21 de setembro de 2026

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PF revela negociação suspeita entre assessora de Flávio Bolsonaro e miliciano

Geral Política 21/09/2026 18:05 Redação Bahia Notícias bahianoticias.com.br

Investigação da Polícia Federal mostra que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, teve conversas com Robson Calixto, conhecido como 'Peixe', envolvendo o repasse de R$ 199 mil em emendas parlamentares.

Investigação da PF Liga Assessora a Miliciano

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) descobriu que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro, atual candidato à Presidência da República pelo PL, negociou em 2023 o repasse de emendas parlamentares com Robson Calixto, apelidado de "Peixe". Calixto foi condenado neste ano por integrar uma organização criminosa no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Conforme apuração policial divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo, a assessora parlamentar Maria de Fátima Bezerra Castro enviou um convite para que o miliciano participasse de um evento com o senador. O objetivo seria permitir que ele cobrasse a liberação de verbas de forma presencial.

  • A negociação envolveu R$ 199 mil em emendas parlamentares.
  • A assessora é identificada nas mensagens como "Fafá Flávio Bolsonaro".
  • As conversas foram interceptadas no celular de Calixto em 2024.
  • O TCU apontou indícios de desvio de recursos no destino do dinheiro.
  • Flávio Bolsonaro afirma que cumpriu a legislação vigente.

Contexto da Operação Emendatio

Essas informações fazem parte de um inquérito aberto pela PF em julho deste ano, batizado de Operação Emendatio. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar possíveis desvios de emendas enviadas a instituições no Rio de Janeiro ligadas ao ex-deputado Chiquinho Brazão e ao ex-conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão.

Até agora, não se sabia publicamente que a operação envolveria o repasse de R$ 199 mil feito via emenda de Flávio Bolsonaro. O senador não foi alvo de mandados de busca ou apreensão nesta ação específica.

Detalhes das Conversas e Cobranças

A PF apreendeu essas conversas no celular de Calixto em março de 2024, durante uma busca e apreensão. No aparelho, a assessora constava como "Fafá Flávio Bolsonaro". As mensagens mostram cobranças feitas pelo investigado por verbas entre outubro e novembro de 2023.

O Portal da Transparência confirma que o valor de R$ 199 mil da emenda do senador foi transferido para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) em 29 de novembro de 2023. Calixto solicitou novos repasses no ano seguinte, mas não há registro de outras transferências realizadas por ele nesse período.

Exigência de Ingressos e Risco de Desvio

A investigação indica que Maria de Fátima aconselhou o interlocutor a encontrar Flávio Bolsonaro pessoalmente. Como vantagem indevida, a assessora solicitou quatro ingressos para um camarote no Sambódromo durante o desfile das campeãs do Carnaval do Rio de Janeiro. Calixto pediu os bilhetes a um empresário local, que os forneceu para atender à exigência.

A PF aprofundou a análise após suspeitas surgirem em reportagem do jornal O Globo, em março deste ano. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), anexada ao inquérito, revelou que parte do dinheiro destinado ao Ifop foi usada para pagar um escritório de advocacia pertencente aos próprios donos do instituto. Isso gerou fortes indícios de desvio de recursos públicos.

Resposta de Flávio Bolsonaro e Outras Investigações

Essa é a segunda vez recentemente que o nome do senador aparece em uma investigação da PF. Ele também é citado em outro inquérito sobre recursos solicitados pelo banqueiro Daniel Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos, sob a justificativa de patrocínio ao filme "Dark Horse", que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em nota, Flávio Bolsonaro declarou que a destinação do montante seguiu a lei e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Ele afirmou que a entidade executora apresentou notas fiscais e devolveu sobras, reforçando que a responsabilidade é da entidade, não do parlamentar. O senador não comentou as conversas com a assessora. Maria de Fátima e a defesa de Calixto não responderam aos contatos, enquanto as defesas dos Brazão negam envolvimento na situação.