17 de setembro de 2026

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Bebê recém-nascido morre poucos dias após a mãe em Realengo

Geral Morte 17/09/2026 16:34 Thalita Queiroz e Manuella Viegas - O DIA meiahora.com.br

Jade Duarte de Moura não resistiu a uma infecção que também ceifou a vida da mãe, Jéssica Duarte Gonçalves. A família acusa negligência médica em ambos os casos, o que está sendo investigado pela polícia.

Poucos dias após ser internada na tentativa de salvar a vida da mãe, a recém-nascida Jade Duarte de Moura também não resistiu e faleceu nesta quinta-feira (17). A bebê havia dado entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer, localizado em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A suspeita principal é que a criança tenha contraído uma infecção semelhante à que provocou a morte da mãe, Jéssica Duarte Gonçalves, de 28 anos. Esta informação foi confirmada pela avó paterna da recém-nascida. O desfecho trágico ocorre meses após a perda de Jéssica, deixando a família em luto duplo.

Para facilitar a compreensão da linha do tempo e dos fatos principais, veja os pontos essenciais do caso:

  • A mãe, Jéssica, morreu no dia 13 de setembro após sofrer complicações graves pós-parto.
  • A filha, Jade, nasceu no dia 8 de setembro em um hospital e teve alta, mas passou mal em casa.
  • Jade foi internada no Albert Schweitzer com sintomas de infecção, morrendo no dia 17.
  • A família acusa os médicos de terem deixado um objeto dentro do corpo da mãe durante o parto.
  • A Polícia Civil investiga o caso por suspeita de negligência médica no atendimento.

A criança nasceu no dia 8 de setembro, no Hospital Maternidade Mariska Ribeiro, também na Zona Oeste. Ela chegou a receber alta médica e foi para casa sob os cuidados do pai e da família. No entanto, a saúde da bebê começou a deteriorar poucos dias após o retorno para o lar, gerando pânico entre os parentes.

Após a alta, Jade teria apresentado febre persistente. A família inicialmente a levou a uma unidade de saúde particular, onde a menina passou por diversos exames. Com o agravamento do quadro e a persistência do problema, a família procurou o Hospital Municipal Albert Schweitzer nesta terça-feira (15). Lá, Jade ficou internada na UTI neonatal em estado de saúde grave.

Família aponta falhas no cuidado com a mãe

Jéssica morreu no Hospital Municipal Albert Schweitzer após ser transferida do Hospital Maternidade Mariska Ribeiro, local onde deu à luz a filha. Segundo relatos da família, a jovem começou a apresentar dores abdominais intensas poucas horas depois do nascimento de Jade. Os parentes acreditam que os profissionais de saúde envolvidos no parto deixaram algum material estranho no corpo da mulher, o que teria causado a infecção fatal.

Jéssica deu entrada na unidade por volta das 4h do dia 8 de setembro. Ela ainda não tinha rompido a bolsa amniótica, mas já sentia fortes contrações. Durante o processo de trabalho de parto, Jéssica teria pedido repetidamente pela realização de uma cesariana, mas o pedido não foi atendido pela equipe médica.

Nas horas que se seguiram ao parto, Jéssica continuou sentindo dores de barriga. A família informou que diversos profissionais foram informados sobre a situação. No entanto, quando questionados sobre a intensidade da dor, diziam que se tratava apenas de gases e prescreviam dipirona, um remédio comum para dor e febre.

Inicialmente, Jéssica recebeu o medicamento e voltou para casa em 10 de setembro. Porém, retornou à unidade de saúde ainda no mesmo dia porque as dores não passavam. A direção do Hospital Mariska Ribeiro afirmou que ela apresentava sinais de atonia uterina. Essa é uma condição em que o útero não se contrai adequadamente para retornar ao tamanho normal após o parto, o que pode causar sangramentos.

O trajeto até a morte e a investigação policial

Diante da gravidade do quadro clínico, Jéssica foi transferida para o Hospital Albert Schweitzer. Lá, ela foi diagnosticada com uma infecção generalizada e passou por uma cirurgia de emergência. A causa exata da infecção ainda está sendo investigada pelas autoridades. A jovem não resistiu aos efeitos e morreu no domingo, dia 13.

Este era o terceiro parto normal na vida de Jéssica. Ela já era mãe de outras duas crianças, com 9 e 4 anos de idade. A mulher foi sepultada no Cemitério do Murundu, em Realengo, nesta quarta-feira (16). A despedida foi marcada pela comoção geral dos familiares, que se declaram perplexos com a perda tão súbita de uma mulher saudável, que teve uma gestação tranquila e sem intercorrências aparentes.

O caso agora é investigado pela 34ª DP de Bangu. A polícia apura uma possível negligência no atendimento prestado à jovem no Hospital Mariska Ribeiro. O corpo de Jéssica passou por perícia forense para ajudar na conclusão do inquérito. A direção da maternidade informou que também está revisando todo o atendimento prestado à paciente para identificar possíveis falhas no procedimento.