Pesquisa ISER/Quaest revela que 90% dos brasileiros são contra campanhas eleitorais em espaços religiosos. A rejeição é geral, mas a recomendação de voto em líderes evangélicos varia por denominação.
Em ano de eleições, quando templos costumam ser usados como palanques políticos, uma nova pesquisa mostra que a maioria dos fiéis no Brasil não aceita isso. O estudo nacional Religião e Vida Pública no Brasil indica que os brasileiros rejeitam de forma clara a mistura de política e religião.
A pesquisa foi feita pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) junto com a empresa Quaest. Os dados mostram que a recusa à política dentro de igrejas é grande em todos os grupos religiosos, mas muda um pouco dependendo do tipo de igreja.
90% dos brasileiros são contra candidatos de campanha dentro de igrejas.
83% acham errado que líderes religiosos digam em quem votar.
82% não querem debater política em espaço sagrado.
Na Igreja Universal (IURD), 23% aceitam campanhas eleitorais, índice bem acima da média.
A Igreja Católica tem a maior confiança do público (37%), seguida por Forças Armadas e Evangélicos (26%).
Política dentro dos templos é malvista
A maioria dos brasileiros não quer ver candidatos fazendo campanha em igrejas. Entre os católicos, 91% rejeitam a prática. Entre os evangélicos, o índice é de 88%, e entre os adeptos de religiões de matriz africana, também 88%. Apenas 8% dos brasileiros concordam com a presença de campanha em igrejas.
A rejeição também se estende às indicações de voto pelos líderes. 83% da população discorda que pastores ou padres orientem em quem votar. Mesmo assim, algumas denominações têm índices diferentes. Na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), 23% dos fiéis aceitam campanhas eleitorais, quase três vezes a média nacional.
Quando se fala em recomendação de voto feita por líderes, a IURD também chama atenção. 26% dos membros dessa igreja dizem que aceitaram orientação de voto da liderança. O dobro da média nacional, que fica em 13%.
Quem indica em quem votar no Brasil
A maioria dos fiéis diz que não recebeu orientação política no segundo turno de 2022. 78% dos entrevistados relataram que não houve indicação de voto. Porém, dentro do campo evangélico, o jogo é diferente. A recomendação de votar em Jair Bolsonaro foi feita para 22% dos evangélicos, enquanto apenas 4% receberam indicação para votar em Lula.
Entre os católicos, 5% relataram ter tido recomendação de voto em Bolsonaro. Entre as religiões de matriz africana, o número é de 6%. A diferença entre as igrejas não vem da doutrina religiosa, mas da estrutura da instituição.
A Igreja Quadrangular lidera o índice de indicação de votos em Bolsonaro, com 29%. A IURD vem em seguida, com 27%, e as Assembleias de Deus, com 26%. A IURD também lidera a indicação de voto em Lula, com 12%, o que mostra que lá a política é mais forte, independentemente do partido.
Como a pressão moral funciona na igreja
O estudo mostra que o voto não é imposto de forma direta, como uma ordem. O voto se forma pela pressão moral e pelo ambiente da comunidade. A indicação só funciona quando bate com os valores que a pessoa já vive no dia a dia.
A Igreja Católica lidera a confiança da população, com 37% dizendo que confiam muito. As Forças Armadas e as Igrejas Evangélicas ficam em segundo, com 26% cada. As pessoas querem proteger o templo porque medo que a briga política suja o espaço sagrado.
Os partidos políticos são os menos confiados do país. Apenas 3% da população diz confiar muito neles. 64% não confiam e apenas 8% confiam um pouco. Isso explica por que a maioria dos fiéis não quer ver política dentro da igreja.
Como a pesquisa foi feita
O estudo ouviu 15.000 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais e em casa. A pesquisa visitou 412 municípios em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 0,8 ponto percentual, com 95% de confiança.
O ISER é uma organização laica que defende os direitos humanos e a democracia. Desde 1970, o instituto estuda o papel das religiões na vida pública. A Quaest foi parceira na coleta de dados. O trabalho ajuda a entender como os brasileiros veem a relação entre fé e política hoje.

Pesquisa (IA)


