Célia Xakriabá participou do Festival da Onça em Belo Horizonte e afirmou que o desmatamento começa dentro das pessoas, conectando a saúde das águas à qualidade de vida e aos direitos trabalhistas.
A deputada federal Célia Xakriabá esteve no sábado (12) na terceira edição do Festival da Onça, realizada no bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte. Durante o evento, ela conectou a importância de recuperar o Ribeirão Onça à necessidade de proteger os territórios, as águas e garantir que as comunidades tenham acesso a um meio ambiente limpo e preservado.
Uma das falas mais marcantes da parlamentar foi a comparação simbólica entre a natureza e o cuidado humano. A cachoeira é mulher, é como se fosse uma mulher grávida. E, quando adoece a cachoeira, adoece todo o corpo das mulheres, das meninas, das crianças e de todas as pessoas. A terra é feminina, o rio é pai, mas, na verdade, o rio também é mulher. A cachoeira também é mulher, é como se fosse um peito coletivo que amamenta coletivamente a humanidade, declarou Célia.
- O evento ocorreu no bairro Novo Aarão Reis, em Belo Horizonte.
- A deputada afirmou que a cura ambiental começa pela mudança de comportamento humano.
- A iniciativa busca criar um parque comunitário nas margens do ribeirão.
- A programação inclui oficinas, mutirões e atividades culturais gratuitas.
- A defesa do fim da jornada 6x1 foi ligada ao direito de usufruir da natureza.
Símbolos de força e a relação com a natureza
O tema da edição atual do festival foi Viver a Cachoeira da Onça. O evento juntou cultura, educação ambiental e mobilização comunitária com foco no Ribeirão Onça e na luta para a criação do Parque Ciliar Comunitário. A parte final da programação começou no Campo de Futebol Novo Aarão Reis com a celebração do Nascimento da Onça, seguida de um cortejo que foi até o Mirante da Cachoeira. Célia participou desse momento simbólico, que ligou a figura da onça a conceitos de força, coragem, ancestralidade e proteção do território na cosmovisão Xakriabá.
Desmatamento interno e desafios sociais
No Mirante, a deputada alertou para a necessidade de recuperar não apenas os rios e áreas degradadas, mas também a forma como as pessoas se relacionam com a natureza. Nós estamos aqui porque acreditamos na revitalização do Onça. Mas nós falamos que o desmatamento começa dentro das pessoas. Uma pessoa, um sistema que joga esgoto no Onça está, na verdade, contaminado por dentro. Uma pessoa que mata a Serra do Curral está desmatada por dentro. Por isso, nós temos o desafio de reflorestar não somente fora das pessoas. Nós temos o desafio de descontaminar não somente fora das pessoas, explicou.
Além da pauta ambiental, Célia ligou a questão à qualidade de vida e ao tempo de descanso. Ao defender o fim da escala de trabalho 6x1, ela destacou que os direitos sociais precisam caminhar junto com a preservação: O fim da escala 6x1 é para ter direito de banhar, de passear na cachoeira. Mas não é para quando a cachoeira estiver morta. Após essa fala, a parlamentar participou do Banquete Primavera, feito com produtos de hortas familiares do Baixo Onça, e acompanhou a participação de mobilizadores indígenas na programação.
Programação do Festival da Onça
Realizado entre 8 e 12 de setembro, o Festival da Onça chegou à sua terceira edição com diversas oficinas, mutirões, atividades educativas e programação cultural gratuita. A iniciativa faz parte de um processo de mobilização no Baixo Onça, focado na recuperação do ribeirão e na transformação de suas margens em espaços de convivência e lazer para a comunidade.

Foto: Isis Medeiros



