17 de setembro de 2026

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Guia ajuda profissionais a cuidar da mente de quem foge da guerra

Geral Refugiados 17/09/2026 10:43 ACNUR / Portal PressManager

Novo manual lançado pelo ACNUR, UFPR e Ministério da Justiça orienta trabalhadores humanitários sobre saúde mental e apoio psicossocial para refugiados, focando especialmente na população afegã e no autocuidado das equipes.

Uma nova publicação da ONU, da Universidade Federal do Paraná e do Ministério da Justiça busca ajudar profissionais a cuidarem melhor da saúde mental de refugiados no Brasil. O guia é voltado para aqueles que atendem diretamente pessoas forçadas a se deslocarem por guerras ou perseguições.

Objetivo é capacitar equipes de saúde, direito e assistência social, considerando a dor vivida por quem foge, e alertando para os limites dessas abordagens. Isso garante suporte melhor para quem chegou ao país em busca de proteção.

  • O guia foca em saúde mental e apoio psicossocial para refugiados.
  • É resultado de formação dada a profissionais em 2026.
  • Foca na população afegã no programa de acolhida comunitária.
  • Inclui temas como autocuidado do profissional e diversidade religiosa.
  • Objetiva identificar sofrimento psíquico e reforçar apoio.

Qualificar a atuação de profissionais que trabalham com pessoas refugiadas no Brasil, ampliar a compreensão sobre a complexidade das experiências dos deslocamentos forçados e reconhecer os limites das abordagens tradicionais no trabalho junto a essas populações. Esses são os principais objetivos de uma publicação que acaba de ser lançada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

O que é o novo manual

A publicação Saúde mental e apoio psicossocial em situações de deslocamento forçado: Manual para trabalhadores humanitários foi produzida a partir da identificação da necessidade de se falar sobre saúde mental com profissionais de diferentes áreas que atendem pessoas forçadas a se deslocar. Ela traz desde conceitos até exemplos que contextualizam os profissionais no exercício diário de suas tarefas, reconhecendo as complexidades que envolvem essa população e os limites das abordagens tradicionais. A iniciativa integra ações voltadas ao fortalecimento das capacidades de acolhimento de pessoas em situação de deslocamento forçado no Brasil, com especial atenção à população afegã acolhida no âmbito do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário, coordenado pelo MJSP.

Capacitação das equipes

Os conteúdos foram produzidos a partir de formação realizada ao longo do primeiro semestre de 2026 com profissionais de áreas como saúde, assistência social, direito, educação, internacionalistas, entre outros, de organismos internacionais, de organizações da sociedade civil e de instituições públicas. Adotados conjuntamente, manual e formação buscam contribuir para a identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico, promover estratégias de cuidado e autocuidado, fortalecer redes de apoio e oferecer subsídios para o acolhimento e encaminhamento adequado de pessoas que necessitem de atenção em saúde mental.

Temos no Brasil mais de 1 milhão de pessoas que foram forçadas a se deslocar e que necessitam de proteção internacional. São pessoas de diferentes perfis, mas que compartilham de experiências traumáticas ao longo do processo de deslocamento, afirma o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli. Por isso, é preciso que os profissionais que estão no atendimento direto a essa população saibam de suas demandas específicas, de nuances e sutilizas que as envolvem, e estejam preparados para oferecer acolhimento, orientação e oportunidades, completa.

A importância do apoio psicológico

O Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário parte da compreensão de que a proteção não se encerra com a chegada ao Brasil. Ela envolve acolhimento, integração e construção de condições para que as pessoas possam reconstruir suas vidas com autonomia e dignidade. Nesse processo, as organizações e os profissionais que acompanham diretamente as famílias exercem um papel fundamental. Qualificar essas equipes, inclusive para reconhecer e lidar adequadamente com questões de saúde mental e apoio psicossocial, fortalece a própria capacidade de acolhimento do Programa e a proteção oferecida às pessoas beneficiárias, afirma a coordenadora-Geral do Comitê Nacional para os Refugiados do MJSP, Amarilis Busch Tavares.

Além de considerar as pessoas forçadas a se deslocar, esse material leva em consideração a posição dos trabalhadores humanitários, frequentemente expostos a situações de sofrimento intenso, a urgência e insuficiência de recursos, e a situações que, muitas vezes, excedem suas possibilidades de intervenção, explica a professora Elaine Cristina Schmitt Ragnini, da UFPR, uma das organizadoras do conteúdo. Ele também propõe uma abordagem que incorpora a análise das condições de vida, das políticas públicas e das práticas institucionais que incidem sobre as populações em deslocamento. Trata-se de sustentar uma prática que, ao mesmo tempo, escute o sujeito em sua singularidade e reconheça os contextos que produzem seu sofrimento, ressalta.

Conteúdo do manual

O Manual é composto por sete capítulos temáticos, além de um glossário de termos técnicos e perguntas frequentes. Ele aborda a condição do trabalho humanitário, a importância do autocuidado e do cuidado com quem acolhe, noções de saúde mental, violência, escuta e de mediação intercultural. Também são trabalhados os temas da questão religiosa nos deslocamentos forçados, o cuidado com crianças e adolescentes em deslocamento e a importância da construção de culturas organizacionais que valorizem a saúde mental para o cuidado e a proteção de pessoas que foram forçadas a se deslocar.

A formação e o manual fazem parte das ações previstas na parceria firmada entre ACNUR e IRUSA. Anunciada em setembro de 2025, a parceria buscou, ao longo de um ano, beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento de meios de vida, além de alcançar indiretamente outras milhares de pessoas, incluindo comunidades brasileiras de acolhida.