14 de setembro de 2026

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Medicamentos para emagrecer podem esconder falta de nutrientes essenciais e prejudicar saúde

Geral Saude 14/09/2026 09:08 Adriana Stavro via Rta Comunicação

Estudos revelam que o uso prolongado de remédios como semaglutida aumenta o risco de falta de ferro, vitamina D e cálcio, o que pode causar anemia, fraqueza muscular e problemas ósseos, exigindo acompanhamento nutricional próximo.

Medicamentos modernos para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, mudaram o cenário clínico. Contudo, o uso prolongado desses remédios pode reduzir a ingestão de alimentos. Esse cenário leva à diminuição no consumo de proteínas, vitaminas e minerais essenciais para o corpo.

Um estudo retrospectivo acompanhou 461.382 adultos que iniciaram o tratamento com agonistas de GLP-1. Quase 13% apresentaram algum diagnóstico de deficiência nutricional nos primeiros seis meses. Esse percentual subiu para 22,4% nos primeiros 12 meses de uso contínuo do tratamento.

Impacto na saúde e principais deficiências constatadas

A vitamina D foi a deficiência mais frequente entre os pacientes. Ela estava presente em 7,5% dos casos aos seis meses e em 13,6% aos 12 meses. Entre as complicações, a anemia nutricional liderou os problemas clínicos registrados. Ela apareceu em 2,1% dos pacientes aos seis meses e em 4% após um ano de tratamento.

Um estudo piloto publicado em 2025 avaliou o efeito da semaglutida na absorção de ferro em pacientes com diabetes tipo 2. Os pesquisadores realizaram um teste oral de absorção de ferro antes do início do tratamento. O teste foi repetido após 10 semanas de uso do medicamento.

Segundo Adriana Stravro, a resposta do ferro sérico ao teste foi significativamente menor após o uso da semaglutida. Isso sugere uma redução na absorção do mineral. Em 17,6% dos participantes, essa resposta caiu em pelo menos 30% em relação à avaliação inicial do paciente.

Outro estudo de 2025 avaliou a alimentação de usuários de agonistas de GLP-1. A análise baseou-se em registros alimentares de três dias. O estudo encontrou uma ingestão média de 863 mg/dia de cálcio, 266 mg/dia de magnésio e 12,1 mg/dia de ferro. Tais valores ficaram abaixo das referências consideradas ideais pela equipe.

Diferença entre ingestão e deficiência real

É vital diferenciar ingestão inadequada de deficiência nutricional real. Estudos de ingestão alimentar identificam consumo abaixo do recomendado. Porém, isso não diagnostica por si só uma deficiência nutricional confirmada. Quando a ingestão é insuficiente por muito tempo, há risco de esvaziamento dos estoques corporais.

Esse processo leva ao desenvolvimento de deficiências reais. O risco depende do tipo de nutriente e de fatores individuais do paciente. A falta de nutrientes pode ter efeitos variados no organismo.

  • 22,4% dos pacientes apresentaram deficiência nutricional após 12 meses de uso do medicamento.
  • A falta de vitamina D foi o problema mais comum, afetando 13,6% dos tratados no primeiro ano.
  • O ferro é essencial para transportar oxigênio, e sua carência causa anemia e queda de cabelo.
  • A falta de cálcio e magnésio pode enfraquecer ossos e causar câimbras musculares.
  • Consultar um nutricionista ajuda a prevenir a redução dos estoques de nutrientes no corpo.

Alguns nutrientes exigem atenção especial. O ferro está em carnes, vísceras, feijões, lentilha, grão-de-bico, tofu, sementes e cereais fortificados. Ele é essencial para a hemoglobina e para transportar oxigênio no sangue.

A deficiência de ferro pode causar cansaço, fraqueza e queda de cabelo. Quando evolui para anemia ferropriva, surgem palidez, falta de ar ao se exercitar e redução da capacidade física do indivíduo.

Nutrientes estruturais e funcionais

A vitamina D é difícil de obter apenas na dieta. Fontes naturais incluem peixes gordurosos, gema de ovo e alimentos fortificados. A principal via é a síntese cutânea após exposição à luz solar ultravioleta B.

A vitamina D ajuda no absorção de cálcio e fósforo, na saúde do osso e na função muscular. Sua deficiência costuma ser assintomática. Em casos graves, causa fraqueza muscular, dor nos ossos e osteomalácia, aumentando o risco de quedas e fraturas em idosos.

O cálcio vem do leite, iogurte, queijos, bebidas vegetais fortificadas, sardinha com espinha, couve e brócolis. Ele é fundamental para ossos, contração muscular e funções neuromusculares.

Ingestão insuficiente por longos períodos favorece a perda de massa óssea. Isso eleva o risco de osteoporose e fraturas, especialmente se houver também falta de vitamina D no organismo do paciente.

Minerais e vitaminas do complexo B

O magnésio é encontrado em castanhas, sementes, leguminosas, cereais integrais e vegetais verde-escuros. Ele participa de centenas de reações relacionadas ao metabolismo de energia, músculos e sistema nervoso central.

A falta de magnésio pode causar fraqueza, fadiga, tremores, câimbras e outras alterações neuromusculares. Em casos graves, pode haver alterações no ritmo cardíaco e até convulsões no paciente.

A tiamina, ou vitamina B1, está em cereais integrais, leguminosas, sementes, castanhas e carne suína. Ela é vital para o metabolismo de energia e para o sistema nervoso funcionar corretamente.

Embora não seja a deficiência mais comum, merece atenção em quem come pouco ou tem náuseas e vômitos frequentes. A falta grave de B1 pode gerar problemas neurológicos e cardiovasculares sérios.

A vitamina B12 é encontrada em carnes, peixes, ovos, laticínios e alimentos fortificados. Ela é necessária para formar células sanguíneas e manter o sistema nervoso saudável.

Sua deficiência pode causar anemia megaloblástica, fadiga extrema, formigamento, alterações de sensibilidade e outros sintomas neurológicos no dia a dia do paciente.

Importância do acompanhamento profissional

É fundamental distinguir falta de ingestão de deficiência nutricional. Consumir menos de um nutriente aumenta o risco de inadequação. Isso não significa que o paciente terá uma deficiência confirmada de imediato.

Alguns estudos avaliaram apenas a ingestão alimentar. Outros analisaram marcadores laboratoriais ou deficiências já diagnosticadas. Por isso, a avaliação periódica do estado nutricional é essencial.

Esse acompanhamento associa análise da dieta, sinais e sintomas clínicos e, quando indicado, exames de sangue. Essa abordagem ajuda a identificar precocemente problemas e orienta os ajustes na alimentação ou o uso de suplementos adequados.