Programa Aprender Conectado leva internet rápida a mais de 3,5 milhões de alunos, beneficiando comunidades rurais, indígenas e vulneráveis. A meta agora é conectar 46 mil escolas.
O programa Aprender Conectado atingiu uma marca histórica nesta sexta-feira, levando internet de alta velocidade a 30 mil escolas públicas em todo o país. A iniciativa impacta diretamente mais de 3,5 milhões de estudantes espalhados por mais de 3.300 municípios. O foco da ação é priorizar unidades localizadas em zonas rurais, comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e áreas urbanas onde as famílias enfrentam maiores dificuldades sociais.
Com o crescimento da demanda e a estruturação da operação, a meta inicial do projeto foi estendida. Antes, a previsão era atender cerca de 40 mil escolas, mas o número foi ampliado para mais de 46 mil unidades educacionais.
- 30 mil escolas públicas já possuem internet de alta velocidade pelo programa.
- Beneficiam-se mais de 3,5 milhões de alunos em 3.300 municípios brasileiros.
- As prioridades são escolas rurais, indígenas, quilombolas e de áreas vulneráveis.
- A meta de cobertura subiu de 40 mil para mais de 46 mil escolas.
- A fibra óptica é a tecnologia predominante, responsável por 72% das conexões.
Desafios da expansão nacional
Flávio Santos, diretor-geral da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), destacou a complexidade da missão. segundo ele, chegar a essas 30 mil escolas prova que foi possível criar uma estrutura capaz de superar grandes barreiras de infraestrutura no país. Embora seja um marco importante, o executivo ressalta que ainda há um longo caminho a percorrer para atingir todas as unidades.
A dificuldade é real, especialmente ao tentar levar internet de qualidade para localidades remotas ou com pouca infraestrutura de telefonia. Atualmente, o projeto conecta em média 108 escolas por dia. Isso exige soluções técnicas e logísticas específicas, devido à distância e as dificuldades de acesso em muitas regiões.
Tecnologias adaptadas à realidade de cada local
A escolha da tecnologia depende das condições de cada escola. A fibra óptica é a opção mais comum, presente em 72% dos casos, sempre que é tecnicamente viável. O rádio abastecido por 6,1% das unidades, enquanto o satélite cobre 21,2% delas. Um pequeno percentual, de 0,7%, utiliza soluções híbridas, como a combinação de fibra e rádio ou a tecnologia FWA.
Além da internet, a energia é um fator crítico. Em 1.580 escolas, foi necessário instalar sistemas de geração de energia solar. Esses sistemas garantem o funcionamento dos equipamentos de conexão, além de fornecer iluminação elétrica e tomadas para uso diário na rotina escolar.
Monitoramento e qualidade do serviço
Após a instalação, a Eace mantém um acompanhamento constante das conexões. Sistemas automáticos medem a velocidade e a disponibilidade do serviço várias vezes ao dia. Se houver alguma falha ou interrupção, a entidade aciona imediatamente o fornecedor responsável para que o problema seja corrigido, garantindo a estabilidade da internet para os professores e alunos.
Transformação no dia a dia escolar
Ter internet não serve apenas para navegar, mas abre novas portas para o ensino e a gestão das escolas. Professores e estudantes agora utilizam recursos digitais, conteúdos interativos e ferramentas que exigem conexão estável. O programa já gerou impactos visíveis em diversas regiões do país.
Em Várzea Grande (MT), uma escola rural utilizou a conectividade para desenvolver um protótipo de braço hidráulico. O dispositivo ajuda a identificar quando a horta da comunidade precisa de água. Antes, a falta de sinal fazia com que computadores ficassem guardados e sem uso.
No oeste de São Paulo, em Rosana, o professor Marcos Vinicius dos Santos usou animações educativas de matemática para melhorar o raciocínio lógico dos alunos do 3º ano. Os resultados foram expressivos: o percentual de estudantes que atingiu a meta de aprendizagem saltou de 73% para 100% em apenas um bimestre. Além disso, os alunos ganharam confiança e deixaram de ter medo de errar. A iniciativa foi premiada pelo Instituto Votorantim.
Em Berilo (MG), no Vale do Jequitinhonha, a internet reduziu a distância entre escolas rurais e a Secretaria de Educação, que fica a até 40 km de distância. Professores tiveram mais acesso a cursos de formação e alunos, a novas fontes de pesquisa, antes inacessíveis devido à falta de comunicação.
Em Aquidauana (MS), a Escola Municipal Indígena Francisco Farias, na Aldeia Água Branca, passou a usar a conexão para atividades pedagógicas e administrativas. O local atende 172 estudantes e fica a 60 km da cidade. Os próprios alunos criaram a ideia de um jornal escolar para preservar a língua Terena, danças, culinária e mitos de seu povo. A internet, nesse caso, tornou-se uma ferramenta de preservação cultural.

Ilustração do projeto Aprender Conectado




