentos como deveria estar feliz geram uma culpa desnecessária. O importante é reconhecer esses sentimentos sem se julgar moralmente. Quando a campanha do Setembro Amarelo se aproxima, os especialistas reforçam a busca por ajuda para sofrimentos persistentes. O Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente no 188 e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem suporte na rede pública de saúde.