23 de setembro de 2026

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Mudanças bruscas de temperatura não causam gripe em crianças, diz médico

Geral Pediatra 23/09/2026 07:23 Dr. Gustavo Pinato via Assessoria de Imprensa Mídia Ária

Especialista explica que o sistema imunológico infantil ainda está em formação, o que explica a freqüência de infecções. Cuidados básicos como vacinas em dia, alimentação variada e higiene são as melhores formas de proteção.

Dias quentes seguidos por noites frias fazem parte da rotina em muitas regiões do Brasil. Para recém-nascidos, bebês e crianças pequenas, essas mudanças podem ser um desafio, pois a imunidade ainda está em desenvolvimento. A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que infecções respiratórias são comuns nessa fase, especialmente em quem frequenta creches.

É importante entender que a mudança de temperatura, por si só, não causa a gripe. Essas doenças são provocadas por vírus. Eles se transmitem por gotículas, contato ou superfícies sujas. O clima frio apenas facilita a circulação desses agentes, aumentando o contato entre as pessoas.

Como a imunidade infantil se desenvolve

O Dr. Gustavo Pinato, médico da Afya Ribeirão Preto, explica que o corpo da criança aprende a se defender com o tempo. Os bebês já nascem com uma defesa básica, mas a proteção específica contra vírus é construída aos poucos. Isso é feito pelas vacinas e pelo contato com diferentes doenças até o organismo "treinar" suas defesas.

"A imunidade adquirida vai se construindo aos poucos, principalmente, por meio das vacinas e também das experiências do organismo com diferentes agentes infecciosos. Isso ajuda a explicar por que os pequenos podem adoecer com mais frequência nos primeiros anos. É o sistema imunológico ainda treinando suas defesas, e não uma fragilidade permanente", explica o especialista.

  • O frio não causa a gripe, mas facilita a transmissão dos vírus entre as pessoas.
  • A imunidade completa leva anos para se formar através de vacinas e experiências.
  • Não existe comida mágica: a chave é comer de tudo com regularidade.
  • Lavar as mãos e ventilar ambientes são as ações mais eficazes contra vírus.
  • Vacinas em dia, sono regular e alimentação equilibrada são os pilares da proteção.

Adaptação térmica e cuidados básicos

Não é necessário proteger a criança do frio de forma extrema. O mais importante é permitir que o corpo se acostume com as variações. "Mais do que tentar evitar completamente a exposição ao frio ou ao calor, é preciso garantir condições para que o organismo da criança e do bebê consiga se adaptar adequadamente e manter seu funcionamento diante das variações de temperatura", orienta Pinato.

Na prática, isso significa usar roupas adequadas ao clima. Evite tanto agasalhar demais quanto expor a criança a calor excessivo. Em dias quentes, a hidratação é essencial. Também é bom evitar trocas bruscas entre ambientes muito quentes e muito frios, permitindo que o corpo regule a temperatura naturalmente.

O médico reforça que não existe uma temperatura perfecta fixa para todos os lugares. O foco deve ser a vestimenta adequada e a hidratação. O corpo infantil consegue se regular quando recebe esse suporte básico do ambiente e dos cuidados dos pais.

Alimentação, higiene e sono

Não tome remedios ou vitaminas sem orientação. Para uma criança saudável, suplementos não aceleram a imunidade. O foco deve ser a rotina: comer bem, dormir o suficiente, praticar exercícios, tomar banho e manter as vacinas em dia. A saúde emocional também importa, pois o estresse crônico pode afetar a defesa do corpo.

Quanto à comida, não precisa ser complicada. Uma dieta variada com frutas, verduras, carnes e grãos já fornece tudo que é preciso. "Uma rotina alimentar variada, com frutas, verduras, legumes, proteínas e grãos já garante nutrientes importantes para o funcionamento do sistema imunológico. O que realmente faz diferença é a regularidade e a variedade, e não a complexidade", explica o médico.

A higiene é a aliada principal contra a transmissão de vírus. Lavar as mãos com sabão ou álcool é essencial. Evite compartir copos e talheres e distancie-se de pessoas doentes. "Lavar as mãos com frequência é uma das principais medidas de prevenção. Também é importante não compartilhar objetos pessoais, como copos e talheres, e evitar contato próximo com pessoas doentes", afirma Pinato.

Vacinação e sinais de alerta

Dormir bem ajuda o corpo a se recuperar. Por isso, mantenha horários regulares de sono. As vacinas são as maiores barreiras contra doenças graves. Mantenha a caderneta de vacinação atualizada conforme a idade. A vacina contra a gripe, por exemplo, diminui muito o risco de complicações.

É normal que crianças adoeçam algumas vezes ao ano. Isso não significa que a imunidade esteja fraca. Apenas avalie a intensidade dos sintomas. Procure o pediatra se houver falta de ar, dormência excessiva, recusa de líquidos, desidratação ou febre que não melhora. O foco é cuidar da criança com rotina e proteção, não tentar impedir o contato com o frio.