14 de setembro de 2026

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Fim da jornada 6x1 preocupa empresas e pode aumentar custos trabalhistas

Geral Escala 6x1 14/09/2026 20:13 Carreira Muller

Pesquisa inédita com 486 empresas revela que a maioria teme o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho. O principal temor é o aumento dos custos com folha de pagamento e a necessidade de contratar mais funcionários.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 de trabalho, em que o trabalhador labora seis dias e descansa um, e a possível redução da jornada semanal já começa a afetar o planejamento das companhias. Uma pesquisa recente mostra que a maioria das empresas se sente preocupada com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019.

Entre os principais pontos negativos para o setor empresarial, destacam-se o aumento dos gastos com funcionários e a dificuldade em manter o ritmo de produção com menos horas de trabalho diárias.

  • 90,13% das empresas esperam ser impactadas pela mudanças.
  • 82,96% citam o aumento dos custos trabalhistas como a maior preocupação.
  • 72,83% classificam o impacto como alto ou muito alto.
  • Apenas 3,42% das empresas consideram ter preparo total para a mudança.
  • Operações e produção são as áreas mais afetadas, seguida pela logística.

Preocupação financeira e operacional

A pesquisa, conduzida pela consultoria Carreira Muller com 486 empresas, aponta que 72,43% possui atualmente funcionários que trabalham na escala 6x1. A maioria, cerca de 73%, considera o impacto da mudança legal como alto ou muito alto, sendo a parte financeira a maior dor de cabeça.

O aumento dos custos trabalhistas é a preocupação de 82,96% das empresas. Em seguida, 77,63% citam a necessidade de adequar os horários e turnos de trabalho. Manter a operação funcionando bem é difícil para 44,75% dos entrevistados, enquanto 38,36% temem uma queda na produtividade.

Quais setores sofrem mais

A área de operações e produção é a mais impactada, citada por 72,37% das empresas. Logo depois, vem a logística (37%), com o atendimento ao cliente (24%). A manutenção de equipamentos e as áreas administrativas também aparecem no topo da lista de problemas.

A PEC 221 propõe reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas por semana, aos poucos, e garantir dois dias de descanso remunerados por semana. A proposta já foi aprovada em comissão no Senado e agora aguarda votação em plenário.

Desafios para pequenas empresas

O texto também destaca que não haverá um único tipo de problema. Na gestão de turnos, quase metade das empresas vê um impacto alto. Nos custos com salários, a percepção similar é de que o impacto é significativo, dividindo-se entre alto e médio.

Muitas pequenas e médias empresas estão acelerando seus planos. Muitas delas não têm uma equipe de Recursos Humanos (RH) forte o suficiente para redesenhar horários e calcular quem contratar em pouco tempo. Marcas são obrigadas a correr contra o tempo para não parar a operação.

Falta de preparo e cronograma

A pesquisa mostra que a maioria das empresas não está preparada. Em uma escala de 1 a 5, onde 5 é máxima preparação, apenas 3,42% se notaram no nível 5. Cerca de três quartos das empresas estão em nível intermediário ou abaixo.

Quase a metade (44%) ainda não tem um prazo para começar a mudar. Outros 28% querem agir assim que a lei for aprovada. Poucas empresas (6%) planejam fazer as mudanças em um prazo longo, de três a seis meses.

Reorganização antes de contratar

A primeira solução escolhida por 37,67% das empresas é revisar os turnos para ser mais eficiente. A contratação de novos funcionários vem em segundo lugar, e a saíde antecipada de trabalhadores, em terceiro.

A automação não é a solução favorita, ainda. Quase metade das empresas diz que não planeja nenhuma ação estrutural maior. Entre as que pretendem mudar, 33% querem redesenhar processos internos e 33% cogitam usar mais tecnologia para produzir mais com menos pessoas.

Empresas que funcionam 24 horas por dia têm mais dificuldade. Para manter tudo funcionando com menos horas por jornada, talvez seja necessário abrir mais turnos e contratar muita gente. O estudo estima um possível aumento de 10% nos custos de pessoal em empresas de serviços terceirizados.

Papel do RH e negociações

O setor de Recursos Humanos assume a liderança da discussão em 56% das empresas. No entanto, a negociação com os sindicatos ainda está no início. Mais da metade das empresas ainda não começou a falar com os representantes dos trabalhadores.

Para resolver os problemas, 51% das empresas buscam ajuda de advogados trabalhistas. Outras soluções são redesenhar processos, estudar o mercado e analisar o impacto no dinheiro da empresa. A discussão deixou de ser teórica e virou um problema prático de planejamento para as corporações.

A PEC ainda precisa passar por três votações no Senado, sendo duas em plenário, com ao menos 49 votos a favor em cada uma. A mudança aconteceria aos poucos: a jornada cairia para 42 horas dois meses após a lei, e chegaria a 40 horas um ano e dois meses depois.