Condição crônica afeta milhões de brasileiras e brasileiros; SUS passa a oferecer três novos medicamentos, avançando no tratamento desde as formas leves até os casos graves
A dor da pele que afeta milhões no Brasil
Pele seca, com descamação e uma coceira quase impossível de suportar. Essa é a realidade de quem convive com a dermatite atópica. A doença prejudica o sono, atrapalha a concentração e abala a autoestima. Trata-se de uma condição crônica que afeta bastante a população brasileira. Estima-se que entre 9% e 13% das crianças e entre 3% e 7% dos adultos tenham a doença no país.
A causa é genética. A dermatite atópica não passa de pessoa para pessoa, pois não é contagiosa. Em muitos casos, os sintomas aparecem logo na infância. Cerca de 60% dos pacientes já desenvolvem a condição no primeiro ano de vida.
- 23 de setembro é o Dia de Conscientização da Dermatite Atópica
- A condição tem forte componente genético e não é infectante
- Novos medicamentos foram incluídos no SUS em maio de 2025
- Habituação à higiene e ao uso de hidratantes é essencial para o controle
- A doença impacta o humor, podendo levar a ansiedade e depressão
Por que a pele sofre tanto
A doença surge pela combinação de fatores genéticos, ambientais e falhas no sistema imunológico. A pele do paciente tem uma barreira natural mais fraca. Isso faz com que ela perca água mais rápido e permita a entrada fácil de substâncias irritantes e alérgenas.
Diversos hábitos e situações no dia a dia podem piorar a doença. Banhos muito quentes e longos são um problema comum. O uso de sabonetes fortes também agrava o quadro. O atrito com roupas de lã ou tecidos sintéticos, climas secos, suor intenso, poeira, ácaros, estresse e a falta de uso diário de hidratantes são outros gatilhos frequentes.
Nos bebês, as lesões aparecem principalmente no rosto, pescoço e couro cabeludo. Em crianças mais velhas, adolescentes e adultos, os locais mais afetados são as dobrinhas dos joelhos e cotovelos, além do pescoço e das pálpebras.
"Em 80% das crianças acometidas, a doença se apresenta em forma leve", explica a Dra. Márcia Mallozi. Ela é Coordenadora do Departamento Científico de Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Segundo ela, cerca de 70% dos casos apresentam melhora gradual até o final da infância. Porém, para muitas pessoas, a condição permanece crônica, com períodos de alívio e de crises piores.
O sofrimento vai além da pele
Os efeitos da doença não ficam apenas na superfície. A médica destaca que, entre adultos com formas graves, metade sofre com ansiedade ou depressão. Além disso, 55% dos pacientes têm dificuldade para dormir, muitas vezes devido à coceira constante.
As marcas na pele e o desconforto contínuo geram consequências profundas. "As alterações na aparência da pele e a coceira persistente comprometem a qualidade de vida e provocam mudanças de comportamento, alterações do humor e do sono, isolamento social, podendo levar à ansiedade e depressão", alertou a Dra. Mallozi.
Por isso, ela ressalta que é fundamental que o tratamento inclua acompanhamento psicológico. O preconceito e o isolamento social afetam severamente as crianças em idade escolar, exigindo cuidado total da família e da escola.
Como tratar a dermatite atópica
O cuidado com a doença se apoia em três caminhos principais. O primeiro é a hidratação diária. É preciso usar hidratantes e sabonetes indicados pelo médico para reconstruir a proteção natural da pele.
O segundo caminho é o uso de medicamentos. Dependendo da gravidade, podem ser prescritos corticoides em pomadas, imunomoduladores ou imunossupressores.
O terceiro caminho é a prevenção. É preciso identificar os alérgenos e evitar os gatilhos que causam as crises. A Dra. Mallozi indica tomar um banho rápido por dia, com água morna.
Ela ainda explica que a imunoterapia, também chamada de vacina de alergia, pode ser útil em alguns casos, sempre com orientação médica. É essencial tratar também outras doenças que aparecem junto com a dermatite atópica.
Novas terapias chegam ao SUS
Avanços para casos moderados e graves
Nos últimos anos, a medicina trouxe melhoras importantes no tratamento. Especificamente para casos moderados a graves que não respondem bem aos tratamentos antigos, novas opções já estão disponíveis tanto na rede pública quanto na privada.
Em maio de 2025, o Ministério da Saúde anunciou uma novidade. Três novos medicamentos foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, o Sistema passa a oferecer tratamento integral, desde as formas leves até as mais graves.
A especialista destaca que o sucesso do tratamento depende de uma equipe multiprofissional. Esse acompanhamento médico garante que o paciente e sua família recebam todo o suporte necessário para lidarem com a doença no dia a dia.

Saude (IA)


