O mercado de trabalho deve mudar bastante nos próximos anos. Segundo o Relatório sobre o Futuro dos Empregos de 2025-2030, do Fórum Econômico Mundial, as mudanças tecnológicas, econômicas, demográficas e ambientais devem gerar 170 milhões de novos empregos e afastar 92 milhões de posições, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de oportunidades no período.
Ao mesmo tempo, o estudo estima que 59% da força de trabalho precisará de treinamento, seja por reskilling ou upskilling. Esses termos significam adotar novas habilidades por meio de aprendizado técnico (reskilling) ou aprimorar competências que já existem (upskilling).
A transformação, no entanto, não se limita apenas ao lado técnico. O relatório aponta que, embora áreas como inteligência artificial, big data, redes e cibersegurança ganhem relevância, habilidades humanas como pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança e influência social também estão em ascensão.
O estudo estima ainda que 39% das competências atuais dos trabalhadores sejam transformadas ou fiquem desatualizadas até 2030. Diante disso, surge um novo desafio para quem ocupa cargos de liderança: como desenvolver as pessoas quando as próprias necessidades das organizações mudam ao mesmo tempo
Para André Conejo, especialista em liderança, estratégia e governança corporativa e autor de "Ultimate Corporate Leader: 41 princípios para formar líderes extraordinários e transformar organizações", publicado pela Alta Books, a resposta passa por abandonar uma visão excessivamente centrada na figura do gestor.
A tríade da liderança
Um dos conceitos centrais do especialista é a "Tríade da Liderança", formada por três pilares: Líder, Liderado e Contexto. Segundo Conejo, analisar apenas as características de quem ocupa uma posição de comando é insuficiente para entender como a liderança funciona dentro das organizações.
"Quando falamos sobre preparar profissionais para o futuro, não podemos olhar apenas para as competências que precisam ser desenvolvidas. A liderança também precisa mudar sua forma de enxergar as pessoas e as situações. A Tríade da Liderança parte justamente dessa premissa: não existe liderança sem considerar o líder, o liderado e o contexto em que essa relação acontece. Em um mercado no qual as funções e as habilidades estão se transformando rapidamente, compreender essa interação é fundamental para que o desenvolvimento das pessoas esteja conectado às necessidades reais da organização", explica o especialista.
Considerar essas três dimensões adquire ainda mais relevância diante da necessidade de requalificação apontada pelo Fórum Econômico Mundial. Se competências, funções e modelos de trabalho estão mudando, cabe ao líder compreender não apenas quais conhecimentos devem ser desenvolvidos, mas quem são as pessoas que compõem sua equipe, quais são suas capacidades, como aprendem, quais necessidades possuem e qual contexto organizacional influencia seu desempenho.
Na visão apresentada no livro, a liderança é uma relação bidirecional. O liderado não é apenas um receptor passivo das decisões do gestor. Ele participa da construção da legitimidade do líder, influencia a dinâmica da equipe e possui papel ativo na relação. Em um cenário de transformação profissional, essa perspectiva pode alterar a maneira como empresas pensam treinamento, desenvolvimento e formação de talentos.
Números sobre adaptação
O próprio estudo reforça a necessidade de uma abordagem contida. Segundo as constatações, 85% dos empregadores pesquisados afirmam esperar adotar o aprimoramento das competências da força de trabalho como estratégia entre 2025 e 2030, enquanto 70% planejam contratar profissionais com novas competências.
Adaptação constante
O terceiro elemento da Tríade é o Contexto. Para Conejo, não existe um modelo universal de liderança que funcione independentemente da situação. O comportamento necessário para conduzir uma empresa durante uma crise, por exemplo, pode não ser o mesmo exigido para liderar uma transformação cultural ou desenvolver uma equipe altamente especializada.
Essa perspectiva ajuda a discutir um dos desafios trazidos pelo novo cenário de trabalho. Não basta preparar profissionais para novas competências se os líderes continuarem utilizando modelos antigos de gestão.
Em ambientes marcados pela inteligência artificial, pela necessidade de aprendizado contínuo e pela reorganização de funções, o papel do gestor pode deixar de estar concentrado apenas em cobrar resultados para incluir também a criação das condições necessárias para que as pessoas aprendam, se adaptem e contribuam.
- Até 2030, o número de novos empregos no mundo pode subir mais do que o de vagas eliminadas.
- Ao todo, 59% da força de trabalho global precisará de novas habilidades nos próximos anos.
- Quase metade das competências atuais dos trabalhadores será alterada ou virará desatualizada até 2030.
- Pesquisa indica que 85% dos empregadores pretendem valorizar o aprimoramento de competências da equipe.
- O especialista defende que a liderança precisa enxergar líder, liderado e contexto como um conjunto.

André Conejo, especialista em liderança, estratégia e governança corporativa, autor de Ultimate Corporate Leader: 41 princípios para formar líderes extraordinários e transformar organizações.




