16 de setembro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Felicidade dos brasileiros despencou e psicólogo explica o cansaço mental moderno

Geral Exaustão 16/09/2026 15:11 LC Agência de Comunicação

Pesquisa revela queda drástica na sensação de felicidade no Brasil; especialista alerta que a cultura da exaustão e a dependência de redes sociais estão criando prisões neurológicas, mas a ludicidade pode ser a cura.

A percepção de felicidade dos brasileiros sofreu uma queda alarmante, caindo de 89,5% em fevereiro para 61,1% em setembro, segundo nova edição de pesquisa do Instituto Ideia. O levantamento também aponta que a parcela de pessoas que relatam tristeza ou infelicidade ao acessar as redes sociais cresceu de 50,5% para 66,1% no mesmo período.

Embora os números não apontem uma causa única e direta para essa mudança brusca, eles colocam em evidência o aumento do desgaste emocional entre a população. É nesse cenário que o psicólogo Lucas Freire, referência na Ciência do Playfulness (a ciência da ludicidade e do brincar), interpreta os impactos de uma rotina acelerada na saúde mental.

  • A felicidade relatada caiu quase 28 pontos percentuais em apenas seis meses.
  • Ressentimentos e tristezas ao usar redes sociais subiram para 66,1% da população.
  • A obra 'Exaustos' critica a produtividade 24 horas por dia como fonte de exaustão.
  • Lucas Freire propõe a 'neuroprisão' como termo para a mente sob estímulos constantes.
  • Exercícios práticos de 'ludicidade' são sugeridos para recuperar a leveza no dia a dia.

Freire, autor do livro "Exaustos: Imaginando saídas para o cansaço diário", pesquisa os efeitos de uma rotina marcada por aceleração, estímulos constantes e pressão por produtividade. Ele observa a perda de espaços de espontaneidade, curiosidade e prazer no cotidiano das pessoas. Com mais de 470 mil brasileiros afastados do trabalho por transtornos mentais somente em 2024, a busca por alternativas que promovam leveza e significado se tornou urgente. É nesse contexto no qual a exaustão deixou de ser exceção e se tornou a regra que o especialista publica sua nova obra pela Buzz Editora.

A raiz do problema: a neuroprisão

Logo nas primeiras páginas, Freire dá nome a um mal compartilhado socialmente: a exaustão crônica. Segundo o especialista que soma mais de 20 anos de experiência na área de saúde mental, as pessoas estão inseridas em uma sociedade acelerada onde "A lentidão é confundida com ineficiência, o tempo tornou-se fardo e a multitarefa, falsamente celebrada como virtude, se mostra uma ilusão perigosa, que compromete o bem-estar". O psicólogo afirma que a lentidão não é defeito, mas sim um ritmo natural muitas vezes penalizado pelo sistema atual.

Com olhar clínico e crítico, o autor revela que a exaustão atinge hoje uma camada neurológica. Ao nomear essa condição de "neuroprisão", Freire explica que a mente humana é alvejada por estímulos incessantes. Isso inclui a influência do neuromarketing, uma ciência projetada para manipular desejos no inconsciente. Nessa circunstância, o tempo livre se transforma em mercadoria e o Playfulness, ou "espírito lúdico", representado pelos momentos de curiosidade e espontaneidade, acaba sendo ignorado ou visto como luxo.

Ele aponta a dependência digital, o vício em "scrolling" (rolar feeds infinitos), o medo de perder algo (conhecido como FOMO, na sigla em inglês), a dopagem química em busca de performance, o consumo para produzir conteúdo e a cultura da imagem como exemplos dos cativeiros neurológicos. Esses fatores estão amplamente inseridos na rotina de crianças, jovens e adultos, criando uma situação de alerta constante nos sistemas nervosos.

Como a ludicidade pode salvar

Mais do que diagnosticar uma coletividade exausta, Lucas Freire indica caminhos que servem como antídoto para a situação. Inspirado em pesquisas de neurociência e no amplo trabalho na área, o autor detalha a importância de resgatar o Playfulness como uma habilidade para enfrentar desafios com leveza e resiliência. Conforme defende o psicólogo, o "Play" ativa mais circuitos cerebrais que qualquer outro comportamento, promove neuroplasticidade e estimula a imaginação de formas eficazes.

Entendido não somente como brincar, o Playfulness representa o estado de engajamento livre, criativo e prazeroso. Para favorecer a aplicação do conceito no dia a dia, Freire descreve os tipos de personalidades lúdicas, apresenta um framework com 12 dimensões universais do "play humano" e propõe os sete princípios do conceito. O objetivo é mostrar que a brincadeira e a curiosidade são ferramentas sérias de reequilíbrio mental.

Com exercícios práticos, como a Auditoria de 24 horas, o Detox de Notificação, o Autodiagnóstico de Neuroprisões e um Plano de Ação Playfulness de 90 dias, o autor oferece ferramentas para transformar reflexão em resultados concretos. Essas práticas visam ajudar o leitor a identificar onde está perdendo energia e como recuperá-la através da leveza.

Manifesto contra a cultura da exaustão

Exaustos é mais do que um diagnóstico social, é um manifesto pela leveza. Uma leitura essencial para todos que se sentem cansados de correr, produzir, performar e tentar acompanhar a avalanche diária de informações. A obra oferece um caminho revolucionário para reencontrar vitalidade, liberdade e sentido, mostrando a imaginação lúdica como uma poderosa ferramenta de cura para o corpo e a mente.

Ficha técnica

Título: Exaustos: Imaginando saídas para o cansaço diário
Autoria: Lucas Freire
Editora: Buzz Editora
ISBN (impresso): 978-65-5393-503-7
ISBN (e-book): 978-65-5393-504-4
Páginas: 208
Preços: R$ 69,90 (impresso) e R$ 49,90 (e-book)
Onde encontrar: Amazon