Novas exposições no Sesc são gratuitas e destacam a ciência feita por mulheres, os impactos da inteligência artificial na sociedade brasileira e a riqueza da cultura afro-brasileira em São Paulo e no interior. A programação inclui arte imersiva, fotografia histórica e homenagens aos cinemas de rua, acessível a todo o público.
As unidades do Sesc na capital e no interior de São Paulo oferecem uma programação cultural totalmente gratuita e diversificada em setembro. O destaque vai para exposições de arte contemporânea, fotografia, instalações imersivas e uma homenagem aos cinemas de rua. Entre as principais atrações está a abertura da mostra Nós Arte e Ciência por Mulheres, que começa a ser exibida em 12 de setembro no Sesc Casa Verde. A mostra reúne trabalhos artísticos, registros históricos e peças de acervos científicos que demonstram a importância da contribuição das mulheres para a produção do conhecimento e a ciência.
No CineSesc, uma cenografia inspirada nos antigos cinemas de rua convida o público a reviver a memória cinematográfica da cidade. A programação é rica em diversidade, abordando desde a inteligência artificial até as raízes afro-brasileiras, garantindo acessibilidade e reflexão para todos os visitantes.
- A mostra Nós questiona o apagamento histórico das cientistas e artistas mulheres.
- O tema inteligência artificial é analisado de forma crítica, incluindo seus efeitos no meio ambiente e no trabalho.
- A exposição Delírio Tropical reúne cerca de 280 obras que mostram a diversidade artística do Brasil.
- No interior, há focos na cultura negra e na 36ª Bienal de São Paulo.
- Todas as atividades têm entrada gratuita e classificação livre para todas as idades.
Mostras que destacam a ciência e a tecnologia pelas mulheres e a IA
A exposição Nós Arte e Ciência por Mulheres, no Sesc Casa Verde, reúne trabalhos artísticos, registros históricos, fósseis e peças de acervos científicos para destacar a contribuição feminina à produção do conhecimento. Ao revisitar as trajetórias de cientistas e artistas de diferentes origens, a mostra questiona o apagamento histórico de suas descobertas e estabelece diálogos entre arte, arqueologia, medicina, astronomia, tecnologia, práticas de cura, conhecimentos indígenas e debates sobre gênero e sexualidade. É uma oportunidade de aprender sobre figuras que muitas vezes foram ignoradas pela história convencional.
A montagem oferece experiências participativas e destaca trajetórias de pesquisadoras como Bertha Lutz, Rosalind Franklin, Niède Guidon, Nise da Silveira e Jaqueline Goes. A exposição fica em cartaz de 12 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027 e conta com programação paralela de atividades educativas e culturais para enriquecer a experiência do público.
Inteligência Artificial e a diversidade da arte brasileira
O O Mundo Através da IA (Le Monde selon l'IA), no Sesc 24 de Maio, apresenta uma leitura crítica sobre a história e os impactos da inteligência artificial. Concebida pelo centro de arte parisiense Jeu de Paume e com curadoria de Antonio Somaini, a exposição reúne cerca de 70 obras de 29 artistas de 15 países. Essas obras são distribuídas em oito seções temáticas que abordam as infraestruturas invisíveis da IA, seus impactos ambientais, as relações com o mundo do trabalho e as heranças coloniais presentes nos algoritmos.
A versão paulistana incorpora sete cápsulas do tempo produzidas exclusivamente para a cidade por uma equipe curatorial brasileira, que relacionam a história da inteligência artificial a episódios da história, da arte e da cultura do Brasil. Entre os destaques estão obras de artistas como Giselle Beiguelman, Bruno Moreschi, Pedro Gallego, Mayara Ferrão, Kate Crawford e Vladan Joler, que discutem temas como vigilância, exploração do trabalho, crise ambiental e classificação de corpos, convidando o público a refletir sobre as tecnologias que moldam a sociedade contemporânea.
No Sesc Pinheiros, Delírio Tropical - Recanto apresenta um amplo panorama da produção artística brasileira contemporânea. Com cerca de 280 obras de mais de 130 artistas de todas as regiões do país, a exposição traz fotografias, vídeos, pinturas, esculturas, instalações, publicações e objetos para construir um mosaico das múltiplas identidades, territórios e imaginários brasileiros. É um mergulho profundo na identidade cultural do país através da arte moderna e contemporânea.
O percurso convida o público a refletir sobre memória, território, mídia e representação com trabalhos de Anna Maria Maiolino, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Denilson Baniwa, Ayrson Heráclito, Karim Aïnouz e Rosângela Rennó. Cada peça contribui para uma narrativa coletiva sobre quem somos e como nos vemos através da lente artística.
Memória afetiva: Cinema de rua, fotografia negra e acervos compartilhados
No centro da capital, o Sesc Bom Retiro recebe a mostra Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro, resultado de uma parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo. O público pode conferir cerca de 50 obras dos acervos das duas instituições. A curadoria propõe uma reflexão sobre diferentes formas de preservar, compartilhar e experimentar a arte, mostrando como o acervo de uma instituição pode enriquecer a leitura da outra.
No Sesc Pompeia, Ofício: Luz é dedicada à fotógrafa baiana Lita Cerqueira em São Paulo. As obras contam cerca de cinco décadas da produção de uma das pioneiras da fotografia negra brasileira. Os registros incluem a cultura afro-brasileira, o Cinema Novo, o Tropicalismo e importantes manifestações populares da Bahia, oferecendo um documento visual precioso da história do país.
A ambientação Cinemas de Rua - Da Augusta à Cinelândia Paulistana, em cartaz no hall do CineSesc, convida a população para revisitar a memória dos antigos cinemas de rua que marcaram a vida cultural de São Paulo. A cenografia é inédita e conta com fachada inspirada nas salas de exibição, letreiro em neon, pôsteres artísticos, objetos históricos e um grande mapa que conecta a Rua Augusta à antiga Cinelândia, resgatando uma época de ouro para a cultura urbana.
Exposições no interior de São Paulo
A Fundação Bienal de São Paulo e o Sesc São Paulo apresentam a 36ª Bienal de São Paulo Nem todo viandante anda estradas Da humanidade como prática no Sesc Rio Preto. Com curadoria de Thiago de Paula Souza, a exposição reúne obras de oito artistas e coletivos, Akinbode Akinbiyi, Andrew Roberts, Ernest Cole, Helena Uambembe, Vilanismo, Josèfa Ntjam, Ming Smith e Sharon Hayes. O recorte dialoga com as características da unidade e propõe novas leituras sobre os temas abordados pela 36ª Bienal.
A seleção apresenta fotografias, vídeos, instalações e outras linguagens que abordam questões como memória, identidade, deslocamentos, pertencimento e as múltiplas formas de experiência da humanidade contemporânea. A mostra busca estabelecer uma relação direta com a arquitetura da unidade e com o cotidiano de seus frequentadores, tornando a experiência mais próxima da realidade local.
Com uma montagem inédita que aproxima a ampla produção da arte negra brasileira da história e memória do município, a exposição Dos Brasis Arte e Pensamento Negro, no Sesc França, reúne cerca de 85 obras de artistas de diferentes gerações e linguagens. O percurso evidencia a diversidade de experiências, saberes e narrativas negras, ao mesmo tempo em que estabelece conexões com personalidades como Abdias Nascimento, Isa do Rosário e Carlos de Assumpção, cujas trajetórias dialogam com a cidade.
Distribuída em sete núcleos temáticos, a mostra convida o público a refletir sobre identidade, ancestralidade, organização coletiva e resistência, questionar critérios que historicamente definiram quais produções artísticas seriam reconhecidas no Brasil. A edição de Franca incorpora novas obras do Acervo Sesc de Arte, ampliando o repertório visual e histórico disponível.
O Sesc Bauru apresenta Constelação Celestina, do fotógrafo Wagner Celestino. A mostra reúne 90 fotografias em preto e branco, 12 estandartes têxteis e objetos utilizados pelo artista ao longo de sua trajetória. Trata-se de um amplo registro documental sobre a velha guarda das escolas de samba paulistanas, as baianas, os cortiços e diferentes manifestações da cultura afro-brasileira.
A versão apresentada em Bauru possui configuração inédita e incorpora uma grande instalação na fachada da unidade. A programação educativa amplia o diálogo com a exposição por meio de visitas mediadas, formação de professores e ações voltadas às relações entre memória, samba, patrimônio cultural e combate ao racismo.
No Sesc Ribeirão Preto, a exposição Floresta Interior, do artista e educador Gui Teixeira, convida crianças e adultos a transformar sonhos em paisagens compartilhadas. Com curadoria de Lucila de Jesus, a instalação parte da pergunta e se os sonhos fossem uma floresta dentro de nós para criar uma experiência construída coletivamente pelos visitantes, estimulando a imaginação criativa.
Dividida em três ambientes Construir, Compartilhar e Sonhar , a exposição reúne mesas para criação, jogos de sombras, espaços de descanso e ambientes dedicados à troca de relatos oníricos. A experiência extrapola a galeria e ocupa também áreas externas da unidade com intervenções sonoras e ações participativas.
Serviço
Sesc Casa Verde
Nós Arte e Ciência por Mulheres
De 12 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Sesc 24 de Maio
O Mundo Através da IA
De 6 de agosto a 29 de novembro de 2026
Sesc Bom Retiro
Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro
Até 27 de setembro de 2026
Sesc Pinheiros
Delírio Tropical Recanto
Até 12 de outubro de 2026
Sesc Pompeia
Ofício: Luz Lita Cerqueira: Direito de Olhar
Até 11 de setembro de 2026
CineSesc
Cinemas de Rua Da Augusta à Cinelândia Paulistana
A partir de 9 de julho de 2026
Sesc Bauru
Constelação Celestina
Até 31 de janeiro de 2027
Sesc França
Dos Brasis Arte e Pensamento Negro
De 19 de agosto até 31 de janeiro de 2027
Sesc Ribeirão Preto
Floresta Interior
De 6 de agosto de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Sesc São José do Rio Preto
36ª Bienal de São Paulo
De 18 de agosto a 15 de novembro de 2026
Entrada gratuita e classificação livre

Imagem de uma das seções da mostra ?Delírio Tropical - Recanto? no Sesc Pinheiros. Foto: Nilton Fukuda









