A Lei 15.357 regulamenta a venda de produtos de saúde em marketplaces, ampliando o acesso, mas exigindo maior controle contra falsificações e vencidos.
A nova decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) muda as regras para a venda de medicamentos em sites de comércio eletrônico. Com a Lei nº 15.357, de março de 2026, plataformas como Mercado Livre, iFood e Shopee passarão a poder intermediar a venda de produtos farmacêuticos. Essa mudança reflete o hábito do brasileiro de resolver problemas pela internet.
Antes, para crescer, as farmácias precisavam abrir lojas físicas em locais movimentados. Agora, estar presente nesses grandes sites de vendas permite alisar a farmácia no dia a dia do consumidor. Isso abre portas para quem não tem uma unidade física próxima, mas também traz novos desafios de confiança e segurança.
O Crescimento das Compras pela Internet
- O comércio de itens de saúde online faturou R$ 21,58 bilhões em 2025, um aumento de 54,82%.
- Mais de 150 milhões de atendimentos foram realizados nesse período.
- 48% dos brasileiros compraram em farmácias pela internet no último ano.
- Os principais motivos para a compra online são a entrega em casa e preços menores.
- 69% dos consumidores ainda têm medo de receber produtos falsificados ou vencidos.
Os números mostram uma alta rápida no consumo digital do setor. De acordo com a FIA-USP, o mercado cresceu mais de 50% em 2025. Já o relatório do Opinion Box indica que quase metade da população já comprou remédios ou produtos de higiene pela web. A conveniência de ter o produto entregue em casa e o desconto são os grandes atrativos para os clientes.
O Desafio da Confiança e da Segurança
Para as grandes redes de farmácia, o desafio é simples: atender mais gente. Mas para os marketplaces, o esforço é maior. Eles precisam construir uma base de dados dos clientes do zero. Quando a compra acontece dentro do aplicativo ou site do marketplace, a plataforma passa a saber quais são os hábitos e preferências dos usuários. Isso faz com que a disputa não seja apenas pela venda, mas por quem tem mais influência sobre o consumidor no futuro.
No entanto, a facilidade de comprar não afasta os riscos. Um estudo mostra que quase 7 em cada 10 consumidores têm receio de receber itens falsos. Outros temores incluem receber produtos vencidos ou mal armazenados. Diferente de um roupa ou um eletrodoméstico, uma falha na venda de medicamentos pode afetar diretamente a saúde da pessoa. Por isso, a fiscalização da entrega e da origem do produto é essencial.
Futuro do Setor e Relacionamento com o Cliente
Para as farmácias tradicionais, o desafio é usar a força dos grandes sites sem perder o contato direto com os clientes. Se a drogaria concentra tudo em um site de terceiro, ela ganha escala, mas corre o risco de ser vista apenas como um fornecedor anônimo. O cliente pode vir a reconhecer mais a marca do aplicativo do que a da própria farmácia.
A nova lei abre caminho para uma presença digital maior, mas o sucesso depende de equilíbrio. As empresas precisam aliar a praticidade da tecnologia ao controle da qualidade e ao cuidado com o cliente. No final das contas, o caminho até a compra muda, mas a base do setor continua sendo a confiança e a responsabilidade com a saúde pública.

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