Pesquisa da JAMA Network revela que pessoas com deficiência visual têm 149% mais chance de comportamento suicida. A Organização Mundial da Saúde destaca que uma pessoa fica cega a cada 5 segundos. No Brasil, há 1,5 milhão de cegos e 6 milhões com baixa visão. Especialistas reforçam que 60% a 80% dos casos podem ser evitados.
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio, uma pesquisa publicada na revista médica JAMA Network chamou atenção para uma realidade alarmante. O estudo indicou que pessoas com deficiência visual apresentam cerca de 2,5 vezes mais probabilidades de desenvolver comportamentos suicidas. Isso representa um aumento de 149% no risco em comparação com aqueles que não possuem essa condição. O levantamento envolveu 5.692.769 indivíduos e foi realizado por um dos periódicos mais respeitados do mundo na área da saúde.
Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram a urgência do tema na esfera global. A estatística revela que uma pessoa perde a visão completamente a cada 5 segundos no planeta. Atualmente, existem aproximadamente 43 milhões de pessoas cegas no mundo, o que destaca a magnitude do problema em números absolutos.
- Estudo da JAMA aponta 149% mais chance de suicídio em pessoas com deficiência visual.
- OMS revela que uma pessoa fica cega a cada 5 segundos globalmente.
- No Brasil, surgem 550 mil novos casos de cegueira grave a cada ano.
- Especialistas afirmam que 60% a 80% dos casos poderiam ser evitados.
- Cirurgias simples, como as de catarata, são fundamentais para restaurar a visão.
O cenário da cegueira no Brasil
No contexto nacional, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) aponta cifras preocupantes. As estimativas indicam que surgem cerca de 550 mil novos casos de cegueira e problemas graves de visão a cada ano no país. No total, o Brasil contabiliza cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas. Além disso, mais de 6 milhões de cidadãos convivem com a baixa visão crônica, o que impacta diretamente a qualidade de vida da população.
Maioria dos casos poderia ser evitada
Leiser Franco, presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia, destaca que a situação é crítica, mas reversível. Ele afirma que entre 60% e 80% de todos os casos de cegueira poderiam ter sido evitados. A chave para isso é o acesso a diagnósticos precoces, ao uso adequado de óculos e a tratamentos cirúrgicos simples, como a operação para retirada de catarata.
O especialista ressalta que mesmo quando não há cegueira total, mas sim uma perda visual significativa, os cuidados com a saúde mental devem ser intensificados. Segundo ele, a visão é essencial para o equilíbrio emocional. A perda ou inativação desse sentido é vivenciada com muita dor e desespero pelos pacientes, o que exige atenção redobrada da equipe de saúde.
Quando a perda da visão se consolida, o impacto psicológico é profundo e duradouro. Leiser Franco alerta que o luto pela cegueira afeta a autonomia, a identidade e os relacionamentos sociais. Isso pode gerar quadros severos de depressão. Se não forem tratados a tempo, esses quadros podem evoluir para situações extremas de isolamento social e desesperança.
Importância do suporte psiquiátrico
O presidente da SGO enfatiza a necessidade de integração entre tratamentos. O suporte psiquiátrico e a reabilitação visual precisam começar juntos desde o primeiro diagnóstico de perda visual irreversível. Ele descreve a condição com uma metáfora potente: "A cegueira isola o paciente em um quarto escuro que vai além dos olhos; afeta a alma".
Para Leiser Franco, criar uma rede de apoio que entenda e acolha a dor emocional é tão importante quanto buscar soluções clínicas. Esse acompanhamento ajuda o paciente a ressignificar sua rotina diária, permitindo que ele encontre novos caminhos de autonomia e convivência social com dignidade.
Tratamentos modernos para a visão
Nos casos em que o dano estrutural já está instalado, as intervenções cirúrgicas de alta eficácia são indispensáveis. O objetivo é devolver ou pelo menos preservar a autonomia dos pacientes. Leiser Franco destaca a cirurgia de catarata como o exemplo mais emblemático e acessível de tratamento.
O procedimento é descrito como rápido e seguro. Nele, o cristalino opaco, que impede a passagem da luz, é removido e substituído por uma lente intraocular artificial. Essa substituição restaura a visão de forma eficaz. Há também outras técnicas modernos, como cirurgias a laser para correção de graus elevados, procedimentos para conter o descolamento da retina e microcirurgias para casos graves de glaucoma que não respondem a medicamentos.

Saude (IA)


