21 de setembro de 2026

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Famosas revelam dores da menopausa e alertam sobre riscos à saúde

Geral Menopausa 21/09/2026 18:30 Assessoria Maximus / Mayara Rodrigues

Relatos de Fernanda Lima e Flávia Alessandra sobre insônia, névoa mental e outros sintomas da transição hormonal ajudam mulheres a reconhecer signos comuns, segundo especialistas que destacam a importância do diagnóstico precoce.

Quando grandes nomes como Fernanda Lima e Flávia Alessandra contam sobre a dor da transição hormonal, elas fazem um favor enorme à sociedade. A ginecologista Fabiane Berta explica o que acontece no cérebro nesse período e revela os segredos por trás de sintomas como a névoa mental (dificuldade de concentração) e a falta de sono na perimenopausa.

O objetivo é desmistificar o assunto e mostrar que muitas mulheres sofrem caladas com problemas que poderiam ser tratados com ajuda médica.

  • Fernanda Lima relatou problemas de memória, sono, libido, secura vaginal e ganho de peso no programa 'Provoca'.
  • Flávia Alessandra contou sobre noites sem dormir, boca seca, queda de cabelo e alterações na pele.
  • A ginecologista Fabiane Berta explica que a oscilação do estrogênio antes da menopausa (perimenopausa) causa mais instabilidade do que a queda final do hormônio.
  • Os sintomas incluem ansiedade, sono fragmentado e dificuldade cognitiva ('brain fog').
  • Muitas mulheres são diagnosticadas como saudáveis apenas porque ainda menstruam, ignorando os sintomas reais da transição.

Quando Fernanda Lima diz que o calorão é apenas uma parte pequena do problema, a discussão sobre o assunto ganha uma nova dimensão. A apresentadora fala de memória, sono, libido, ressecamento vaginal e ganho de peso no programa Provoca, de Marcelo Tas. Meses depois, trechos da entrevista continuam sendo compartilhados nas redes sociais. Recentemente, Flávia Alessandra também compartilhou as dificuldades que viveu durante a transição hormonal, aumentando essa identificação do público.

O que une esses dois relatos não é apenas a fama das atrizes, mas a forma como descrevem situações que fazem parte da rotina de muitas mulheres. Fernanda fala sobre lapsos de memória, perda de raciocínio e mudanças no corpo, enquanto Flávia relata noites insone, boca seca, queda de cabelo e alterações na pele. Ao mostrarem essas experiências, elas ajudam a diminuir a sensação de isolamento e provam que esses sinais, muitas vezes vistos como individuais, merecem atenção médica.

A força do relato para o diagnóstico

A ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta afirma: Quando uma mulher conhecida fala eu também passei por isso, ela oferece uma referência que muitas pacientes nunca tiveram. Elas deixam de pensar que estão enlouquecendo, ficando preguiçosas ou perdendo a capacidade de trabalhar. Essa identificação não substitui o diagnóstico, mas pode ser o primeiro passo para que a mulher entenda que precisa investigar o que está acontecendo.

Na entrevista que volta a viralizar, Fernanda também destaca a perimenopausa e explica que essa fase pode começar anos antes da última menstruação. Nesse período, muitas mulheres chegam ao consultório com sintomas, fazem exames e ouvem que está tudo certo porque ainda menstruam. Sem entender o que sentem, seguem procurando respostas para alterações no sono, na memória e no metabolismo.

O impacto das oscilações hormonais

Segundo a médica, um dos pontos menos compreendidos é que a flutuação do estrogênio pode causar mais instabilidade do que a própria queda do hormônio que ocorre depois. Isso acontece porque o cérebro recebe sinais hormonais irregulares e precisa se adaptar repetidamente a essas mudanças. O resultado pode ser ansiedade que aparece e some, noites mal dormidas e períodos de névoa mental.

A perimenopausa não é apenas um momento de falta de estrogênio. É uma fase de oscilação, e o cérebro precisa responder continuamente a sinais que mudam. Essa inconsistência na sinalização estrogênica interfere em regiões que controlam o estresse, o sono e a cognição. Por isso, a mulher pode estar bem numa semana e, na seguinte, sentir que perdeu completamente o equilíbrio, explica Fabiane.

A médica descreve três mecanismos que ajudam a entender essa instabilidade. O estradiol participa do controle do estresse, e quando oscila, o cortisol também pode variar, favorecendo a ansiedade. Ao mesmo tempo, a queda da progesterona reduz um composto chamado allopregnanolona, o que pode prejudicar a manutenção do sono e causar despertares frequentes na noite.

Mecanismos cerebrais e tratamento integrado

O terceiro mecanismo envolve os receptores de estrogênio no cérebro. Diante das mudanças hormonais, a densidade desses receptores pode aumentar como tentativa de compensação, enquanto o sistema nervoso se reorganiza. Essa adaptação ajuda a explicar episódios de névoa mental, quando surgem esquecimentos, dificuldade de concentração ou a sensação de perder o raciocínio no meio de uma tarefa.

Esses três eixos conversam entre si. Ansiedade piora o sono, dormir mal interfere na cognição e a dificuldade cognitiva aumenta a sensação de estresse. Tratar cada manifestação como se fosse um problema isolado pode não resolver a origem do quadro. É um sistema que se retroalimenta e precisa ser compreendido de forma integrada, afirma a pesquisadora.

Por isso, a avaliação da perimenopausa não depende apenas de um exame de hormônio isolado ou da presença de ondas de calor. Os ciclos menstruais podem continuar enquanto essas oscilações já afetam o humor, o sono, a memória e a sexualidade. A história clínica, a intensidade das mudanças e a percepção da própria paciente ajudam a formar um quadro mais completo.

A escuta atenta da história da paciente

A mulher conhece o próprio padrão. Ela sabe como dormia, como trabalhava, como pensava e como o corpo respondia antes. Quando tudo começa a mudar ao mesmo tempo, precisamos escutar essa história. Perimenopausa não é um diagnóstico feito por uma fotografia hormonal de um único dia. É uma transição que precisa ser compreendida no contexto daquela mulher, explica Fabiane.

Já o relato de Flávia amplia esse olhar ao trazer manifestações que dificilmente aparecem na primeira associação feita com menopausa. Boca seca, mudanças na pele, queda de cabelo e insônia podem levar a diferentes especialistas antes que alguém considere a transição hormonal como parte da investigação. No material publicado pela atriz, quatro noites seguidas sem dormir mostram o quanto essas alterações interferem diretamente na rotina.

Para a ginecologista e pesquisadora, é justamente aí que a exposição de figuras públicas ganha relevância. A celebridade não transforma experiência pessoal em evidência científica, mas consegue fazer a pergunta será que isso também está acontecendo comigo chegar a milhões de mulheres. Depois desse questionamento vem a parte médica. O papel da ciência é investigar, diferenciar causas e construir uma conduta individualizada, finaliza.