24 de outubro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Carros: como internet e celular mudaram a forma de escolher e comprar

Geral Automotivo 15/09/2026 17:09 Guilherme Gibertoni para SóCarrão

O consumidor chega à loja de carro mais informado e buscando simulações online. O digital não substituiu o vendedor, mas mudou o papel da loja física no processo de decisão.

A jornada de compra de carros mudou completamente. Hoje, o cliente já chega à concessionária sabendo o preço, calculando a parcela e conhecendo os custos extras. Quer entender como o mundo digital transformou essa decisão

Há muito tempo, comprar um veículo significava, necessariamente, ir até a loja. O consumidor procurava anúncios em classificados, visitava revendas, conversava com vendedores, fazia test drives e comparava as opções presencialmente. A loja era o ponto de partida da jornada e, muitas vezes, também o lugar onde a decisão era construída. Essa realidade mudou.

  • O consumidor agora pesquisa preços e faz simulações financeiras pelo celular antes de ir à loja.
  • A pergunta deixou de ser apenas 'quanto custa' para 'quanto custa para o meu orçamento'.
  • Nos dados do SóCarrão, 75% dos acessos à plataforma são feitos por dispositivos móveis.
  • A loja física continua essencial para o test drive e o fechamento do negócio com confiança.
  • O futuro do setor não é a disputa entre digital e físico, mas a integração de ambos.

A nova etapa da compra: a pesquisa antecipada

Hoje, antes de entrar em uma loja, o consumidor pode pesquisar dezenas de modelos, comparar preços, analisar diferentes ofertas e até simular quanto aquela compra vai representar no orçamento mensal. A transformação não aconteceu de uma hora para outra. Ela acompanhou a própria evolução da tecnologia. Quando o SóCarrão surgiu, em 2003, levar os classificados de veículos para a internet já era uma mudança importante. Mais de duas décadas depois, o digital deixou de ser apenas uma vitrine. Ele passou a fazer parte da própria construção da decisão de compra. Hoje, a plataforma registra cerca de 1 milhão de acessos mensais, quase 75% deles pelo celular.

E talvez essa seja a principal mudança: o consumidor não está apenas comprando de uma forma diferente. Ele está decidindo de uma forma diferente. A pesquisa, que antes acontecia principalmente dentro da loja, foi antecipada. O comprador chega mais informado, com referências de preço e, muitas vezes, com uma ideia bastante clara do que procura. Também mudou aquilo que ele quer saber. Preço continua sendo importante, obviamente. Mas já não é suficiente. O consumidor quer entender a parcela, as condições de financiamento, o custo de manutenção, a garantia e até a perspectiva de desvalorização.

O foco no custo total de propriedade

Em outras palavras, a pergunta deixou de ser apenas 'quanto custa o carro' e passou a ser 'quanto custa esse carro para mim'. É uma diferença importante. Quando uma pessoa pesquisa um veículo considerando o impacto da compra no orçamento, ela deixa de olhar apenas para o produto e passa a olhar para a decisão como um todo. É justamente nesse contexto que ferramentas de busca por parcela e simulação de financiamento ganham relevância. O celular acelerou ainda mais esse processo. A pesquisa não precisa mais acontecer em um momento específico. Ela está disponível o tempo todo. O consumidor pode começar a busca durante uma pausa no trabalho, continuar em casa e retomar no dia seguinte.

Isso também produz algo novo para o próprio mercado: dados sobre o comportamento do consumidor antes da compra acontecer. As buscas mostram quais modelos despertam interesse, quais faixas de preço atraem atenção e como diferentes regiões apresentam comportamentos distintos. Levantamentos do SóCarrão já mostram, por exemplo, diferenças importantes entre os modelos mais procurados nas cidades do Sul. Para quem trabalha no setor automotivo, isso representa uma mudança profunda. A loja física não desapareceu. O vendedor também não perdeu relevância. O que mudou foi o papel de ambos.

A integração entre físico e digital

Se antes o consumidor chegava à loja para descobrir possibilidades, hoje muitas vezes chega para confirmar uma decisão. Ele quer ver o carro, fazer o test drive, tirar dúvidas, avaliar condições e negociar. Por isso, acredito que o futuro do varejo automotivo não será uma disputa entre físico e digital. Será sobre integração. O digital precisa facilitar a pesquisa e reduzir as etapas que não agregam valor. A loja precisa oferecer a experiência, a confiança e o contato humano que ainda são fundamentais em uma compra de alto envolvimento como um automóvel.

Ou seja, a tecnologia não tirou a importância da loja. Ela mudou o momento em que o consumidor precisa dela. O mercado automotivo que entender essa mudança terá uma vantagem importante: não estará apenas acompanhando a evolução da tecnologia, mas acompanhando a evolução do próprio consumidor.