18 de setembro de 2026

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Tecnologia e DNA desvendam crimes antigos que pareciam sem solução

Geral Cold cases 18/09/2026 14:23 Mariana Ribeiro / Dam Press Comunicação

Investigações modernas e análise de DNA permitem resolver casos de décadas atrás, como o da menina Rachel e o Golden State Killer, desde que as provas sejam bem preservadas.

A perita criminal Karine Vieira de Castro Quadros, que atua nos Estados Unidos, explica como avanços técnicos ajudam a resolver os chamados "cold cases", ou seja, crimes que ficaram sem resposta por muitos anos. Esses casos, que pareciam impossíveis de fechar, estão sendo esclarecidos graças à preservação correta de provas biológicas e ao uso de ferramentas genéticas modernas.

Um dos exemplos mais marcantes no Brasil é o assassinato da menina Rachel Genofre, que tinha apenas 9 anos quando morreu em Curitiba, no Paraná, em 2008. O caso ficou aberto por cerca de 11 anos. Em 2019, o Banco Nacional de Perfis Genéticos encontrou uma ligação entre o material genético guardado da cena do crime e um homem que já estava preso em São Paulo, o que permitiu esclarecer o ocorrido.

  • Tecnologias atuais conseguem extrair informações de amostras de DNA muito pequenas ou danificadas pelo tempo.
  • A genealogia genética permite criar árvores familiares para encontrar suspeitos que não estão em bancos de dados criminais.
  • A preservação correta das provas durante os primeiros anos do crime é essencial para que análises futuras sejam possíveis.
  • A técnica da genealogia genética serve como um indício e não prova conclusiva, exigindo confirmação posterior.
  • Outras ferramentas, como análise de digitais, reconhecimento facial e exames tóxicológicos, também ajudam a revisar velhos casos.

O poder dos DNA e da preservação de provas

Para Karine Quadros, o caso de Rachel mostra que uma evidência guardada pode se tornar a chave do mistério anos depois. A tecnologia atual é capaz de ler informações de amostras que, no passado, eram consideradas ruins ou insuficientes. No entanto, a especialista alerta que a tecnologia não funciona sozinha:

"O que pode parecer, no momento, um caso sem solução e sem respostas, pode se tornar justamente a peça que faltava para solucionar um crime anos depois, quando uma nova tecnologia estiver disponível", afirma Karine. Ela enfatiza que é necessário ter uma boa investigação, uma interpretação científica correta e muita cuidadoso com as provas guardadas ao longo do tempo.

Buscando pistas através de ancestrais

Quando o suspeito do crime não está preso nem tem registro em bancos de dados, os investigadores usam a genealogia genética. Eles pegam o material genético da cena do crime e procuram em sites de pesquisa de ascendência se alguém com parentesco aparece. A partir daí, é possível desenhar a árvore genealógica até chegar a um suspeito provável.

Um caso famoso nos EUA é o do "Golden State Killer". Entre 1970 e 1986, o ex-policial Joseph DeAngelo cometeu vários assassinatos, estupros e roubos na Califórnia. Sua identidade só foi descoberta em 2018. Os policiais usaram a genealogia genética para montar a árvore da família dele, encontraram um parente e conseguiram identificar o autor dos crimes.

Cuidados essenciais e outras ferramentas

Karine Quadros ressalta que a identificação via genealogia é apenas um começo. "Não significa que a pessoa identificada automaticamente seja o autor do crime. A identificação precisa ser confirmada", pontua. É preciso que a polícia trate essa pista com cautela e peça provas adicionais.

Um dos maiores problemas com casos antigos é o estado do material biológico. Se o DNA foi mal guardado, ele pode apodrecer, ficar contaminado ou ter sido coletado em quantidade insuficiente. Uma mesma amostra pode servir para um exame simples, mas não para testes genéticos complexos. Por isso, guardar a maior quantidade de prova possível é vital.

Além do DNA, outros avanços também ajudam a rever crimes antigos. Isso inclui a melhora na leitura de impressões digitais, o reconhecimento facial por computador, a análise de vídeos antigos e exames de venenos ou drogas (toxicologia). Também a análise de dados digitais armazenados em computadores antigos pode revelar novas pistas.

Esse trabalho exige muita parceria entre a polícia, laboratórios e especialistas de diferentes áreas. É fundamental que todos os passos sejam documentados de forma rigorosa, registrando quem tocou na prova e quando. A perita conclui que a tecnologia mais avançada do mundo depende de uma coleta e guarda de qualidade das evidências no passado.

"A tecnologia mais sofisticada do mundo continua dependendo da qualidade das evidências que chegaram ao laboratório", conclui Karine Quadros.