Médico especialista alerta que procedimentos virais nas redes sociais podem comprometer a harmonia natural do rosto; a decisão estética deve partir do diagnóstico individual e não da tendência momentânea de celebridades.
Até que ponto seguir uma tendência estética pode fazer alguém abrir mão da própria identidade facial O Dr. Georgen Hauagge, médico especialista em Cirurgia e autor do livro 'Seu rosto não é moda', aborda essa reflexão em artigo sobre a influência das redes sociais nas escolhas por procedimentos estéticos.
O texto discute a importância de considerar o diagnóstico e as características individuais antes de seguir técnicas que viralizam, além dos riscos de usar celebridades como referência para mudanças no rosto.
As redes sociais transformaram os procedimentos estéticos de decisões pessoais em febre coletiva. O que antes era uma escolha baseada na necessidade, agora nasce do desejo de imitar o que está 'virando hit' na internet. O perigo reside no fato de que as modas têm data de validade, enquanto as cirurgias ou alterações faciais são permanentes.
- Tendências estéticas nas redes sociais podem induzir pessoas a fazer procedimentos que não combinam com a estrutura de seus rostos.
- O envelhecimento é um processo complexo que envolve ossos, gordura e músculos, não apenas a pele.
- Copiar o rosto de uma celebridade pode quebrar a harmonia natural, pois cada pessoa tem proporções únicas.
- Nem toda insatisfação estética precisa ser resolvida com cirurgia ou preenchimento; muitas vezes, a melhor opção é não fazer nada.
- Naturalidade não significa 'não fazer nada', mas sim equilíbrio entre tratar o que falta ou o que sobra.
O erro de copiar rostos famosos
Na medicina, a ordem lógica é simples: primeiro vem o diagnóstico e, só depois, o tratamento. Cada paciente tem uma história e necessidades únicas. Uma queixa simples pode ter causas muito diferentes, o que prova que não existe uma técnica que funcione para todos, mesmo que seja a favorita dos famosos.
Por exemplo, o lifting facial está na moda, mas ele nem sempre é a solução. Há casos em que um preenchimento basta, outros em que a cirurgia é a melhor saída, e situações onde fazer qualquer mudança é o erro mais grave possível. Tentar resolver problemas complexos de envelhecimento só com uma intervenção única pode distorcer o rosto.
A complexidade do envelhecimento
O envelhecimento não é apenas uma questão de rugas. Ele envolve a perda de estrutura óssea, a diminuição de gordura facial, mudanças nos músculos e a flacidez da pele. Ignorar essa complexidade para fazer algo que está 'na moda' pode comprometer a harmonia da face.
Outro erro comum é chegar na consulta médica portando a foto de uma celebridade como modelo. Copiar traços de outra pessoa não é sinônimo de ficar bonito; é o fim da naturalidade. O objetivo da medicina estética deve ser ajudar a pessoa a alcançar sua melhor versão, não transformá-la em um clone de alguém famoso.
Naturalidade é equilíbrio, não ausência de ação
Muitas pessoas entendem 'naturalidade' como 'não fazer nada'. Essa é uma visão equivocada. A verdade é que a naturalidade é um equilíbrio. Como o envelhecimento é profundo, ele não se resolve apenas 'esticando' a pele ou 'inflando' o rosto com substâncias.
Em alguns casos, é preciso repor o que falta; em outros, reduzir o que sobra. Às vezes, pequenas intervenções preservam mais a identidade do que tentar corrigir tudo de uma vez. O médico enfatiza que a estética moderna exige sabedoria para saber a hora de parar.
Quando o melhor procedimento é não operar
Uma das maiores virtudes da estética atual é saber dizer 'não'. Nem todo desejo de paciente é uma indicação médica válida. Nem toda insatisfação precisa ser resolvida com uma agulha ou bisturi.
Muitas vezes, a melhor decisão é não fazer o procedimento, especialmente se ele for impulsionado apenas pela moda dos influenciadores.
O perigo da busca pela perfeição
Há um zona de risco na busca pela perfeição: quando o rosto já está equilibrado, insistir em mudar pode levar ao exagero e ao artificial.
A estética facial harmônica é saber parar no momento certo. Em vez de perguntar 'o que está na moda', a pergunta correta é 'qual é o meu diagnóstico' e 'o que é melhor para o meu caso'. A decisão deve vir antes de escolher a técnica.
No fim, a maturidade estética é reconhecer que o melhor procedimento é, muitas vezes, aquele que exige as menores modificações para preservar quem você é.
Dr. Georgen Hauagge é médico especialista em Cirurgia, pós-graduado em Dermatologia, Medicina Estética e Visagismo, além de autor do livro 'Seu rosto não é moda'.

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