10 de outubro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Expointer: Quatro animais morrem em feira agropecuária no Rio Grande do Sul e alerta sobre o estresse que animais sofrem em exposições

Geral Expointer 15/09/2026 17:23 Cristina Diniz - Sinergia Animal Brasil, via Jéssica Amaral / DePropósito Comunicação de Causas Esteio RS

Na 49ª Expointer, em Esteio-RS, três touros e um cavalo morreram nos primeiros dias. A diretora-geral da Sinergia Animal Brasil apresenta um artigo sobre o estresse e o risco que os animais sofrem em feiras e exposições.

A partir das recentes mortes de animais ocorridas durante a Expofeiras, a diretora-geral da Sinergia Animal no Brasil, Cristina Diniz, propõe uma reflexão sobre o estresse que os animais sofrem em feiras, exposições, leilões e competições agropecuárias. A discussão é urgente e apoiada em dados científicos.

Segundo a especialista, esses eventos costumam ser apresentados como celebrações da tradição rural, da cultura do campo e da força do agronegócio. No entanto, atrás dos troféus, leilões e discursos sobre genética, existe uma realidade que raramente recebe a mesma atenção: os animais são retirados de suas propriedades, transportados, confinados em ambientes atípicos, submetidos a movimentação intensa e colocados diante de milhares de pessoas para serem avaliados, comparados, premiados e comercializados.

4 animais morreram na Expointer 2025

A 49ª Expointer, realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul, terminou neste domingo, 6 de setembro, após receber mais de 938 mil visitantes ao longo de nove dias. Nos primeiros dias da feira, três touros da raça Angus e um cavalo morreram no Parque de Exposições Assis Brasil.

Os três bovinos apresentaram sinais clínicos agudos e receberam atendimento veterinário, mas não resistiram. Não é possível afirmar, com base em laudos, que essas mortes foram causadas diretamente pela exposição.

O estresse de animais em feiras é um fato comprovado por ciência

De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2011, 60 ovinos de 11 raças foram observados durante cinco dias no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, totalizando 1.097 observações. Os pesquisadores identificaram que as condições ambientais do local podem causar estresse térmico, com impactos na frequência respiratória e na temperatura corporal dos animais.

A literatura científica aponta diversos riscos: transporte, mudança na alimentação, ruídos, odores e o contato com agentes patogênicos. O estresse não é uma invenção de ativistas, mas um fator reconhecido pela ciência veterinária como relevante para o bem-estar animal.

  • Quatro animais morreram durante a Expointer 2025; três eram touros da raça Angus e um, um cavalo.
  • Um cavalo disparou durante uma prova e foi contido por uma menina de 12 anos.
  • A ciência revela que a exposição em feiras causa estresse térmico em animais.
  • A Sinergia Animal defende que não é preciso esperar tragédias para questionar a prática de expor animais em feiras.
  • Os eventos transformam características físicas em critérios de avaliação, transformando os corpos dos animais em "capital".

Um cavalo disparou durante prova na Expointer

Além das mortes, outro episódio chamou atenção nas redes sociais durante a feira: uma competidora caiu da sela e o cavalo correu em alta velocidade pela pista, derrubando grades. Diversas pessoas tentaram contê-lo, até que uma menina de 12 anos segurou as rédeas e interrompeu o galope.

O animal não feriu ninguém, mas o episódio levanta a questão: o que significa colocar animais em situações de competição diante de grandes públicos e esperar que eles se comportem como peças previsíveis de um espetáculo Animais podem sentir medo, reagir a estímulos e entrar em estado de estresse.

O animal não precisa estar ferido para que exista um problema

A discussão sobre o uso de animais em feiras costuma ser reduzida à existência ou não de maus-tratos evidentes. Um animal pode estar saudável e, ainda assim, ser instrumentalizado. Nas competições agropecuárias, características físicas e genéticas se tornam critérios de avaliação, como tamanho, peso, musculatura e conformação corporal.

O corpo do animal passa a carregar um "currículo". Quanto mais desejáveis certas características forem para os interesses humanos, maior é seu valor econômico. O animal pode ganhar prêmios, tornarse referência genética, ser vendido ou gerar descendentes considerados mais valiosos. Seu corpo se transforme em capital.

"Mas é tradição": por que isso não justifica a prática

A tradicional da exposição agropecuária é frequentemente usada como justificativa. No entanto, a tradição explica por que fazemos algo, mas não por que deveríamos continuar. Muitas práticas, antes consideradas normais, foram abandonadas quando reconhecemos que eram incompatíveis com nossos valores éticos.

A sociedade e nossa compreensão sobre outros seres vivos mudam. A questão não é se "sempre foi assim", mas se, sabendo que os animais sentem e sofrem, ainda devemos reproduzir automaticamente as mesmas práticas. Os animais não precisam estar feridos para que a questão ética de transformá-los em instrumentos de competição, entretenimento e comércio exista.