15 de setembro de 2026

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Fraudes digitais ameaçam eleições e podem roubar dados de eleitores

Geral Eleições 15/09/2026 17:34 T2Sec

Especialista em cibersegurança alerta para três tipos de golpes comuns em período eleitoral, incluindo falsos boletos, links para regularizar título e pedidos fraudulentos de doação a campanhas.

Às vésperas de mais um processo eleitoral no Brasil, cresce a preocupação com a segurança digital. A digitalização dos serviços e o uso da internet pelos eleitores criaram novas portas de entrada para criminosos. O objetivo é roubar dados pessoais, desviar dinheiro e minar a confiança do público na democracia.

Segundo Vinicius Ferreira, CEO da T2Sec, empresa de segurança da informação, os ataques de engenharia social, ou golpes que exploram a emoção das pessoas, estão em alta. Três tipos de fraudes merecem atenção máxima durante as eleições: mensagens falsas sobre o título de eleitor, boletos de multas inventados e pedidos de doação para campanhas que não existem.

Como identificar e se proteger dos golpes eleitorais

Abaixo, veja os principais alertas e cuidados:

  • Fraude do título: golpistas enviam links falsos dizendo que há irregularidades no cadastro do eleitor.
  • Falso boleto: cobranças de multas ou taxas chegam por e-mail ou WhatsApp com dados de pagamento adulterados.
  • Falsa doação: perfis e sites falsos imitam partidos e candidatos para captar dinheiro via PIX.
  • Justiça Eleitoral não cobra nada por links ou boletos não oficiais.
  • Desconfie de mensagens com urgência exagerada ou pânico sobre sua situação eleitoral.

Vinicius Ferreira destaca que o maior perigo não é um cracker invadir o sistema de urnas. O risco real está no ato do eleitor clicar em uma mensagem falsa em seu próprio celular. Um clique pode entregar seus dados, seu dinheiro e sua credibilidade política. Democracia digital exige desconfiança legítima, afirma o especialista.

No primeiro tipo de golpe, criminosos usam e-mails, mensagens de texto ou aplicativos de chat para avisar sobre supostos problemas no título de eleitor. Eles mostram convocações falsas da Justiça Eleitoral ou formulários para atualização cadastral. Tudo isso serve para capturar documentos, fotos e senhas da vítima.

A vítima clica no link, preenche um formulário falso e, sem perceber, entrega a chave para fraudes financeiras e roubo de identidade, explica Ferreira. O executivo reforça que a Justiça Eleitoral não envia boletos nem pede dados sensíveis por canais não oficiais. Todo procedimento deve ser feito apenas no site do TSE ou nos aplicativos oficiais.

Ameaças financeiras no período eleitoral

Outra tática comum é o envio de boletos falsos com nomes como Multa por não comparecimento às urnas ou Guia para emissão de segunda via do título. Esses documentos trazem códigos de barras alterados ou chaves de PIX que enviam o pagamento para contas de pessoas que não têm relação com o governo.

Muitos eleitores, com medo de sofrer sanções, acabam pagando sem verificar a origem da cobrança. Ferreira alerta: Nenhuma multa ou taxa eleitoral é cobrada por boleto enviado de forma avulsa por e-mail ou mensagem. Eventuais pendências são resolvidas presencialmente nos cartórios ou no sistema oficial do TSE.

Se uma cobrança chegar à sua caixa de entrada ou telefone por meio de um link, desconfie. Segundo o especialista, 99% das vezes trata-se de um golpe. A recomendação é sempre validar a informação pelos canais oficiais do tribunal.

O terceiro golpe atinge as doações de campanha. Com o uso de PIX e transferências, golpistas criam sites e perfis falsos de candidatos e partidos. Usam nomes parecidos e logotipos copiados para solicitar doações com urgência. A justificativa é uma crise de campanha para forçar o pagamento rápido das vítimas.

O prejuízo não é apenas financeiro. Esse golpe desvia recursos legítimos de campanhas reais e gera descrédito no sistema eleitoral como um todo, orienta Ferreira. O especialista sugere verificar sempre os canais de arrecadação oficiais, preferencialmente sites com certificado digital e contas verificadas nas redes sociais.

Proteção começa pelo comportamento do eleitor

A T2Sec ressalta que não existe tecnologia perfeita contra a engenharia social, que explora a emoção humana. A proteção principal está na atenção de cada pessoa. É fundamental não clicar em links suspeitos, mesmo que venham de amigos ou familiares, pois o aparelho do contato pode estar comprometido.

Os eleitores devem nunca fornecer documentos, fotos ou dados bancários fora de canais oficiais. A empresa recomenda compartilhar essas informações com familiares e amigos para criar uma rede de defesa. Em época de eleições, defender seus dados é também defender a democracia. Compartilhe esse conhecimento. Um eleitor informado é um eleitor protegido, conclui Vinicius Ferreira.