Curso internacional em São Paulo ensina a salvar vidas com tecnologia avançada de suporte ao coração, promovendo uma nova era no tratamento de paradas cardíacas no país.
A Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) vai promover em 13, 14 e 15 de outubro de 2026, na cidade de São Paulo, o Paris Rescue Team Course. Trata-se de um treinamento internacional focado na ressuscitação cardiopulmonar extracorpórea, conhecida pela sigla ECPR, para pacientes que sofreram uma parada cardíaca difícil de reverter com métodos tradicionais.
O evento oferecerá apenas 40 vagas, garantindo uma experiência muito prática e profunda, onde os alunos terão contato constante e próximo com os instrutores e outros participantes.
- O curso é conduzido por Lionel Lamhaut, especialista de Paris que há mais de 10 anos usa essa técnica em emergências na rua.
- A técnica é diferente de apenas ligar máquinas; ela exige entender todo o sistema de atendimento, desde encontrar o problema até o cuidado final no hospital.
- A intenção não é copiar o modelo francês, mas criar uma solução que funcione com os recursos que o Brasil já possui hoje.
- As atividades serão feitas em inglês, sem tradução simultânea, exigindo domínio do idioma ou atenção extra.
- O evento é para médicos de emergência, intensivos e cardiologistas, mas também para quem ainda está planejando montar uma estrutura desse tipo.
Um especialista mundial à frente da capacitação
O destaque do treinamento é a figura de Lionel Lamhaut, professor da Université Paris Cité. Ele é reconhecido como um dos primeiros no mundo a usar essa técnica de suporte ao coração fora do ambiente hospitalar, ou seja, em vias públicas ou ambulâncias. Lamhaut comanda o programa do Hôpital Necker, em Paris, que trabalha há mais de uma década com essa abordagem.
Entendendo a lógica do sistema completo
O foco da aula não é ensinar apenas como conectar os tubos de um aparelho de oxigenação por membrana extracorpórea, o ECMO. A ideia é ensinar a lógica de todo o atendimento: como identificar a parada, fazer a massagem cardíaca de alta qualidade, escolher quem receberá a terapia, decidir o momento certo, conectar a máquina, estabilizar o paciente e levá-lo para a unidade de intensiva.
A proposta é compreender todo o sistema: desde o reconhecimento da parada cardiorrespiratória, RCP de alta qualidade, decisão sobre ECPR, seleção do paciente, transporte ou ECMO no local, canulação, estabilização e transferência para terapia intensiva, explica Hélio Penna Guimarães, membro do conselho da International Federation of Emergency Medicine (IFEM) e representante para a América Latina.
Aprendizado com base em experiências reais
Os três dias de curso misturam teoria científica, discussão de casos reais, práticas com manequins ou simulações e debates. O objetivo final é melhorar a tomada de decisão e a coordenação entre as equipes de resgate. Os alunos também poderão falar com a equipe de Paris, conhecendo os problemas práticos que surgem quando se implementa essa tecnologia no dia a dia.
Significa aprender não apenas a partir da literatura ou de protocolos, mas também de uma experiência operacional real. É um dos elementos que torna o curso particularmente diferente, afirma Hélio Penna Guimarães.
Adaptando a tecnologia à realidade brasileira
Outro ponto-chave é ligar todas as partes do cuidado: da chamada de socorro na rua até o leito de terapia intensiva no hospital. Na prática, muitas dificuldades com essa técnica aparecem antes mesmo de ligar a máquina. É preciso identificar o paciente rápido, seguir critérios claros, ter tempo de resposta e organizar bem as equipes.
Para a ABRAMEDE, trazer essa experiência ao Brasil serve para ampliar a discussão sobre ressuscitação difícil e criar estratégias que façam sentido aqui. O país está crescendo, mas ainda há muitas diferenças entre os hospitais e serviços de saúde na forma de tratar esses casos.
O Brasil vive um momento de expansão, mas ainda existe muita heterogeneidade entre os serviços na condução da ressuscitação avançada, ECPR e ECMO. Nossa proposta não é simplesmente reproduzir o modelo francês, mas discutir princípios que possam ser aplicados considerando as características e os diferentes níveis de recursos disponíveis no País. Antes de comprar a máquina, é preciso construir o sistema que fará a máquina chegar ao paciente certo, no momento certo, destaca o emergencista Hélio Penna Guimarães.
Os participantes alvo são principalmente médicos de emergência e outros profissionais envolvidos com ECPR e ECMO, mas o curso é aberto a quem deseja aprender mais. Entre os interessados estão também profissionais de medicina intensiva, cardiologia, anestesia, atendimento pré-hospitalar e perfusão, além de equipes que querem montar um programa do zero no próprio hospital.
Não é necessário já trabalhar diretamente com ECMO para participar. A proposta é oferecer uma visão ampla da estratégia e de sua organização, permitindo compreender não apenas como utilizar a tecnologia, mas principalmente quando, por que, onde e como integrá-la à cadeia de atendimento, conclui.
Quem concluir o curso receberá um certificado internacional de participação e conclusão, seguindo as regras da organização e da ABRAMEDE. Vale lembrar que todas as falas estarão em inglês, sem serviço de tradução simultânea.
Detalhes do evento
Nome do Curso: Paris Rescue Team Course ABRAMEDE
Datas: 13 a 15 de outubro de 2026
Cidade: São Paulo (SP)
Instrutor Principal: Lionel Lamhaut
Público: Emergencistas e profissionais interessados em ECPR/ECMO
Certificação: Internacional
Idioma: Inglês (sem tradução simultânea)

ECPR (IA)


